psicologia

"Mães não sentem culpa. Sentem frustração e dor."

Por Juliana Mariz

Já tentou escovar os dentes com a mão esquerda (se vc for destro) ? O exercício foi proposto na primeiro encontro do Programa de Mindfulness ministrado pela Fabiana Saes que o Co.madre organizou. Eu fiz o teste. Me senti descoordenada, mas achei divertido. Fazer algo de uma forma diferente que estamos acostumados parece banal. Mas não é. Pode ser prosaico, mas esconde um ensinamento que dá para levar para todos os cantos da vida.

Escovar os dentes com a mão esquerda é ter a oportunidade de fazer algo de uma forma diferente e observar as sensações que surgem daí. Escovar os dentes com a mão esquerda é o mesmo que enxergar uma situação de um diferente ponto de vista. Escovar os dentes com a mão esquerda é ouvir uma opinião contrária à sua.

Sábado passado estive na Casa do Brincar, em Pinheiros, para participar do Momento dos Pais, um encontro organizado pela Luciana Siqueira, da ImagemCom, que reuniu pais e mães em torno da palestra da psicóloga Cristiana Renner.

O assunto girou em torno de fazer crianças dormir, autonomia, limite… até que a culpa entrou no papo. Cristiana falou que o que mães sentem não podemos chamar de culpa . Meu olho arregalou. Acendeu uma luzinha aqui e me ajeitei na cadeira para ouvir melhor. Ela discorda da frase de que quando nasce um filho nasce a culpa da mãe.

Fiquei interessada na fala dela não só para me descadastrar do clube das mães culpadas, mas para que eu, como jornalista, não siga repetindo conceitos absolutos. Quando a gente leva a vida escrevendo, comunicando, enviando mensagens, a gente tem de ter um cuidado redobrado. Refletir, contextualizar, dar mais de uma visão de um mesmo assunto. Será que estou ajudando a minha rede se ficar repetindo que toda mãe é culpada por natureza? Vamos olhar de um novo ângulo? Vou contar o que a Dr Cristiana Renner pensa a seguir. Leia. Reflita. E, antes de dormir, escove os dentes com a mão esquerda. Garanto que é, no mínimo, divertido.

A seguir, as falas da Dra Cristiana Renner em itálico. Os títulos são meus.

Dra. Cristiana Renner na palestra na Casa do Brincar. Foto: João R Rudge

Dra. Cristiana Renner na palestra na Casa do Brincar. Foto: João R Rudge

 

USAMOS A PALAVRA CULPA DE UM JEITO ERRADO

Uma amiga me disse a frase: quando nasce um filho, ganhamos dois: a criança e a culpa. Trabalhando com isso clinicamente vejo como a gente usa esse termo “culpa” do jeito errado.

Se tenho uma garrafa cheia de água em cima de uma mesa e começo a balançar essa mesa e a garrafa cai, a culpa é minha porque fiz isso conscientemente. Sabia o que poderia acontecer.

Quando lidamos com os filhos nossa intenção é sempre muito boa. Ninguém quer sacanear o filho, todos temos boas intenções. Tudo o que a gente faz é na intenção de fazer da melhor maneira.

Então o sentimento de culpa não serve. É um nome usado de forma inadequada. A gente não faz na intenção de cometer o erro, mas somos seres humanos e erramos. Fato.  

CIRURGIA DA CARTOLINA VERDE

Vamos dar um exemplo. Vamos supor que você esqueceu de levar a cartolina verde que a escola pedia para uma atividade da sua filha. A primeira coisa a fazer é se perguntar: por que esqueceu? A resposta pode ser: porque estou cheia de afazeres, não me organizei, meu chefe está me pressionando. A partir dessa avaliação você vai decidir: pedir ajuda para o marido, pregar um aviso na geladeira, sentar para conversar com o chefe.  

Se você não parar pra olhar a situação você não vai descobrir que tem de pedir ajuda ou colocar aviso na geladeira. O problema é que ficamos no mental: esqueci a cartolina, minha filha vai sofrer bullying, não vai fazer a atividade, não vai conseguir entrar na faculdade etc… E o problema torna-se maior do que realmente é.

Quando temos uma questão como essa temos de olhar e fazer uma cirurgia dela. Até o fim. Não pode parar no meio do caminho. É a cirurgia da cartolina verde.

