Pelos direitos dos meninos

Reproduzimos a seguir texto da jornalista Silvia Amélia Araújo:

 

 

"Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minissaia

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível!

Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz. O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda."

Ela ajuda a construir negócios com autonomia e simplicidade

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Giovana Camargo é pessoa que abraça. Não importa se te conhece há um dia ou vários anos ela vai te receber com um abraço gostoso. No encontro com as pessoas ou no texto que escreve, ela vai se comunicar sempre com afeto. Se fala de educação ou de igualdade de gênero, leva um olhar-gentileza que faz a diferença em tempos de discursos polarizados e raivosos. (Melhor exemplo disso: esse textoaqui escrito por ela.)

Depois de estudar gestão ambiental, ela desvendou caminhos na educação até fundar o Cinese, em 2012. Hoje se dedica ao empoderamento feminino com a plataforma Comum e auxiliando outras mulheres a empreender. Ela e Camila Haddad estão ajudando o Co.madre a virar gente grande. A seguir, a terceira entrevista da série “pessoas importantes para o Comadre em 2015”.
 

Comadre: De que forma você acha que pode ajudar as mulheres em seus projetos e propósitos?

Acredito que desenvolver autonomia é fundamental no processo de empoderamento. Saber desempenhar e cuidar do seu próprio negócio, sem precisar criar grandes estruturas e complexidade. É nisso que ajudo as mulheres: a cuidar dos seus projetos com mais autonomia e simplicidade.

Co.madre: Você acha que as mulheres, por causa de sua natureza, estão mais acostumadas ou preparadas para viver em rede e a se envolver com projetos colaborativos?

Acho que todos somos e fomos educados para determinadas tarefas, qualidades e dinâmicas  sociais.  Como nós, mulheres, fomos educadas para sermos mais compassivas, acolhedoras, focadas no outro (qualidades ditas maternas) talvez tenhamos, sim, mais facilidade em conviver em espaços e ambientes colaborativos.

Co.madre: Na sua opinião, qual é a principal boicote ou empecilho que a mulher encontra e que a impede de, de fato, empoderar-se?

Acho que existem vários. Socialmente, as mulheres precisam ser três vezes melhor que o homem para ganhar o mesmo reconhecimento. Existem estruturas sociais que dificultam  a ascensão da mulher na carreira e nos negócios. No geral, as mulheres empreendem pra suprir uma necessidade pessoal ou social e só depois vão pensar em como seus negócios podem ser monetizados. Não acho bom ou ruim, mas acho que isso pode atrapalhar um pouco o desenvolvimento dos projetos em longo prazo. Não ter em mente várias possibilidades de como isso pode dar retorno financeiro. Além disso, falta uma rede de apoio às mulheres, espaços que possibilitem que elas investiguem suas vontades e desejos reais e coloquem isso no mundo, espaços que proporcionem ferramentas práticas e subjetivas para que elas arrisquem, testem e se descubram. Empreender, acima de tudo, é uma jornada de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal.

Co.madre: Você empreende com o Cinese e com a Comum. Qual o maior desafio nesse caminhar?

Construir laços fortes nessas comunidades e unir esse trabalho, com propósito, ao retorno financeiro para quem está diretamente envolvido.

Co.madre: O que achou de 2015 e o que espera de 2016?

O ano de 2015 foi muito desafiador, trouxe muitos aprendizados, mostrou vários caminhos para não seguir. Isso trouxe mais clareza para escolhas que farei em 2016. Espero que esse ano seja de muito trabalho, colheita, prosperidade, cuidado com o que realmente importa. Que traga um pouco de respiro né?

Co.madre: O que você diria para uma plateia lotada de comadres, ou seja, mães que tentam se equilibrar entre a maternidade e a vida produtiva?

Para cuidarem umas das outras, se apoiarem. Não precisamos lidar com tudo sozinhas, podemos compartilhar nossas questões, aprendizados, e necessidades. Precisamos estar mais juntas, nos encontrar, cuidar de nós. Cuidar uma das outras, esse é o mantra.