maternidade

#Newsletter: Maternidade é o novo fitness

Olá, comadres!

Estou com uma pulga aqui atrás da minha orelha e quero dividir com vocês.

Influenciadoras digitais estão tendo filhos. Vamos ver mais e mais postagem sobre maternidade. Mas, talvez, de um jeito nocivo. O ambiente virtual é propício para comparações, toxicidades, depreciação. Pode até não ser intencional, mas é o efeito negativo da internet. Temos de proteger as mães.

Há um tempo, o drible no que parecia superficial recebeu nome e hashtag: maternidade real. Teve sua força e relevância até o momento que a vida real do outro virou objeto de desejo. Mas cada um tem a sua cota de realidade, concorda?

Maternidade é o novo fitness do insta. A menina que se olha no espelho buscando a barriga chapada está sendo substituída pela mãe com bebê no colo. Internet é espelho? Que Sabrinas, Isis, Marias, tenham a real dimensão de seus papéis. 


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Photo by Sandrachile . on Unsplas


A você, mãe da internet, eu desejo:

  • faça sua curadoria de seguidoras baseada no que faz seu coração leve

  • não se afogue em informações

  • faça detox virtual periódico

  • pegue o caderninho e escreva, escreva, escreva

 
A gente engole muita informação. Mas tem tanta coisa aqui dentro que precisa sair…. Uma forma de escoar é utilizando a palavra. Uma frase por dia. Tente. Escrever é cura.

Se você conhece uma mãe que pariu recentemente, fique de olho. Comparações virtuais são um veneno para mães no puerpério. Vamos nos cuidar.

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Palavrinhas marotas em forma de link que encontrei por aí:

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Chateada com essa história aqui. O bom é que a funcionária, Raiane dos Santos, já está empregada. A discussão é sempre válida. A sociedade é, sim, responsável pela mãe. Há uma parcela da população que não entende dessa forma. Mas há um grande número de pessoas dispostas a ajudar. 

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Esse texto aqui do psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, publicado no portal Lunetas, é de leitura incômoda. A pergunta é: criamos nossos filhos para nos satisfazer? 


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Da série, a que ponto chegamos. Um restaurante britânico dá refeição grátis se pais toparem ficar sem celular e conversarem com os filhos à mesa. Aqui

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A escritora canadense Kasey Edwards manda uma carta para Meghan Markle sobre maternidade. Contém verdades necessárias e sensíveis aqui.


Até já já!
Ju Mariz 

5 dicas básicas de escrita

Empreendedores têm uma gama enorme de cursos, workshops, aulas, palestras, consultorias para ajudá-los em seus projetos, negócios, empresa. Investem tempo e dinheiro cercando-se das principais ferramentas para minimizar erros e riscos. Perfeito. Assim que deve ser. No entanto, pecam em algo simples que pode colocar tudo a perder: a escrita.

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Não estou nem falando da estratégia de comunicação. Estou voltando ao básico: o bom uso das palavras. De nada adianta carregar o Canvas debaixo do braço ou ter o pitch na ponta da língua se na hora de escrever uma apresentação, um post ou um email, que seja, a mensagem está truncada. O seu texto também faz parte do seu branding.

Vivemos, atualmente, no modo acelerado. Tudo é pra ontem. Muitas vezes, nem é, mas nos sentimos sempre na urgência, em débito, correndo . E então as palavras saem como cuspidela. Não pode. Senta e respira antes de escrever para convidar aquele potencial cliente para um café. Pensa nas palavras certas quando for se apresentar em um grupo no facebook. A escrita conecta. A escrita emociona. E diz muito mais sobre você (e seu negócio) do que você pode imaginar.  Seguem cinco dicas básicas:

 

1.

CLAREZA

Primeiro pense qual a mensagem quer passar. Isso é o primordial. Não importa se é uma super apresentação ou se é apenas um email convidando alguém para uma reunião. As informações básicas são as mais importantes. 

 

2.

CURTO

Se a ideia não é escrever um artigo, não se alongue. Manja o “encher línguiça?” Fuja.

 

3.

AUTÊNTICO

Você tem um jeitinho só seu, sua marca também. Como traduzir essa  expressão única em palavras? Enconte sua voz. Ela é só sua.

 

4.

SEM PEDANTISMO

Cuidado com o auto elogio exagerado. Não confunda confiança e auto estima com arrogância.

 

5.

