A arte de equilibrar pratinhos

Procura-se equilíbrio. Começamos o ano discutindo esse tema em um bate-papo agradável com as coaches Thais Catalano e Tatiana Pacheco, especialistas em maternidade.

Balança, mas não cai.

Balança, mas não cai.

 

A primeira pergunta era: o que é equilíbrio para cada uma das participantes. Ouvimos conceitos como: paciência, foco, presença, angústia, leveza… Alguém também falou que equilíbrio é uma conquista impossível. Desmistificou assim, na lata.

O exercício nos mostrou que equilíbrio é algo pessoal, intransferível. Segundo as coaches, essa busca pelo equilíbrio depende muito de olharmos para nossa bússola interna e nos questionarmos sobre nossos valores e sobre o que é importante para nós. Mas elas frisaram que não há fórmula mágica.

Roda de bate-papo sobre o equilíbrio possível.

Roda de bate-papo sobre o equilíbrio possível.

Equilíbrio não se dá, não se compra, não se empresta. Os depoimentos das comadres no grupo corroboram ainda mais essa ideia. Dá uma olhada como cada uma enxerga de um jeito. E você? Qual é o seu jeito? 


Alice Salvo Sosnovski, jornalista e fundadora da O Pulo do Gato

“Tenho buscado constantemente esse tal equilíbrio e por conta dele fiz algumas reviravoltas no ano passado. Confesso que me senti mais tranquila ao ficar mais tempo com a minha filha, poder tirar férias com ela e conversar sobre coisas da vida sem pressa, mas começo a me sentir vulnerável principalmente nas questões financeiras. SP exige muito que a nossa energia seja voltada para o trabalho, aqui temos mais demandas mesmo se escolhemos uma vida sem luxo. Enfim, ele me sugeriu temperança (substantivo feminino), que é mais que equilíbrio. Significa uma serenidade diante das nossas escolhas. Achei lindo.”

Karina Arruda, sócia da Inspiral

“Na minha opinião essa equação só vem com o empreendedorismo feminino ou com uma mudança completa da estrutura ofertada pelas empresas, que precisaria ser mais livre, flexível, e sem julgamentos. Moro em SP e acho opressora para crianças. Embora ofereça mil possibilidades interessantes, sempre acreditei que é na simplicidade e na natureza que a infância encontra paz e conforto.”

Ana Viana, sócia da Buji

Já cheguei a pensar que se tivesse uma base financeira sólida (tipo "vinda do meu parceiro" por exemplo), esse equílibro seria mais fácil, mas conheço várias mães cujos filhos não dependem do sucesso financeiro delas para viver e nem por isso se sentem equilibradas, então percebi que não é só uma questão de grana. Mas eu particularmente me sinto vulnerável no que se refere a grana e tempo, sempre me perguntando se não tô tirando o tempo que deveria dar a meus filhos e dando pra carreira ou se deveria estar ganhando mais e trabalhando numa empresa que me desse mais benefícios para que eles tivessem uma situação de vida melhor. Mas pelo menos estou na luta, e sempre que posso deixo os meus filhos a par dessa batalha, das minhas escolhas e da minha fé num futuro mais próspero!”


Vivian Bravo, empreendedora da marca Carinho na Caixa

"Acredito que, como em tudo, estamos sempre voltando ao começo, às origens. As mulheres estão buscando no empreendedorismo uma forma de equilíbrio entre estas duas partes tão importantes e essenciais para nossas vidas. Em nossa cidade tão competitiva, o coração do país, essa cultura de ser sempre o melhor, competitividade super forte, as melhores oportunidades são pra quem não desiste, não pára, não tem como conciliar com uma maternidade saudável e justa. Realmente a necessidade cria caminhos, oportunidades para o novo! Como pensava Buda, o caminho do meio é a melhor forma de se conseguir o equilíbrio!"

Dani Junco, sócia da B2Mammy

Eu me equilibrei depois de entender que meu filho é incrivelmente importante, mas tenho (e quero) manter outros pratinhos girando. Eu faço um monte de coisas, mas entendi que só consigo fazer bem um de cada vez. O pratinho da culpa tomava meu dia e me levava a inovação. Ter encontrado um projeto que tem impacto social me ajudou a entender que é uma coisa maior. Estar em um rede, colaborar, ter e dar apoio para outras mães também me ajudam a manter o equilíbrio. Ah! E vôlei é sagrado, meu esporte é a melhor válvula de escape.

Em busca do equilíbrio perdido

 

Sabemos que encontrar o equilíbrio é algo pessoal e que depende de inúmeros fatores. No entanto, quero compartilhar com vocês o que eu estou fazendo, pesquisando, lendo para encontrar meu nirvana particular.

Equilíbrio, para mim, é estabelecer uma rotina pessoal que me mantenha energizada e centrada para enfrentar o que não está a meu alcance. Eu quero seguir serena mesmo se estiver com a conta no vermelho, brigado com as crianças ou sem internet.

Para facilitar que isso aconteça descobri que preciso dormir bem, me alimentar bem, fazer exercícios. Mas não basta. Ando pesquisando outras coisinhas por aqui e por ali e vou compartilhar algumas com vocês: 

Aqui tem equilíbrio.

Aqui tem equilíbrio.

 


// Respiração

Teve um  dia, semana passada, que parecia que o universo estava conspirando contra. Briga das crianças, o quibe do almoço estava estragado, o moço na rua me ameaçou etc etc etc. Cheguei para sentar e trabalhar parecendo um zumbi. Parei. Fechei os olhos Respirei profundamente várias vezes. Me fez bem e vou seguir treinando.

Aqui tem um link que fala sobre respiração para mães.

http://www.personare.com.br/tecnicas-de-respiracao-para-maes-m1455

 

// Exercício físico

Demorei a idade da minha mais velha, sete anos, para conseguir incluir, realmente, uma rotina de atividades físicas na minha vida. Me cobrava muito, mas não conseguia por causa das demandas das crianças, da noite mal dormida porque uma acordava… Hoje aprendi: fazemos o que é possível. E o possível chegou.

 

// Alimentação

Se estou desequilibrada emocionalmente, começo a comer mal. E se como mal, me desequilibro. Bola de neve, sabe? Mês de fevereiro me atrapalhei bastante ao tentar organizar a rotina das crianças. Às vezes parece que nem os astros ajudam, sabe? Resultado: cansaço e emoções desagradáveis acordam a formiguinha que mora dentro de mim. Não sei a sua, mas minha formiguinha gosta tanto de doce quanto de carboidrato. Quando percebi o desequilíbrio se aproximando do prato de comida, parei, refleti, acolhi e mudei o rumo desse cardápio. Voltei aos trilhos. O que, lembre-se, não significa ser xiita. Ao contrário. É que tem algumas coisas que eu sei que me fazem mal, me deixam lesada. Entre elas, carboidrato demais. Tenho uma crença -- que vem da cultura italiana ou resquício da infância -- que o que mata fome é carboidrato, especificamente pão, mais especificamente ainda, de queijo. Estou trabalhando a todo vapor para que essa crença seja quebrada. Farei outras escolhas. E isso é papo pra outro post.