NÃO É CULPA, É FRUSTRAÇÃO E DOR

E tem outro ponto. A gente vai esquecer, eventualmente, a cartolina verde. Temos que saber lidar com isso e ensinar para nossos filhos a mesma coisa.

Ao sentimento de culpa podemos dar o nome de frustração e dor. Algo que a gente faz e dá errado. O importante é olhar para o problema e descobrir a solução.

HÁ MOMENTOS DE CAOS. ACEITA.

Tem momentos que não dá pra fazer a cirurgia da cartolina verde. Por exemplo, mudei meus filhos de escola e de atividades. Nossa rotina mudou toda. Foi um caos para nos adaptarmos. Eu esqueci a chave… Quando muda uma rotina, é normal que isso aconteça. Pensei que viveríamos três meses de caos, mas foram quatro. Faz parte. A imperfeição existe e lidar com ela é importante.




 

Mindfulness para pais e mães

2017 é o ano que estamos refletindo, discutindo e pesquisando sobre equilíbrio materno. Naturalmente, portanto, atraímos para o nosso lado pessoas com esse mesmo propósito. Fabiana Saes, psicóloga e instrutora de Mindfulness, é uma delas.

Quando resolveu retomar a carreira de psicóloga, Fabiana buscou alguns cursos de aperfeiçoamento e se encantou com as técnicas que estimulam a atenção plena. Além de atender em consultório, ela aplica Mindfulness em empresas, escolas e grupos fechados. Seu foco principal é estimular a construção de relações significativas nas famílias.

Toda a experiência que tem, inclusive aplicando com seu casal de filhos, ela vai compartilhar com a gente em um programa de 8 semanas.

A seguir, as informações sobre o Programa:

 

No programa de oito semanas de Mindfulness para Pais e Mães vamos:

  • Explorar as próprias expectativas e desejos, medos, raiva, frustrações e aprender a gerenciá-los com cuidado e amor
  • Aprender a encontrar espaços de calma interior para se relacionar com os filhos com respeito, consistência e amor e poder desfrutar mais dos momentos que ocorrem na vida familiar cotidiana
  • Desenvolver maneiras para evitar agir reativamente
  • Desenvolver maneiras de aumentar os pensamentos positivos
  • Desenvolver as qualidades de ouvir com total atenção ao interagir com seus filhos
  • Trazer compaixão e aceitação sem julgamento para suas interações parentais

 O programa é voltado para pessoas que desejam:

  • Aumentar o foco e a atenção
  • Melhorar o relacionamento com os filhos
  • Melhorar a reatividade excessiva às situações do dia-a-dia
  • Melhorar relacionamento interpessoal
  • Diminuir níveis de estresse
  • Melhorar produtividade
  • Diminuir sintomas de ansiedade e depressão
  • Aumentar qualidade de vida
  • Autoconhecimento
  • Mudar a maneira como se relacionam com suas vidas, como pensam e como se sentem sobre as experiências diárias

O programa inclui: 

  • Técnicas de respiração
  • Práticas guiadas de meditação
  • Apostila com atividades
  • Disponibilização de áudios com as meditações
  • Instruções para aplicações diárias
  • Discussões em grupo sobre as experiências, dificuldades e incorporação das técnicas na rotina

Metodologia:

Sobre o Programa:

  • Consiste em 8 sessões semanais de 2h cada.

Conteúdo das sessões semanais:

1º encontro: O que é Mindfulness? Saindo do piloto automático.

2º encontro: Atitudes e desafios da prática de Mindfulness. Explorando a respiração.

3º encontro: Mindfulness na vida diária. Lidando com os pensamentos.

4º encontro: Estendendo as habilidades de Mindfulness para situações desafiadoras.

5º encontro: Mindfulness, aceitação e ação habilidosa.

6º encontro: Dia do silêncio. Desafios da introspecção.

7º encontro: Mindfulness e compaixão.

8º encontro: Mindfulness para a vida toda.

 

Informações: TURMA I MINDFULNESS | CO.MADRE

 

DATAS16/08, 23/08, 30/08, 06/09, 13/09, 20/09, 27/09, 04/10

HORÁRIO: das 14h às 16h

LOCAL: Ateliê Mariana Iannuzzi | Rua Pais de Araújo, 77 - Itaim Bibi

VALOR: 3 x R$ 367,00

INSCRIÇÃO: https://form.jotformz.com/fsaes/inscricao_comadre

INFORMAÇÕES:  fabiana@brace.net.br | 96081-0404