SEM SE APROPRIAR DE EXPRESSÕES NADA A VER COM VOCÊ

A internet é fértil em produzir gírias e expressões da moda. Se essas expressões não têm nada a ver com você, não use.

Mãe Mãe Mãe

Olá, Comadres! 

Banalizaram a mãe. A palavra, quero dizer. Minhas filhas pronunciam essas três letrinhas 30 vezes por dia. Ou melhor, por manhã. Tomaram como mantra. Saem pelo corredor falando mãe mãe mãe. Uma verborragia a la Galvão Bueno. Poxa, não faz isso com a mãe, não. A palavra vem do galaico-português madre. Que vem do latim, mater. É coisa fina. Agora tá lá, na boca das minhas filhas como brigadeiro em festa infantil. Tento explicar que não precisam repetir cinco vezes mãe se aquilo que clamam - no caso eu -- está a cinco passos. Vou fazer uma campanha pelo uso comedido da mãe. E sei que isso é só da boca pra fora porque mãe, na real, não tem comedimento. 

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O chamado incessante delas me incomoda real. Não é só o grito, o barulho ou a repetição que me irritam. É também a sensação de que elas acham que devo estar à disposição o tempo todo. Mãe não é delivery 24 horas. Não é serviço full time. Vejo essa situação como uma oportunidade de explicar que elas devem respeitar meu momento, meus afazeres, minha distância (por menor que seja). E respirar. Eitcha meninas ansiosas. Querem tudo para agora.

Alguém se identifica?

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Fala-se de... solidão das mães especiais, maternidade e trabalho, primeira ministra da Nova Zelândia. Tudo logo aqui: 

1.
Um texto muito comovente escrito por Láu Patron -- que mantém a páginaAvante Leãozinho para contar sobre a doença que acomete seu filho -- fala sobre a importância de termos uma rede e como isso é mais complicado para mães com filhos especiais. Imperdível

2.
The New York Times publicou uma matéria extensa sobre discriminação de grávidas pelas empresas. Traz casos reais e cita empresas que até divulgam programas de apoio às executivas, mas que na hora do vamos ver, o apoio não existe.

3.
Fique de olho nesse nome: Jacinda Ardern: ela é a primeira ministra da Nova Zelândia e acabou de ter bebê. Ela está revolucionando a fórmula maternidade - trabalho. Com o bebê no colo, fez um pronunciamento aumentando a licença maternidade e oferecendo ajuda de custo a famílias com filhos pequenos. Um textinho sobre ela aqui.  


Boa leitura e até mais!
Ju Mariz

 

# Newsletter: filmes sobre maternidade

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Olá, Comadres! 

Falar sobre maternidade na sua forma mais nua e crua é um movimento recente impulsionado pelas redes sociais. O Comadre tem cinco anos e posso atestar que nesse período a desmistificação da maternidade ganhou as redes de forma ampla e sem chance de retorno.

É bacana ver como esses movimentos nascem, se espalham, afetam as pessoas e conseguem promover mudanças. E o que de tão amplo foi feito? Falou-se do assunto. Simples assim. Falamos que maternidade é, sim, um momento lindo na vida de qualquer pessoa. Mas esse contentamento vem junto de uma carga super pesada, enfrentada por cada um de uma forma diferente. Tem solidão, depressão, cansaço, medo, angústia. Tem bico de seio rachado, noites mal dormidas, parceiro distante, carreira deixada de lado... 

A narrativa sobre a maternidade mudou. E o que se produz sobre isso também. Assistimos a filmes sobre mães e filhos há um tempão. Quem se lembra de "Minha mãe é uma sereia", com Cher, Winona Ryder e Christina Ricci, um clássico que chamou a atenção por desconstruir o papel da mãe? Mais recentemente lançaram "Perfeita é a mãe", com Mila Kunis; e "O maior amor do mundo", com Jeniffer Aniston e Julia Roberts.... Enfim, impossível citar tudo já que a temática é recorrente. 

A lista é grande, mas duas produções recentes são, ao meu ver, um marco nessa busca por desromantizar a maternidade. Falo de Turma do Peito, série da Netflix; e de Tully, em cartaz no cinema. 



Turma do Peito mostra as angústias e dúvidas de Audrey, personagem vivida por Alison Bell, atriz que também escreveu o roteiro. Seu bebê tem poucos meses quando ela decide frequentar um grupo de apoio a pais em seu bairro. Os sete episódios atravessam a montanha russa do puerpério: cansaço, amamentação, relação com as amigas, dúvidas sobre o trabalho, julgamento, auto julgamento. 

