5 dicas básicas de escrita

Empreendedores têm uma gama enorme de cursos, workshops, aulas, palestras, consultorias para ajudá-los em seus projetos, negócios, empresa. Investem tempo e dinheiro cercando-se das principais ferramentas para minimizar erros e riscos. Perfeito. Assim que deve ser. No entanto, pecam em algo simples que pode colocar tudo a perder: a escrita.

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Não estou nem falando da estratégia de comunicação. Estou voltando ao básico: o bom uso das palavras. De nada adianta carregar o Canvas debaixo do braço ou ter o pitch na ponta da língua se na hora de escrever uma apresentação, um post ou um email, que seja, a mensagem está truncada. O seu texto também faz parte do seu branding.

Vivemos, atualmente, no modo acelerado. Tudo é pra ontem. Muitas vezes, nem é, mas nos sentimos sempre na urgência, em débito, correndo . E então as palavras saem como cuspidela. Não pode. Senta e respira antes de escrever para convidar aquele potencial cliente para um café. Pensa nas palavras certas quando for se apresentar em um grupo no facebook. A escrita conecta. A escrita emociona. E diz muito mais sobre você (e seu negócio) do que você pode imaginar.  Seguem cinco dicas básicas:

 

1.

CLAREZA

Primeiro pense qual a mensagem quer passar. Isso é o primordial. Não importa se é uma super apresentação ou se é apenas um email convidando alguém para uma reunião. As informações básicas são as mais importantes. 

 

2.

CURTO

Se a ideia não é escrever um artigo, não se alongue. Manja o “encher línguiça?” Fuja.

 

3.

AUTÊNTICO

Você tem um jeitinho só seu, sua marca também. Como traduzir essa  expressão única em palavras? Enconte sua voz. Ela é só sua.

 

4.

SEM PEDANTISMO

Cuidado com o auto elogio exagerado. Não confunda confiança e auto estima com arrogância.

 

5.

SEM SE APROPRIAR DE EXPRESSÕES NADA A VER COM VOCÊ

A internet é fértil em produzir gírias e expressões da moda. Se essas expressões não têm nada a ver com você, não use.

Manifesto 2018 - um pouquinho sobre quem somos e pra onde vamos

Oi, Comadres, Ju Mariz falando.

Um esboço do que seria o Co.madre surgiu quando me tornei mãe, em 2010. A maternidade me trouxe inseguranças, angústias, medos, desafios, quilos a mais, sono e uma incrível compaixão pelas mulheres que estavam na mesma situação que eu. Havia os aspectos emocionais, mas também os práticos: como conciliar tudo, como organizar a infra, como cuidar da carreira, como tocar os projetos…  

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Criação do nome, grupo no facebook, projetinho num pedaço de papel e primeiros textos aconteceram em 2013. Imaginava que seria apenas um lugar onde pudéssemos postar conteúdo e trocar ideias. De repente, estava encarando o Co.madre como empresa. Ousava até dizer que eu era empreendedora. O fato é que com isso fui atrás de cursos, pessoas, autoconhecimento. Se o Co.madre acabasse hoje -- buáááá -- garanto que o processo que vivi e tenho vivido já teria valido super a pena.

Quando olho para trás vejo como o Co.madre evoluiu e como eu evolui. Desde 2015 minha irmã, Fernanda, é minha parceira na empreitada. Não só isso que mudou, óbvio. A trajetória do Co.madre segue uma evolução conceitual. Lá no começo eu achava que a grande questão a ser resolvida era a de ajudar a mulher-mãe a equilibrar maternidade e carreira para ela ser mais feliz. Engano. Esse equilíbrio não estava apenas nas mãos dela. A maternidade não é uma questão restrita à mulher. Sociedade, poder público, empresas, o companheiro (a) fazem parte desse cenário. Não dá para excluir nada. Vamos mirar nossa artilharia em tudo isso com as ferramentas que temos em mãos: encontros, postagens, textos, palestras, rodas de bate papo, e-books.

Mas o verniz do Co.madre é a empatia, o acolhimento, a compaixão. É dessa forma que conseguimos fluir. Nossa intenção é fazer projetos que acolham mães. Criar uma roda de conversa sobre carga mental ou um workshop sobre finanças pessoais vai ajudar, de alguma maneira, essa mãe? Ótimo. É isso que faremos.

Então, segue aqui um apelo. Se você acha que faz sentido pra você, que, de alguma forma, o que escrevi "cola" nos seus anseios, vem com a gente. Estamos no virtual -- com site, grupo no face, instagram, newsletter -- mas adoramos um olho no olho. De preferência com bolinho e café. ;)

Nossa espinha dorsal é essa aí. Mas a vida é fluida. A gente constrói juntas, muda a rota, pega atalho e está entusiasmada com o que 2018 nos reserva.

# Seguiremos com a Consultoria Coletiva, nosso projeto que ajuda mulheres a empreender dando "inputs" e insights. A próxima será no dia 1 de fevereiro e já já contaremos mais por aqui.

# Teremos uma segunda turma do grupo de Mindfulness com a Fabiana Saes logo em fevereiro. Infos daqui a pouquinho.

# E faremos rodas de conversas, informais e inspiradoras, sobre diversos temas. Queremos falar, escutar, compartilhar.

E estamos planejando muitas, muitas outras novidades.

Obrigada por estar conosco. De coração.  

Seguimos!
Ju Mariz e Fe Mariz

Questionário amigável para planejar 2018

 Planeja que o ponteiro está correndo. Foto: petradr_unsplash

Planeja que o ponteiro está correndo. Foto: petradr_unsplash

Existem diversos modelos, métodos, ferramentas para fazer o planejamento de uma empresa. Nós criamos o nosso. Foi um start para pensarmos no que queremos para o Co.madre em 2018. Uma série de perguntas para dar o pontapé inicial de um planejamento mais detalhado. Queremos compartilhar estas perguntas com você. Vai que inspira?!