 

// Mindfulness

Já fui a algumas palestras, estou lendo livros e baixei aplicativo sobre Atenção Plena. Acho que é uma prática viável para minha rotina. Tenho muito que aprender, mas a ideia da atenção plena, seus efeitos no cérebro e nas nossas relações soam para mim bastante coerentes.

Atualmente estou lendo Atenção Plena - Mindfulness, de Padraig O'Morain

// Ciclo menstrual

Tenho uma leitura bastante orgânica do meu ciclo. TPM é TPM, não precisa de explicações. No período da ovulação estou feliz, energizada, animada. Observar essas mudanças hormonais e humorais me ajuda bastante a me cobrar menos, me preservar. Claro que não é simples, nem automático. Eu erro. Mas sigo treinando e criando estratégias.

 

// Escrever

Bom, não preciso dizer que escrever me deixa feliz. Tenho meu diário, que não escrevo todos os dias, mas quando tenho vontade. Me faz bem. Me faz parar e ficar comigo. Um hobby.

 

Quero reforçar que isso tudo não é lindo e romântico como as palavras podem fazer você supor. Longe disso. Trata-se de um exercício contínuo. Mas tentar me manter bem sei que vai ajudar a todos ao meu redor. Equilíbrio gera equilíbrio.

Conte pra gente o que vocês fazem?

 

Para quem tem medo de rotina

Por Juliana Mariz

Vem cá, tenho uma confissão a fazer. Estava doida para as férias acabarem. Mas também me arrepia pensar na rotina, no equilíbrio de tudo, no leva e traz, nos prazos de trabalho, na listinha de afazeres, na organização diária. Me dá um certo calafrio. E sei que não sou a única.

Os ponteiros estão passando, mas você pode ler esse texto com calma, tá?!

Os ponteiros estão passando, mas você pode ler esse texto com calma, tá?!

Armar o esquema diário é um perrengue tanto para quem trabalha, é autônoma ou empreendedora. Fiz uma investigação breve no nosso grupo para ver se colhia alguma sugestão ou ideia bacana. O fato é que as escolhas são bastante particulares e feitas para encaixar no estilo de vida de cada família. Mas deu para pinçar algumas dicas que podem servir para todos.

  • organização é fundamental

  • definição do que é prioritário é… prioritário :)

  • optar por uma escola flexível com horários

  • contar com uma rede de apoio (família ou amigas)

  • fazer vista grossa em algumas situações

 

Mas não vou ficar aqui fazendo textão. O mais bacana é ler o depoimento de algumas comadres. Espero que, de alguma forma, ajude você a se organizar e que a correria seja, ao menos, mais divertida.

 

Carina Stadié, arquiteta especializada em terceira idade, mãe do Benjamin de 2 anos

“O que me ajudou mesmo foi a organização. Livros sobre gerenciamento de tempo foram muito úteis. Daqueles de executivos dando dicas de como se esquematizam. É preciso ter muito foco, disciplina de horários, e fazer o que é importante nas primeiras horas do dia. Recomendo deixar redes sociais para a última parte do dia. Não tem milagre, né? Precisamos primeiro entender o que é importante, diferenciar do que é urgente. Categorizar. A leitura foi um divisor de águas para mim ”

Patrícia Zanotti, jornalista, mãe do João, 4 anos

“Eu trabalho em casa e esse ano meu filho João fica meio período na escola até as sete da noite. Eu sempre tive o perfil de render mais a tarde, então de manhã fico com ele: vamos na natação, passear, conversar e aproveitar o tempo. Fico com meu celular e adiantando algumas coisinhas mais simples. Daí almoçamos juntos. Tem dia que é lindo e tem dia que é um terror! Deixo ele na escola e começo a trabalhar o que exige mais atenção, mais foco. Muitas vezes volto a trabalhar depois das 22:00 e horinhas em alguns finais de semana. Ahhh, também estudo para o MBA. Mas consigo conciliar, por enquanto. Na verdade, cada dia é um dia ! Mas estou muito mais feliz assim. Sou de pessoas e não de coisas: João sempre em primeiro lugar.”

Lisa Alves Lima, advogada, mãe da Sofia, 7 anos, e Helena, 3 anos

"Minha rotina é bem puxada, mas sei lá como, sempre dá certo, sempre tem um jeito. Mas duas coisas são fundamentais: ser organizada e ter foco. No trabalho principalmente. Sem distração, sem muita conversa, dou prioridade aos prazos mais importantes, almoço correndo. Chegar cedo é um diferencial. Sempre que meu marido consegue, ele leva Sofia já com Helena no carro e deixa as duas em suas escolas. Nessa eu chego antes das 7hs no trabalho e adianto muita coisa. A parceria com o marido é muito importante. Quando ele está mais folgado, sai cedo e busca as meninas. E com isso eu fico até mais tarde tranquila no trabalho – ele se vira, dá banho, jantar e fica tudo bem. Internet ajuda demais. Presentes de aniversário: compro uns 15 livros no Amazon e faço estoque em casa. Roupa para as meninas, panela nova, comida congelada, quase tudo on line. Não vivo sem o outlook e evernote – absolutamente tudo na agenda, compartilhada com o marido. Arquivos na nuvem  salvam muito – contas digitalizadas, documentos, fotos... Não consigo fazer o Pilates que tanto queria, mas subo e desço as escadas dos 10 andares do meu prédio. É o que tem para hoje. Consigo ler antes de dormir – não muito, mas sempre pelo menos um capítulo. Mas também deixei muitas coisas de lado. Minhas unhas faço em casa depois que todas dormem. Minha irmã pinta o meu cabelo. Não consegui assistir a segunda temporada de Narcos ainda e dificilmente vou ao cinema assistir um filme de adulto. E quando assistimos em casa, dificilmente consigo chegar até o final acordada. Não tenho plantas, nem bichos de estimação. E ainda não consegui voltar para o curso de inglês, é uma meta desde 2012. Também quase não saio para jantar sozinha com o Léo e nossa última viagem sem crianças foi antes da Helena nascer. Mas achamos (Léo e eu) que isso é temporário. As meninas estão cada vez mais independentes, tenho cada vez mais amigos aqui – quando cheguei em SP isso fazia muita falta, já que os parentes estão todos longe. A coisa realmente funciona e está tudo bem."