A história de Audrey mostra bem como somos duros com nós mesmas e como a maternidade traz um "não pertencimento" imediato. Amigas parecem estranhas, marido fica distante, mãe vira alvo de nossas maiores angústias. Uma grande sacada da série é dar importância à formação de uma rede. Depois de relutar, Audrey encontra no grupo de pais empatia, suporte, compaixão. Um pacote pronto de riso, choro, emoção.

Tully, que está no cinema, é um filme denso, intenso, sensível. Charlize Théron se entregou para o papel de uma mãe sobrecarregada, a espera do terceiro filho. Saí do cinema passada. Aos poucos, insights foram caindo. Eu adoro quando um filme me provoca reflexões em parcelas. Mas é o tipo de filme que não dá para falar muito se não corro o risco de contar o que não devo.

O que posso escrever é que Tully é um retrato muito honesto sobre a família contemporânea e o papel da mulher. Revela a maternidade como uma oportunidade ( difícil e inexorável )  de nos encontrarmos com nossa própria sombra. Coloca luz à MULHER por trás da mãe que amamenta, acarinha e ama aquele bebê. Tira o manto sagrado e descortina uma mulher cansada e suscetível à doenças mentais e emocionais. E disso, precisamos falar, ler, ouvir, debater, refletir.

Melhor parar por aqui, mas ia adorar ler o que você achou sobre o filme ou a série. Me conta? 

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Agora pega o balde de pipoca, senta no sofá e dá uma olhada nesses textos sobre o assunto:

1 #
Essa matéria da Refinery29 mostra como o filme Tully pode ajudar homens a ter mais empatia.

2 #
Reportagem da Lunetas sobre a série Turma do Peito, do Netflix. Sem spoiler, prometo.

3 #
Essa lista do Huff Post é do mês passado, mas traz algumas sugestões de documentários e filmes. 

Até a próxima,
Juliana


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# Newsletter: o banho com a Elisa

 

Quem nunca se trancou no banheiro e deu uma enrolada para prolongar o momento sozinha? Banheiro é lugar sagrado pra mãe, concordam? Espaço onde você se tranca para passar uns minutinhos no celular, ouvir música, tomar um banho tranquilo. Claro que para isso acontecer algumas regras tiveram de ser estabelecidas, né? Porque criança não entende banheiro como um local privado. Aliás, filhos sabem o significado da palavra privacidade? Desconfio que não.

Quando é hora de ficar sozinha, quando é hora de se doar

Quando é hora de ficar sozinha, quando é hora de se doar

Pois Elisa, minha caçula que faz seis anos no próximo mês, resolveu que quer tomar banho comigo. Pediu uma vez. Eu deixei porque estávamos atrasadas para um compromisso. Pediu a segunda vez. O alarme do meu limite interno soou, mas acabei concordando. Durante o banho olhei pra ela, pra nossa interação, para aquele momento. E entrei no limbo materno: onde termina o meu espaço e começa o dela ? Estabelecer esse limite é fundamental pro nosso equilíbrio.

A dualidade é: quero ter o meu espaço de auto-cuidado, o meu momento sozinha, o meu silêncio. Mas quero também estar com ela porque daqui alguns anos ela não vai querer se ensaboar comigo no chuveiro. Qual é o tamanho da entrega? Qual é o tamanho da doação? Isso, só podemos decidir sozinhas, com uma escuta interna. Não tem manual nem mãe you tuber pra resolver por nós. Mais importante do que ceder ou recurar, é ouvir internamente o que você está querendo. 

Eu me ouvi. E decidi: banhos juntas apenas nos finais de semana. Ela aceitou e prometeu ensaboar todo o boxe. Nâo vejo a hora. 

Ju Mariz
 

Estamos cansadas e precisamos falar sobre isso

Sábado passado, dia 10, tivemos um encontro para falar sobre CARGA MENTAL

Carga Mental são aquelas atividades e decisões que exercemos quase sem perceber. São praticamente invisíveis. Nos tomam tempo, consomem energia e geram um super cansaço. Nos reunimos para trocar ideia sobre isso, compartilhar sugestões, desatar alguns nós. Foi um encontro delícia e inspirador, como sempre. O bacana foi colher algumas dicas, que agora divido com vocês. 

Quem se sente cansada põe o dedo aqui, que já vai fechar... 

Quem se sente cansada põe o dedo aqui, que já vai fechar... 

 

# A fotógrafa Dani Picoral, sócia da Saudades, galeria virtual de fotos, utiliza Trello para se organizar. Ela até nos mostrou o app, contou como facilita a rotina. Teve gente que já se inscreveu!

# Não importa se você é adepta da tecnologia ou prefere usar papel. O que vale é ser do jeito que funciona para você. Isso foi unanimidade no grupo.

# Lista de afazeres devem ser pequenas. Se você pega uma lista com cinco itens e consegue resolver três, tem uma sensação muito melhor do que conseguir liquidar três atividades em um rol de dez. Isso melhora a sensação de produtividade e alivia aquele sentimento de frustração. 

# Anote tudo o que faz. Muitas vezes temos aquela sensação de que não estamos avançando na "to do list", embora estejamos trabalhando, fazendo coisas. Isso acontece porque surgem uma porção de coisinhas que não estavam previstas: atender um telefonema, pagar uma conta atrasada, responder uns emails. Isso tudo toma tempo. E, ao escrever, você consegue ver como usou as horas, avaliar como pode se organizar de uma próxima vez, eliminar a sensação de frustração.

# "Pick your Fight" é o lema da fotógrafa Thais Shimidu. Ela acha que devemos escolher quais brigas travar. Selecionar qual batalha queremos entrar. E isso parece funcionar especialmente com os filhos. Thais escolheu desistir de se incomodar e brigar com os filhos por causa da bagunça e da "molhação" no banheiro após o banho. A escolha eliminou um cansaço mental enorme.

# O que tiver de fazer, faça de imediato. Tem de mandar o cheque pra escola do passeio, faça na hora que leu o comunicado. Tem de colocar a cartela de vacinação na bolsa, pegue e guarde na mesma hora que lembrar. Deixar a procrastinação de lado é um alívio. 

# Uma outra dica veio da coach Patrícia Ansarah. Outro dia, quando viu um prato usado pelo filho largado na casa, ela resolveu fazer diferente. Fez um bilhete para o filho como se fosse o prato. "Oi, eu sou o prato e gostaria que você me levasse até a cozinha etc" Ela resolveu uma questão persistente e chatinha com bom humor e criatividade. Quebrou um padrão. Provavelmente vai ter mais facilidade em atingir o objetivo. 

# Cultive sua rede. Cuide dela. Conte com ela. São essas pessoas que vão te ajudar, dividir o fardo com você, acolher. Seja sua família, vizinhos, pais de amigos da escola, grupo da malhação... Não importa. Forme um grupo com quem possa contar. Isso é libertador e alivia. 

# Escolha algo que te coloque em um estado contrário ao da carga mental: relaxado, leve e despreocupado. Pode ser correr, ler, meditar, pintar. Isso também foi unânime no grupo.: quem não tem uma válvula de escape, tem de escolher uma pra chamar de sua. 

Essas foram algumas das sugestões. E a sua? Mande pra gente no oi@comadre.me

#Newsletter: Baita dor nas costas

Oi, Cos, Ju Mariz aqui.

Janeiro me brindou com uma dor nas costas paralisante. Teve pronto socorro, injeção na veia, criança de férias em casa, braço formigando, trabalhos adiados, dor, remédio, apoio, vontade de gritar, tentativa de meditar, mau humor, (im) paciência, exames doloridos. Descobri uma hérnia. E entrei para o mundo das C7, espinha, vértebra, cervical, medula, nervo. A dor está 90% zerada. E agora estou mais atenta ao assunto, fazendo fisioterapia, mudando hábitos.

Durante a crise me encontrei com uma fisioterapeuta que me alertou da importância de sentar e se posicionar direito para trabalhar. Passou um filme na minha cabeça. Há oito anos eu sou free lancer. Nesse período tive duas filhas. Adotei, feliz da vida, a rotina nômade de trabalhadora autônoma com o computador no lombo. Trabalhei em diversos cafés da cidade, onde eu reparava apenas na qualidade do café e na belezura do espaço. Não pensava se mesa, cadeira, luz estavam adequados.