Daniela Salles, coach e especialista em RH, mãe do Felipe,6 anos, e da Malu, 4 anos

“Eu trabalho quatro manhãs em uma empresa. Na quarta-feira fico mais horas e conto com uma amiga “maetorista” para pegar meus filhotes na escola. Na outras manhãs saio correndo para buscá-los às 13h na escola e deixá-los com minha super ajudante. Aí vou para alguma sessão de coaching, ou mercado, e outras obrigações. Tento sempre estar em casa às 16h para lição de casa e brincarmos com amigos do prédio. É uma ginástica. Quinta é um dia mais light, não vou no escritório e acompanho eles nos esportes. À noite atenção ao marido e hiberno lá pelas 10:30 para as 6h estar pronta para um novo dia.”

Carolina Pasquali, jornalista, mãe da Clara, de 7 anos e da Joana, de 3

“Trabalho fora em tempo integral e ano passado resolvi buscar alternativas para organizar a rotina das minhas filhas de 3 e 7 anos. Escola integral (uma facada!), atividades de contra-turno (e como faz com o leva-e-busca?) … Me convenci de que não dava pra ficar sem ninguém em casa. Então, aqui em casa é assim: tenho uma pessoa, a Cintia, que trabalha das 8h às 16h. De manhã, saio de casa umas 9h, então tomo café com as meninas. Nos dias de natação, levo também. A Cintia dá o almoço e leva pra escola de ônibus. Esse era outro dilema. Táxi todo dia? Do ponto ou do 99? Motorista? Nada funcionava, e acabamos optando pelo ônibus. Elas amam, conhecem todos os motoristas e cobradores, são amigas da D. Cleide, cuja casa fica no caminho do ponto, conhecem os frentistas do posto... Enfim, quando eu estou em casa, várias vezes levo de ônibus também e vou curtindo o vínculo que elas construíram no bairro. Aí, eu ou meu marido nos organizamos para buscar na escola. Sempre. Elas saem às 18h, mas podemos buscar até às 19h. Acho que escolas flexíveis ajudam muito. Enfim, vários dias chegamos tarde, mas elas amam a escola e quando a gente chega, muitas vezes pedem pra ficar mais. Tem dado certo, sem uma super estrutura que não caberia no nosso bolso nem no nosso estilo de vida. Acho um malabarismo sem fim, cansativo pacas, mas vamos levando.”


Cassandra Rudinger, administradora de empresa, mãe do Tiago, 7 anos e da Helena, 3 anos

"Me perguntei ontem como faço para dar conta da casa, marido, filhos, trabalho e de mim. Trabalho fora o dia todo, dois filhos estudando em locais distantes do meu trabalho e de minha casa. Nunca tive babá, somente folguistas e hoje as tenho de 15 em 15 dias. Não temos família em São Paulo. No entanto, tenho um marido super parceiro, com horário mais flexível e que participa muito de todas as atividades com as crianças desde quando eram bebês. Nos dividimos no levar e buscar na escola. Fico com eles pela manhã, fazemos lição, brincamos um pouco, levo na escola. Quando possível eu almoço em casa com o mais velho. A noite fico mais tempo com eles. E é nessa hora, após todo o cansaço mental e físico, que precisamos manter a serenidade e aproveitar ao máximo o tempo juntos. Nada fácil. Aos finais de semana tento passar mais tempo com eles. Além disso tenho a Vanessa que cuida da minha casa e de todos nós. Ela entra mais tarde e fica até eles voltarem da escola. Faço vistas grossas em relação a organização da casa, pois ela não da conta de tudo. E acabei contratando uma pessoa q vem aos sábados para passar roupas. A flexibilidade de horas nas escolas também ajuda muito.”


Erika Eguti Kojo, personal organizer, mãe do Paulo, 7 anos

“Muitas mudanças ocorreram na minha vida desde que Paulinho nasceu. Atualmente, trabalhando como Personal Organizer, minha rotina profissional pode variar muito. Dependendo do trabalho que surge posso precisar me dedicar muito ou pouco, o dia todo ou meio período, aos finais de semana. Meu filho estuda meio período e tem atividades extracurriculares duas vezes por semana na escola. Tento focar meu trabalho nesses dois dias. Nos outros, conto com a flexibilidade da escola que oferece almoço, lanche da tarde e hora "flex " sempre que preciso (isso conta muito). Tenho uma empregada braço direito (4 dias da semana - 7 às 15) e sempre que ela pode, me acode nas horas extras para ficar com o Paulinho. Ela está grávida e logo já não poderei ter a ajuda dela. Sempre saio de casa com plano A estabelecido, mas planos B e C na manga. Não tenho mãe e nem sogros mais. Meu pai e minha irmã moram fora de SP. Se acontecer imprevistos, aprendi que tenho que dar conta. Graças a Deus tenho amigas que sei que posso contar também! As "comadres" que me ajudam nas horas imprevistas. Já passei fases dificílimas tentando equilibrar tudo. Não dei conta de tudo, óbvio, mas fiz o que era mais importante naquele momento. Deleguei muito também. O problema é a cobrança que nos persegue 24 horas por dia de que temos que dar conta de tudo e perfeitamente. Aprendi que isso não é possível. E nem quero para mim.”

Felicidade se encontra em horas de descuido, já dizia Guimarães

Guimarães Rosa escreveu que "felicidade se acha em horinhas de descuido". Amo essa frase. E foi durante a pausa de Ano Novo que descobri que tive muitas horinhas de descuido em 2016. Listei o que me deixou feliz no ano. Uma notícia que li que me arrancou sorrisos, um livro que me arrebatou pra sempre... Quem sabe serve também pra você como um "shot" de inspiração e o pontapé para um 2017 afável? 

 

1 :) 
O Co.madre organizou 19 encontros por onde passaram cerca de 130 pessoas. Caraca, meu.

2 :)
O discurso da Madonna encheu a gente de esperança. Clica aqui  pra ver.

3 :)
Celina Turchi, brasileira que identificou a relação do vírus zika e a microcefalia acaba de ser considerada uma das dez cientistas mais influentes de 2016 pela revista Nature.

4 :)
Fomos assoladas pela febre Ferrante. Os livros da escritora italiana Elena Ferrante foram lançados por aqui e ... cataploft, me arrebataram. O ponto alto é a construção de personagens femininos  Li os três primeiros volumes da tetralogia napolitana (ansiosa para a chegada do quarto) e também o livro "A Filha perdida", onde ela faz um retrato da maternidade com uma profundidade tão cortante quanto verdadeira.

5 :)
Teve ainda o livro de Martha Batalha, "A vida invisível de Eurídice Gusmão". Um retrato claro da construção do papel da mulher na sociedade e o entendimento do porquê precisamos, hoje, lutar por igualdade.

6 :)
Como eu não tinha visto ainda o filme "Mil vezes Boa noite"? Ele é de 2013 e tem Juliette Binoche no papel de uma fotógrafa de guerra e sua tentativa de conciliar profissão e vida familiar. É o conflito carreira e maternidade levada a uma potência enorme. Me fez chorar. Muito. Trailer aqui. (obrigada pela sugestão Angela Klinke)

7 :) 
Essa dica veio da comadre Maira Videira. Ela me apresentou aos lindos vídeos Voe, voa, projeto da atriz Janaína Afhonso. Com uma estética graciosa, a intenção é falar sobre afeto. Toda sexta-feira tem vídeo novo onde ela fala sobre sentimentos, propõe reflexões. Lindeza aqui.

Vamos aumentar essa lista? Manda pra gente coisas boas que aconteceram?

A causa da menina de sardas

Por Juliana Mariz

Existem diversos grupos na internet dando suporte para mães de primeira, segunda, terceira viagem. Alguns focam no equilíbrio entre a vida materna e a produtiva (alô, Co.madre), outros dão dicas mais relacionadas à criança. Há aquele grupo que reúne sugestões de passeios, outro mais voltado para as mães executivas. Não importa o “nicho”. Na maioria dos casos são grupos criados por mães que tornam-se um porto seguro para enfrentarmos essa viagem tempestuosa que é a maternidade. É muito louvável.

Mas há mães que fazem ainda mais. Muito mais. Vou chamá-las de “mães ativistas”. Elas, estimuladas por uma transformação provocada pela maternidade, pegam uma causa para si e tornam-se leoas. São capazes de, efetivamente, mudar a sociedade. Fazem campanhas com objetivos concretos, propõem mudanças na legislação, convocam reunião com entidades etc.

Tive a felicidade de bater um papo inspirador com a Luiza Pannunzio que eu considero umas dessas mães-leoas. Eu a conhecia da internet. Acompanhava seu trabalho como ilustradora e estilista. Gostava de seus posicionamentos, de suas escritas. Minha admiração virtual só me mandava o seguinte recado: “essa moça é deveras criativa”.

Luiza Pannunzio

 

Mãe de Clarice, de 5 anos, Luiza viu sua vida dar um looping quando seu caçula, o Bento, hoje com quatro anos, nasceu com  fissura facial e palatina e sem o canal lacrimal direito. Ela soube do diagnóstico vinte dias antes de parir. E, obviamente, foi pega de surpresa pela notícia e pela falta de informação geral sobre o assunto. Desse turbilhão nasceu o grupo As fissuradas, que reúne 16 mil pessoas no facebook e tornou-se referência para famílias que passam pelo mesmo problema.

Luiza, apesar de duplamente leoa -- ela nasceu sob a regência do signo -- tem uma fala doce e autêntica de onde escorrega, vez o outra, um sotaque do interior de São Paulo.

Nascida em Sorocaba, ela veio para São Paulo para estudar artes plásticas na Faap. Abriu o atelier Luiza Pannunzio na Galeria Ouro Fino há 17 anos. Paralelamente se dedica às ilustrações e a escrever . Seu mais recente livro é "Para ler quando crescer" (Editora Pólen). A seguir, trechos do papo inspirador e emocionante que tive com ela:

 

Co.madre: Como foi a gravidez da sua primeira filha, Clarice?

Eu não queria parar de trabalhar. Vim trabalhar em um dia e ela nasceu à noite. Vem da minha história. As mulheres da família trabalham muito e sempre me orgulhei disso. Quando a Clarice nasceu não tinha muita noção. Agi muito dentro do que se espera. Já tinha vivido tudo muito intensamente até ali. Já tinha casado, descasado, sofrido. Aí encontrei Caetano (Caetano Caruso, seu marido) e quis muito ter um filho com ele. Em três meses engravidei. Quando ela nasceu as pessoas falavam: “Nossa, ela é perfeita. E eu falava: claro que ela é perfeita.” Eu não imaginava o que estava por vir.

Co.madre: Uma experiência totalmente diferente com Bento, né?

Soube do problema 20 dias antes de parir. Quando ele nasceu eu não sabia por onde começar. Foi uma notícia que atingiu toda a minha família. Eu fiquei apreensiva, mas senti como aquela imagem do dominó desmoronando. A família toda ficou desesperada. As pessoas têm dificuldade de aceitar um problema na sua vida. E eu vi isso na minha casa. O Bento era o neto homem. Então com a doença ele já foi posto como um homem frágil. Mas ele é forte pra car... (piiiiii). Mas aceitar a diferença foi difícil pra família toda. A gente vem de um mundo tido como muito perfeito, onde todos estão prontos. E aí a gente vem e fala: ‘não, as coisas não são assim’. Nós estamos ainda nos tornando algo. As pessoas preferiam que tudo viesse pronto. Junto a toda essa questão emocional tinha a total falta de informação. Tanto que metemos os pés pelas mãos porque fizemos uma cirurgia precoce. Depois fizemos outras duas para arrumar a primeira.

Co.madre: Quando resolveu criar “As Fissuradas”?

Quando Bento estava resolvido. Ou seja, quando ele tinha um céu da boca e estava se alimentando. Ele tinha um ano e oito meses. A falta de informação era impressionante. A página teve um ganho de público grande porque tinha demanda. Começou com alguns depoimentos. A gente passou a sair em alguns lugares. Mas há sempre muita dificuldade em falar do assunto em qualquer veículo porque não é aquele padrão do "bonito e perfeito." 

Co.madre: Te impressionou a falta de informação geral sobre o assunto né?

Não tinha ninguém que me orientasse. Meu obstetra falou: “Eu nunca tive um caso desses. Que bom que você já teve a Clarice, que é perfeita.” Ou seja, nem os médicos tinham ou têm informação. Quando nasce um bebê com má formação crânio facial, que podem ser inúmeras, há um pânico nos hospitais. Não sabem o que fazer. Já colocam sonda na criança pra ele se alimentar, mas se for uma fissura simples não precisa de sonda. A formação profissional é falha. A mãe consegue chegar até nossa página porque o próprio hospital indica. Agora preciso focar no profissional. 

Co.madre: Na prática, como o grupo de apoio atua?