Uma outra fisioterapeuta deu muita ênfase à minha rotina materna. Ela também é mãe de dois e acho que sentiu empatia imediata. E comecei a reparar. Nós, mães, devemos ter propensão a sentir dor nas costas. Falo isso no sentido "figurativo da coisa": levamos tudo nos ombros. E também no físico, claro. Pode reparar ao redor. É mãe carregando mochila do filho, outra segurando um outro no colo, mãe com diversas sacolas de supermercado em um braço, o computador no outro.... 

Não quero dizer com isso que todas teremos dor nas costas. Não, você não terá. Mas fica uma lição: vamos nos cuidar mais. Por favor, cuidem-se com amor. 

Isso tudo dito, quero fazer um convite a vocês.

Vamos dar início, no próximo sábado, dia 10, à uma série de bate-papos. Queremos abrir espaço para a conversa, o compartilhamento de ideias, a troca de opiniões. Cada mês um tema diferente. Dia 10 vamos falar de CARGA MENTAL.

Estão todas convidadas para conversar sobre essa demanda exaustiva e muito pouco contabilizada. Como lidar com esses afazeres quase "invisíveis"? Decisões que tomamos entre um compromisso e outro? Qual artifício usar para que isso não mine nossa energia? Queremos ouvir vocês. E nada mais "inibidor de dor nas costas" do que uma roda de mulheres conversando, rindo, trocando ideias, se inspirando, não é?

Se tiver interesse, clique na imagem para mais informações.

 

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#Newsletter: Quem acolhe, colhe

Ju Mariz falando.

Semanalmente levo minha filha caçula à fonoaudióloga. Começamos há três meses. É um problema simples que com dedicação conseguiremos resolver até o final do ano. Enquanto ela faz a sessão, eu fico na sala de espera. Levo livro e caderno de anotações para passar o tempo. Na primeira semana, li o livro, emails e posts nas redes sociais. Na segunda semana me interessei mais pelo entorno. Pacientes que chegavam, profissionais dando orientações, crianças de mãos dadas com suas mães. Na terceira semana o constrangimento me invadiu. Já estava quase pedindo desculpas por estar ali levando minha filha para tratar um problema de fácil resolução. 

A maior parte das crianças tem problemas de audição. Ver uma criança com seus três aninhos se esforçando para se comunicar é tocante. Ouvir conversas sobre a dificuldade de fazê-las colocar o aparelho também me comoveu. Senti uma compaixão enorme por essas mães e sua batalhas diárias. Não importa qual a natureza do problema: mães estão ali, incansáveis e confiantes.

Uma especificamente me chamou a atenção. Ela parecia exausta. Sua filha, de 3 anos, é uma gracinha e faz sessões duas vezes por semana. Eu queria abraçá-la. Abraçar a mãe porque a filha, a essa altura, já estava no meu colo mostrando seu caderno de atividades.

Semana passada resolvi puxar papo. Comecei falando de sapatos infantis. No final ela estava desabafando sobre o desafio de cumprir -- e pagar -- todos os tratamentos da filha. Contou que era um problema hereditário. Tinha dúvidas em relação à escola também. Falou da psicóloga. Sua voz era terna, porém triste.  

Não sei se nossa conversa surtiu algum efeito. Talvez seja pretensão minha achar que esse papo trouxe algum alívio. Só sei que por alguns momentos ela teve uma escuta.

Nossa sociedade está completamente voltada para as crianças e suas necessidades. As mães seguem comosoldadinhos invisíveis cumpridores de seus papéis. Li um texto da escritora Beth Berry, mãe de quatro, e um trecho diz assim: “Conexão rica, segura e autêntica é essencial para nos desenvolvermos. Cultivar essa qualidade de conexão requer coragem e um desejo de sair de sua zona de conforto. O que você mais quer existe lá, do outro lado daquela conversa inicial desajeitada ou daquela apresentação vergonhosa”. Não há mais aldeia. Então, vamos criá-las. E vamos começar acolhendo a mãe. Aquela ali que está bem do nosso lado.

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O que a divisão de tarefas domésticas tem a ver com empatia?

Eu defendo que um casal deva dividir tarefas domésticas, cuidados com os familiares e com os filhos. O ideal seria 50/50, mas cada família tem sua dinâmica e está valendo a contribuição mínima. Acredito nisso porque acho justo e equilibrado e porque crianças ganham com o olhar paterno na criação e no gerenciamento doméstico. Mas passei a desconfiar de uma outra razão.

Ao se envolver com o que se passa nos meandros de uma casa, homens podem ser impulsionados a desenvolver empatia. Não quero aqui rotular, tampouco polarizar diferenças. Mas há uma construção social que tirou o homem do campo doméstico e o levou para a “rua”.

A obrigação masculina em prover sustento implicou gerações absolutamente auto-centradas. Sucesso, dinheiro, promoção, carreira. Busco palavras que não soem inquisidoras. O objetivo aqui não é julgar, mas delinear um cenário social.

A rotina doméstica e com os filhos exige observar o tempo todo a necessidade alheia. É um exercício diário. Desde o prosaico “ o que teremos no jantar” até a preocupação com um olhar entristecido de um filho. Exige parar e conversar. Sentar e ouvir. Olhar para o relógio e buscar tempo para escutar aquela história fantasiosa da filha.

PHOTO CREDIT:  TED BAUER, THE CONTEXT OF THINGS

PHOTO CREDIT: TED BAUER, THE CONTEXT OF THINGS

 

Não sou utópica em pensar que a balança estará equilibrada totalmente. Mulheres trabalham e cuidam da casa. Homens trabalham e cuidam da casa. É muito melhor mesmo que sejamos maleáveis. Uma manhã na semana para acompanhar o filho no tênis, que tal? Ir ao supermercado com eles uma vez por mês, pode ser? Mudar o escritório mais para perto da escola para poder, eventualmente, buscá-lo, rola?

Muitos homens já estão fazendo isso e, em conversas que tive, estão satisfeitos e sentindo a mudança pessoal. Outros já ouvem sobre empatia em cursos sobre liderança, em palestras na empresa, em leituras. Pois esse mesmo empenho em ter uma performance tão apurada e acurada para o trabalho e para a equipe, é desejável que tenham com o filho, com a mãe, com a esposa. Tudo isso com uma grande diferença: estarão ajudando a construir o relacionamento mais significativo de suas vidas. Vale a pena.

Minha amiga foi demitida na volta da licença maternidade

Por Juliana Mariz

Quando minha primeira filha nasceu, eu trabalhava no jornal Valor Econômico. Tive quatro meses de licença. O dia de voltar ao trabalho estava nublado. Na verdade, não sei se estava. Podia estar um baita sol, mas minha tristeza deixou tudo acinzentado.

Entrei na Marginal Pinheiros com uma dor na boca do estômago. O lance foi físico mesmo. Mil preocupações na cabeça. Uma delas: minha filha não pegava mamadeira de jeito nenhum. Fiquei muito angustiada com isso. Com o tempo me acostumei com a rotina. As coisas entraram nos eixos, como acontece com a maioria das mães. Mas não é fácil. Não mesmo.

São mil preparações, decisões. Rotinas que devem ser revistas. Rede de apoio que tem de ser estabelecida. Pior é quando você organiza isso tudo e, na retomada do posto, é demitida. Pra mim isso está entre os top cinco das grandes sacanagens da vida. E aconteceu com uma amiga.

Quando soube, escrevi sobre a situação dela em um post no facebook. Estava perplexa e comovida. E por causa dos comentários que li no post, percebi que isso é muito comum de acontecer.

 

Daí que eu só posso supor que a (o) infeliz -- minha amiga foi demitida por uma mulher  --  não têm ideia do que antecede a volta de uma mãe ao mercado de trabalho. Ok, vamos desenhar.

Antes de retornar da licença os pais da criança têm que tomar algumas decisões:

  • com quem fica a criança: babá, escola, algum familiar
  • fazer a adaptação da criança na escola, se for essa a opção
  • qual impacto financeiro ao estabelecer uma rede de suporte para cuidar da criança
  • introduzir ou não a alimentação
  • interromper ou diminuir a amamentação
  • guardar leite materno ou não
  • comprar ou alugar bomba de retirada de leite

Essa é uma lista pequena e que não abarca as questões emocionais. Ao se preparar para reassumir seu posto, essa mulher sabe que vai sofrer com a separação, saudade, insegurança. É uma transição difícil. Ela sabe que aumentará a jornada de trabalho. Virão exaustão e stress.

É, portanto, uma irresponsabilidade do empregador demitir uma pessoa na volta da maternidade. É bom lembrar que uma mulher tem estabilidade de um mês (quando a licença é de quatro meses). 

Minha amiga segue tocando a vida. Agora, vai curtir a maternidade e pensar no futuro profissional no próximo ano.

Alguém já viu esse filme?