Tenho seis mães que me ajudam voluntariamente a atender as demandas. E tenho também uma fonoaudióloga que se dispôs a responder questões mais técnicas. Ela orienta quais caminhos a serem tomados e envia os pacientes para os centros do HRAC - USP, hospital especializado de Bauru. Estabelecemos uma forma de trabalhar, o que preciso ler elas me marcam, encaminham pra fono etc... Organizamos campanhas, como a de recolhimento de bombinhas elétricas para as mães tiraram leite para o filho que está na UTI e doamos para o Hospital das Clínicas. Também organizamos encontros para nos reunirmos pessoalmente. Vendo sacolas de tecido para reverter o dinheiro.... 

Co.madre: Como está o Bento hoje?

Quando Clarice nasceu eu criei a personagem "Bebê da cabeça quadrada" porque ela tinha uma cabeça quadrada mesmo (risos...). Foi uma forma de me comunicar com as pessoas porque a maternidade me tirou pessoas. Eu estava sempre rodeada delas e encontrei esse jeito, o desenho e a escrita, para continuar me comunicando. Quando o Bento nasceu eu vivi esse turbilhão mas ele quis ser protagonista e ter uma história própria. Ele não tem o canal lacrimal direito. Não sabemos se ele vai ter. Depende de um monte coisa: umidade, poluição. Ele sabe que ele tem uma coisa diferente das pessoas. Ele tem esse olho direito mais caidinho. Ele é todo tortinho pra direita, mas ele está aprendendo a lidar. Ele tem um olho que fica com uma bola de secreção e ele já sabe limpar. Nós ensinamos. E, então, criei o personagem "O menino que não sabia chorar." 

Co.madre: Como é pensar no futuro do Bento? 

Penso muito em bullyng. E sofro diariamente. Ele está há seis meses na escola. Acho que destes seis meses, fiquei quatro com ele dentro da escola (risos). É muito difícil. Eu acho que ele vai sofrer. Porque eu vejo os depoimentos dos adultos no grupo, são pessoas que sofreram demais. Eu queria muito poder pular a adolescência. Quero amenizar. Eles falam diferente, eles são diferentes. podem ter problema de audição, de fala. Como preparar uma criança para viver numa sociedade que valoriza tanto certos padrões? O bacana é que ele tem humor. Desde pequeno ele falava algo, se a gente não entendia, ele fazia uma graça, todos riam. Ele tem isso a seu favor. Ele usa a dificuldade dele com graça e passa meio despercebido. Mas a gente sofre muito. Mas o problema não é o Bento, mas as crianças com problemas piores que o dele. Precisamos cuidar dos outros.

Co.madre: O que você deseja para "As fissuradas"?

Eu não vejo outra saída para o mundo senão essa de nos ajudarmos. Não sou admirável. Isso é natural para mim. Mas eu queria plantar isso nas pessoas. Eu preciso de ajuda. E eu estou perdendo. Estou com uma criança em Pirassununga com quatro meses que não conseguiu um neurocirurgião. O que eu e meu marido fazemos para o Bento tenho de fazer pelos outros. Não dá pra ficar resolvendo só o meu problema.

Co.madre: O que ajudaria?

Que um neuro que veja minha página fale: traga a criança aqui. Porque os funcionários do HC não fizeram a campanha em relação ao banco de leite? O problema das pessoas é que elas estão lá sentadas. Eu luto, não dá mais pra esperar, tem de ir lá e fazer. Vamos resolver. Vamos amenizar os problemas dos outros? Não preciso de dinheiro. Preciso que a sociedade olhe para esse formato.

Co.madre: Você se considera uma mãe ativista?

No meu caminhar as coisas são sempre muito sentidas. Eu não tenho consciência de tudo o que promovo. Tenho necessidade de provocar uma mudança porque não me conformo de resolver só o meu. Mas não fico pensando, calculando. Eu simplesmente sou assim. Vejo o mundo dessa forma. Eu estava passando por muita dificuldade, criar "As Fissuradas" foi uma forma de eu sobreviver. Eu fui cada vez mais me preocupando com a história do outro, mas não me acho especial por isso.

 

 

 

 

 

Mães de obra: Adriana e suas três meninas

Mães de Obra, de Camila Mendonça e Juliana Mariz, é um projeto que fotografa a rotina de uma mãe com o filho. São mães empreendedoras ou autônomas que se desdobram para conciliar carreira e maternidade. Queremos chamar a atenção para este aspecto e atrair olhares empáticos para essa mulher-mãe.

A personagem da vez é a arquiteta Adriana Bersou Ruão que, quando tornou-se mãe, resolveu empreender com a amiga Adriana Albuquerque. Elas fundaram a Panonacama, uma marca de roupas de cama para crianças. 

Adriana rodeada por Marina, Isabel e Gabriela

Adriana rodeada por Marina, Isabel e Gabriela

 

Saudade é pra quem tem, já diz a música de Marcelo Camelo. 

E mães têm de sobra. 

Mas é doído esse relógio no pulso da mãe. 

Ele marcava a hora da mamada. Agora ele marca a hora de buscar na balada.  

O minuto que aconteceu esses cliques já foi. As meninas de Adriana cresceram. 

Mas elas seguem deitando juntas na mesma cama. Brincando, rindo e jogando o travesseiro. 

Mães e filhas tentam fazer o relógio parar.  Dobrando o lençol. Falam sem parar.

Adriana olha embevecida. Leva a mão ao fronte, como um aconchego para contemplar.

Dá um leve suspiro. Daqueles quase silenciosos. 

Sim, é ela, a saudade que acaba de passar. 

TEXTO | JULIANA MARIZ  FOTO | CAMILA MENDONÇA

Quer ver mais? Mães de obra: Bárbara e Irene

Quer saber mais sobre o projeto Mães de Obra? Mande um email para oi@comadre.me

 

 

 

No caminho havia um propósito

Por Juliana Mariz

Se houvesse um ranking das palavras mais pronunciadas em 2016 acho que PROPÓSITO estaria entre os top 5. Vivemos a era do “fazer com propósito”. De tempos em tempos circulam convites para bate-papos sobre o assunto. Ou então, pula na minha timeline alguém oferecendo macetes para encontrar o dito-cujo. Há livros, textões, textinhos, resenhas… Até mesmo em uma recente Consultoria Coletiva que participamos o tema foi discutido intensamente.

Daí que fiquei pensando no assunto. Afinal, o que é propósito? Por que precisamos dele? De onde vem, para onde vai? Essas e outras reflexões desencadearam algumas conversas com pessoas que trabalham com isso e outras que estudam e pesquisam. E esse bololô todo rendeu essa sopa de letrinhas aqui. Espero que gostem.

 

De acordo com Mário Sérgio Cortella, a palavra propósito, em latim, carrega o significado “daquilo que eu coloco adiante”. “Uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço”, escreve Cortella no livro “Por que fazemos o que fazemos.”  

Segundo Alexandre Teixeira, jornalista, autor do livro Felicidade S.A., “propósito é algo intuitivo. É encontrar um significado para o trabalho que vá além do salário no final do mês. No melhor cenário, pode ser uma causa. Mas muitas vezes é simplesmente sentir que o esforço e o tempo que você dedica a uma atividade fazem sentido, têm algum impacto”.

Alexandre estuda a evolução da nossa relação com o trabalho e alimenta um site super bacana sobre o assunto. Para ele, propósito é uma das duas demandas mais importantes do trabalhador contemporâneo - sobretudo dos mais jovens. “A outra é pertencimento, fazer parte de alguma coisa que seja maior do que nós mesmos, ter prazer de fazer parte de uma equipe quando a gente sente que todo mundo no time está remando numa mesma direção. Propósito é o anseio que nós também temos de que essa direção seja virtuosa e tenha um impacto positivo sobre as pessoas que a gente atende, as comunidades onde a gente atua, a sociedade em geral.”

Luciana Kimi, facilitadora de processos de inovação na empresa Thempero e terapeuta especialista em ayurveda, entende que o caminho do propósito é o único capaz de nos deixar em harmonia e saudáveis. “Todos nós nascemos com um propósito e viemos vivê-lo nessa vida. Como não somos ensinados a nos olharmos internamente acabamos perdendo o contato com nossa essência. Somos treinados desde pequenos a nos movimentar através do desejo do outro e não por nós mesmos. Abandonar ensinamentos e crenças que ouvimos de pessoas próximas, como pai e mãe, reflete diretamente no negócio, na empresa e nas relações que cultivamos.”

O fato de estarmos discutindo o tema, mesmo que seja na mesa de bar, deve dizer algo sobre o momento pelo qual passa a nossa sociedade. Apesar de rejeitar rótulos, Alexandre se rendeu e chamou esse momento de “ideologia do propósito.”  “Talvez a gente esteja falando muito disso no trabalho e nos negócios porque está tudo muito focado no dinheiro, e as pessoas estão cansadas disso. Mas desconfio de mudanças que a nossa sociedade vive. Penso que são mais as mudanças que a nossa sociedade gostaria de viver. Porque, convenhamos, até agora mudou muito pouco. A geração Y colocou essa ideologia no espírito do tempo. Quem não fala esta língua hoje, soa velho”.

A consultora Alessandra Figueroa acha que o mérito é, exatamente, das novas gerações. “A sociedade está em transição. Valores como empatia e ética estão em alta. Trabalhar por trabalhar está sendo questionado pelos mais novos. Além disso, conceitos como colaboração e nova economia também estão em alta e acionam essa ideia da vida fazer sentido com algum propósito”, afirma. Alessandra e a sócia, Elisa Motta, fundaram a Engenho, empresa que ajuda pessoas a se reconectarem com seu propósito. 

Eu, pessoalmente, acredito que trabalhar em prol de um propósito faz as coisas fluírem mais. Do contrário, não teria criado o Co.madre tampouco feito jornalismo. Quando, aos dezessete, dezoito anos, me inscrevi no vestibular de Comunicação tinha algo em mente: mudar o mundo. Eu achava que com o jornalismo poderia conseguir fazer a diferença na vida das pessoas. Esse era o meu propósito e, por um certo tempo, acho que consegui realizar um tiquinho desse sonho porque trabalhei em veículos que me deram essa oportunidade. Mas aqui acho que estou confundindo propósito com vocação, não?

Vamos esclarecer. “O propósito te guia em direção a sua vocação. A vocação permite que tudo o que você tem de melhor, seus talentos e aptidões, sejam utilizados para realizar seu propósito”, opina Alessandra“A vocação é da sua natureza, não se altera. O propósito é a intenção deste talento, como se fosse um objetivo, um fim para esta vocação”, completa Elisa.

No duelo entre vocação e propósito, Alexandre Teixeira lembra da expressão “empreendedorismo por vocação.” Enquanto fazia entrevistas para seu segundo livro, “De dentro pra fora”, ele ouviu a seguinte frase de um dos personagens: “cada um, afinal de contas, enxerga no mundo aquilo que tem vocação para enxergar.” Alexandre concluiu, então, que vocação é um impulso mais natural, uma visão de mundo. Enquanto propósito é algo mais circunstancial, algo que atribui significado. “Para me usar como exemplo, eu diria que tenho vocação para o jornalismo. E que hoje o meu propósito é ajudar pessoas físicas e jurídicas a atuar com mais propósito, por meio da produção e da disseminação de conteúdo com base em ferramentas jornalísticas. Nesse sentido, o ideal é que a vocação esteja a serviço de um propósito”, diz Alexandre.

Muitas pessoas não conseguem aderir ao movimento da vida com propósito justificando as “contas a pagar”. Obviamente que esse obstáculo existe para aqueles que precisam correr atrás do básico para viver. Por outro lado, há muitas pessoas questionando o estilo de vida que produz para consumir e acumular. E para essas cada vez mais faz sentido ter uma razão para sair da cama na segunda-feira. Segundo Elisa, estamos ainda vivendo uma transição.  “Viver no propósito precisa e deve ser sustentável. É um processo, quanto mais pessoas buscarem seus lugares no mundo, mais a roda vai girar, mais gente vai buscar, mais sentido faz e mais gente ganha.”

Vejo que uma grande dificuldade das pessoas é materializar o dito propósito. Ou seja, colocar em prática a sua essência, a sua autenticidade. De nada vale ser apenas algo etéreo ou a frase colada no post it em cima da mesa de trabalho. Em sua coluna mensal na revista Cláudia, a jornalista e estudiosa do comportamento feminino Cynthia de Almeida bem resumiu o dilema: “Nenhuma geração resolveu a equação. Millenials: não basta ouvir o coração, é preciso concretizar a aspiração. Geração X e Boomers: não basta cumprir o que os outros esperam, é preciso fazer o que se aproxima do próprio desejo, ter clareza de sua essência.” E, então, em qual fase dessa encruzilhada você está?

Branding da gentileza

Por Juliana Mariz

No dia 19 de setembro tivemos um encontro com Karina Arruda, sócia da consultoria em comunicação e negócios Inspiral. Formada em jornalismo, Karina desviou a carreira para o marketing e trabalhou em grandes empresas como a Motorola, Tim e Gazeta Mercantil. Em uma temporada no exterior, estudou coolhunting e filosofia contemporânea. À frente da Inspiral, ela realiza estudos profundos  para inspirar decisões.

Empreendedora cheia de energia, ela é capaz de virar noites para finalizar uma apresentação que pode fazê-la conquistar uma conta. Ou manda cartinha gentil pedindo encontro com potencial cliente para expor ideias. Com um otimismo contagiante, bota fé nos empreendedores, mas foge das fórmulas mágicas para se chegar ao sucesso.

Num papo informal, ela me contou sobre esse conceito de "Branding da Gentileza" e o quanto ele poderia contribuir para mudarmos paradigmas de como fazemos negócios. "O novo empreendedorismo é muito autoral, portanto, muito capaz de criar ações que nada mais são cuidado com os detalhes, com a comunicação", disse Karina. 

As estratégias, que passam longe dos manuais dos gurus, seriam bastante adequadas para os negócios das comadres. Resolvemos, então, fazer um encontro para que ela pudesse expor essas ideias. Criar negócios, falar com o cliente, vender serviços ou produtos todo mundo faz. Mas com gentileza são poucos.

A seguir, uma pincelada sobre o "Branding da Gentileza" discutido no nosso encontro:

 

1. Gentileza é empatia - vamos olhar para os outros com maus cuidado? Para os outros = cliente, parceiro ...

2. Gentileza pede licença - não seja invasivo. Propaganda por whatsapp, por exemplo, é desagradável.

3. Gentileza cria redes - não há problemas de você falar com outras pessoas do seu negócio, trocar ideia. No mundo corporativo, a reserva de informações é comum e só atravanca os negócios. Compartilhar faz a gente se conectar, se apoiar. Se essa rede não existe, o negócio também não.

4. Gentileza ensina reciprocidade - quando você se comunica gentilmente com um cliente, você o desarma e ainda mostra que esse caminho é possível.

Karina deu um exemplo bastante interessante sobre essa ideia de que o novo empreendedorismo compartilha conceitos, divide segredos.

Trata-se do Brownie do Luiz, marca carioca que fabrica o doce embalado em latinhas simpáticas. Eles divulgaram nas redes sociais a receita e incentivaram os consumidores a fazerem o doce também. Foi uma enxurrada de fotos e menções à marca. 

Veja aqui

Outros exemplos de gentileza ? Uma cartinha escrita a mão, personalizar uma embalagem, abraçar uma causa e, sobretudo, simplesmente fazer o que é certo.

Vamos colecionar histórias de marcas que atuam com gentileza?

Se souber de alguma, mande pra gente: oi@comadre. me

Humanidade em mim

Por Juliana Mariz

O Co.madre mora no virtual, mas é a coisa mais pulsante, quente e viva que já experimentei na vida. É sobre encontro de pessoas, objetivos, ideias. É troca. Na maioria das vezes, regada a café.

Semana passada me encontrei com Raquel Muller, executiva de marketing de Molico, marca da Nestlé, em um desses cafés da cidade. Fomos conversar sobre a nova campanha do leite Molico, batizada de Humanidade em Mim.

Historicamente voltada para o público feminino, a comunicação da marca estava suspensa desde 2014. Nada de comerciais, anúncios, vídeos. A retomada exigiu uma ampla reflexão sobre o que fazia sentido falar num momento de tantas mudanças como o que vivemos.

“A mulher acumula papéis e isso não é sustentável. Ela vive fazendo acordos ‘invisíveis’. Quando chega ao trabalho, tem que agir como se não tivesse família. Quando chega em casa, tem de dar conta de tudo para que ninguém perceba que ela trabalha. Com isso ela está exausta e refletindo sobre seu papel social. Não queríamos reforçar nenhum estereótipo,” afirma Raquel. A equipe, então, resolveu parar estudar, pesquisar e refletir. E contratou a consultora Camila Holpert, do Studio Ideias, para liderar esse processo.

Foram dois anos e algumas pistas.  A equipe entendeu que existem valores  confinados à intimidade que são associados às mulheres por causa do seu papel histórico.

Ou seja, valores como cuidado, acolhimento, confiança, lealdade e empatia, entre outros, são relacionados ao feminino não por uma questão de gênero, mas por estarem confinados à intimidade. E historicamente a mulher quem ocupou (ou ocupa) o espaço íntimo e privado na sociedade. Esses valores são humanos e precisam ganhar as ruas, os ambientes de trabalho, as relações interpessoais. É dessa forma que, acreditam, conseguiremos mudar a sociedade.

O resultado dessa reflexão está expresso no site o valor do feminino e na série de 12 mini-docs batizados de “Humanidade em Mim”, produzido pelo coletivo Asas. São doze histórias reais escolhidas depois de uma seleção de 500 pessoas.

Puxando sardinha para o Co.madre e para os assuntos que abordamos, vale a pena assistir ao depoimento do jornalista Ivan Martins. Seu discurso calmo e pausado sobre a paternidade é tocante. "A paternidade é um exercício dos valores femininos", reflete Raquel. 

Mas todas as narrativas emocionam porque abordam histórias de homens (na maioria) e mulheres com profundidade. Fala-se sobre as significativas lições que a vida traz.  É sobre olhar pra si e mergulhar internamente. São reflexões sobre valores e virtudes. Os depoimentos propõem o resgate de emoções que estavam no recanto e que agora emergem. Para nunca mais voltarem pra dentro de casa. 



 

 

 

Percurso Agilizando seu negócio

um conteúdo para pequenas grandes empreendedoras
 
 
 
O Co.madre organizou cinco palestras que vão ocorrer ao longo do semestre para ajudar você e seu negócio. Consultamos diversas comadres para pensar conteúdos  e ferramentas bem direcionadas às pequenas empresas.

 

O conteúdo aborda: posicionamento de marca, comunicação, vendas, newsletter e peças publicitárias. Mas sempre com um olhar mais adequado às pequenas grandes empreendedoras.


 

SERÁ QUE É PRA VOCÊ?

 

  • você tem um pequeno negócio ou serviço?

  • quer alavancar os negócios sem investir um caminhão de dinheiro?

  • precisa dominar ferramentas para conquistar mais autonomia?

  • gosta de trocar ideias com outras pessoas que estão no mesmo barco?

 

Se disse sim, então seu lugar é aqui. Continuemos....

PROGRAMA

 

1.

Um novo branding: das grandes estratégias às pequenas gentilezas - Com Karina Arruda

Data: 19 de setembro

Local: Sala de reunião da Inspiral (Rua Alvorada, 1289 - cobertura)

Karina Arruda não acredita em fórmulas mágicas. Nem para emagrecer, nem para cair de amores por alguém, tampouco para cuidar de uma marca. Esqueça a ditadura dos gurus do marketing. Ela aposta em um caminho muito mais humano, com reflexão, bom senso e gentileza. Dona de um portfolio parrudo, ela cuida dos seus clientes por meio de um método inovador, que trouxe de seus estudos mundo afora. Com essa perspectiva, ela conseguiu resultados satisfatórios para clientes. E aí que vem o pulo do gato. Ela vai dividir esse conhecimento com a gente. Sai magia e entra alma. Algo que você pode também fazer na sua empresa.

Inscrição aqui

 

2.

Beijinho, abraço e aperto de mão - você pode se apresentar bem melhor que isso

Elisa Motta e Alessandra Figueroa

Data: 03 de outubro

Local: Cake Market (Vila Madalena)

E vamos discutir como podemos apresentar o que fazemos com autenticidade e segurança.

Muitas vezes ficamos reticente quando alguém pergunta nossa atividade. Engasgamos, demoramos para responder.

Mas esses minutinhos de papo valem muito.

Ter uma resposta autêntica na ponta da língua vai fazer muita diferença. A pessoa ficará curiosa e interessada.

Ok, ok. Mas como faz?

Elisa Motta e Alessandra Figueroa, que estão à frente da Engenho, vão nos ajudar. Elas trabalham exatamente com isso.

Com propósito,  post it, palavra, essência, mais post it, frase, fala. E fala de novo.

Daí, quando você se deparar com a pergunta fatídica, prepare-se. Olhos vão brilhar. E se vc não ganhar um parceiro ou cliente com certeza vai conquistar muita admiração.


O que vai rolar:

  1. Jogo de Perguntas e Respostas

  2. Roda de apresentação criativa

  3. Porque eu faço o que faço?

  4. Como posso ajudar pessoas?

  5. Finalização e feedback

 

Inscrição aqui
 

3.

Aprenda a fazer peças de comunicação arrasa-quarteirão

Com Camila Haddad e Giovana Camargo

Data: 24 de outubro

Local: Cake (Vila Madalena)

Autonomia é um princípio importante para pequenas empreendedoras. Não precisamos abraçar o mundo de uma vez, mas ter independência para fazer uma coisinha ou outra é importante. Fazer uma arte, um convitinho, um teaser sozinho é, podem acreditar, libertador. Esquece paintbrush (what ?). Vamos conhecer o Canva, ferramenta fácil e bem amigável com as feras Camila Haddad e Giovana Camargo. A dupla, fundadora do Cinese, utiliza ferramentas digitais como ninguém e têm noções estéticas e, mais importante, do que dá clareza à comunicação. À frente do Cinese, organizaram muitos encontros. Elas sabem muito bem o que funciona, entendem?

Sobre Giovana Camargo

Criadora do Cinese e da Comum, Giovana cultiva muito bem uma comunidade, lidera movimentos colaborativos e é mestre em bolar encontros relevantes. Em sua consultoria, dedica-se a alavancar projetos para mulheres. Estuda e divulga a comunicação não violenta e o feminismo. E é dona de um abraço dos mais gostosos já vistos por aí.

Sobre Camila Haddad

Administradora de formação, mestre em meio ambiente e desenvolvimento sustentável, Camila é expert em economia colaborativa e uma grande estudiosa da inovação em Educação. Fundadora do Cinese, ela acredita no aprendizado com pessoas. Cinema, bolo de fubá e café também arrancam seu sorriso.

Inscrição aqui

4.

Aprenda a fazer uma newsletter

Com Anna Haddad

Data: 7 de novembro

Local: Cake (Vila Madalena)

A comunicação por email tornou-se hoje uma ferramenta importante para chegar a clientes e parceiros. E, o melhor, é de baixo investimento.  Anna Haddad faz uma das newsletter mais lidas por essas bandas. As palavras são sua arma para expor o que pensa tanto no Cinese quanto na Comum, ambas iniciativas fundadas por ela. A gente também pode tirar proveito desse recurso e ela vai nos dar o caminho das pedras pra chegar chegando na caixa postal da audiência.

O que vai rolar:

  1. O que é uma newsletter (a importância da comunicação por email)

  2. Como a newsletter pode ajudar sua marca, negócio ou projeto

  3. Objetivo: linguagem, estética, frequência (projeto editorial, pilares da comunicação, conversão pra vendas)

  4. Dicas para angariar assinantes: relevância, o que eu ofereço além dos meus produtos, conteúdo importante.

  5. O que não fazer

  6. Plataformas: mailchimp (ferramentas básicas)

  7. Análise dos resultados

  8. Montando uma newsletter: peça prática e retomada do aprendizado do dia

  9. Monte a sua: se der, na aula - se não, leva pra casa de lição (e tira dúvidas em casa)

Sobre Anna Haddad

Advogada de formação e jornalista de coração. Escreve para vários veículos e no Medium sobre gênero, novos negócios e educação. Acredita em novas estruturas, mais horizontais e humanas.

Inscrição aqui
 

5.

Vender é uma arte

Com Taty Stahl

Data: 28 de novembro

Local: Cake (Vila Madalena)

Precisa vender um produto? Um serviço? Um projeto? Essa é pra você.

Taty Stahl vendia lapiseira para as amigas da escola quando tinha sete anos. Sabe quando a pessoa nasce com a aptidão para o comércio? Ela é assim. Cresceu em berço empreendedor e aprendeu muito na prática. Trabalhou na empresa da família e montou outra com o marido. Fez muitos cursos. E resolveu seguir seu propósito: ajudar outros na incrível arte de tocar seu próprio negócio à frente da Conselhos e Ideias. Só que ela esconde uma “surpresinha” em sua formação. É graduada em Artes. E que diferença isso faz? A forma como ela lida com conceitos. Com as artes ela aprendeu a explorar inúmeras possibilidades dentro de um mesmo contexto. Não estamos dizendo que vamos aprender a vender desenhando ou pintando. Mas que ela nos faz conduzir a arte da venda de uma forma muito mais sensível, conectada e, portanto, eficaz.  

O que vai rolar:

1- Introdução e apresentações

2- Vamos conhecer o "Golden Circle", sistema que muda as “ordens” das coisas e leva propósito e inovação às empresas

3- O que é o processo de vendas

4 - Qual você escolhe: vendedor chato x vendedor legal  

5. Como ser um vendedor “inesquecível”

6 - Finalização  


Inscrição aqui