1. Qual sua avaliação da sua empresa em 2017. Pontos positivos e negativos

2. Qual sua avaliação da sua atuação em 2017. O que gostaria de mudar para 2018 (em relação à sua atuação).

3. Qual sua expectativa de dedicação à sua empresa em 2018? Quais outras áreas está investindo também?

4. Qual seu desejo para sua empresa em 2018. Cite tudo que vier a sua cabeça, tudo que gostaria de fazer, sem julgamentos ou "pedras no caminho".

5. Selecione cinco coisas que você gostaria de colocar em prática ano que vem no seu negócio.

6. O que você NÃO gosta de fazer na sua empresa?

7. O que você MAIS gosta de fazer na sua empresa?

8. Qual sua expectativa de ganho financeiro com a sua empresa em 2018? Exemplifique. Por exemplo: quero ter todas as minhas contas pagar pela minha empresa. Quero ter a escola dos meus filhos paga por dois anos. Quero ter dinheiro para minhas contar e poder ajudar meus familiares etc etc etc.

9. Vc gostaria de desenvolver algum projeto pessoal dentro da sua empresa? Qual seria?

10. O que você gostaria de estudar/aprender em 2018? Pode ter relação com seu negócio ou não.

Serviços que resolvem um perrengue da rotina materna

Por Juliana Mariz

Muitas mães e pais optam por abrir um serviço ou empresa tentando suprir alguma carência específica do universo materno. E aí que entram percepção aguçada e faro mais do que fino para sacar o que nos falta. Esse olhar tão particular acabou por gerar uma porção de ideias incríveis e que atendem um perrengue nosso de cada dia. Aquele probleminha diário mesmo, saca? Selecionamos alguns e queremos crescer essa lista. Portanto, se você conhecer um serviço ou empresa que atenda uma lacuna dessas, nos conte, ok?

1) MÃE DO DIA

Paula D'Avila sacou que adora trocar ideia com crianças ou adolescentes. Seus filhos cresceram e ela resolveu empreender nessa área. Ela tem um esquema super bacana. Pode marcar com você uma rotina de ficar com seus filhos ou atender a algum chamado específico. Por exemplo, aquele dia que você quer ir jantar com o marido ou precisa passar o dia em uma conferência da empresa. Baita mão na roda, não? Nós entrevistamos a Paula pro blog. Link aqui.

2) A LANCHEIRINHA

Empresa montada por Paola Braune, A lancheirinha vende kits prontos  e saudáveis de lanchinhos para o recreio da criançada. Ela entrega semanalmente em SP. Ufa, uma preocupação a menos. 

3) MARMITE-SE

 Lá vai a marmitinha do dia... 

Lá vai a marmitinha do dia... 

 

A proposta da Marmite-se é auxiliar quem quer ter uma alimentação fresca, consciente e não tem tempo de prepará-la. É opção certa na geladeira para aqueles dias corridos e que temos exaustão só de pensar em pegar uma panela pra cozinhar. Como o Marmite-se tem vários outros. Lembramos do Da Má Da Lê, Vem Cá Papa... só para citar alguns... 
@marmiteseoficial

4) DESAFIO MEU CORPO

Esse é o projeto da personal trainer Clara Junqueira. Ela tem uma metodologia que, através de planilhas, ajuda mães a se exercitarem. Sabendo da correria diária (ela mesma sente na pele), ela propõe um início de programa fazendo meia hora de atividade, em casa. É um processo que incentiva o exercício físico mas entende os problemas de horário que toda mãe tem. Dá para conhecer mais o trabalho dela no insta @clarinhamjunqueira ou por #desafiomeucorpo

5) PROJETO UMBIGO

Um local na Vila Madalena promove treinamento funcional e de Pilates para mães e seus bebês. Chamado de Umbigo, o projeto foi idealizado por Pedro Sobral, que se atentou para todas as questões da mulher e seu corpo antes, durante e depois da gravidez quando sua companheira engravidou. 

6) DE CÁ PRA LÁ

Adriana Goes e Erika Eguti são feras na arte de organizar qualquer bagunça: do quarto do filho ao armário da cozinha. O bacana é que elas também prestam um serviço destinado àquelas pessoas que têm a vida muito corrida, que dispensou a empregada doméstica... Ou seja, é para parar de se preocupar com a desorganização dos brinquedos e delegar a função. Ufa, uma coisa a menos.

7) HOME REFILL

Sou adepta e, confesso, tirou um peso das minhas costas. É um supermercado delivery. Você faz a lista e mensalmente ela é entregue na sua casa. E o cliente pode modificar esse refil quando quiser. Ideal para aqueles itens recorrentes, como produtos de limpeza que, vamos combinar, é bem chato de comprar in loco. 

 

Conhece mais algum? Conta pra gente?

Mãe empreendedora, cuidado com a bolha

Por Juliana Mariz

O empreendedorismo é um caminho comum para mães em busca de flexibilidade de tempo. Basicamente são duas as “macro” razões que levam uma mãe a montar seu próprio negócio: quando a equação trabalho + maternidade não fecha. Ou seja, a mãe coloca na ponta do lápis terceirização dos cuidados + escola + salário e vê que não vai ser suficiente.  

A outra razão é emocional. A mãe sente vontade de ficar com a criança, de não entregar os cuidados para outras pessoas, de acompanhar de perto seu crescimento e resolve mudar de vida em busca dessa possibilidade.

Estou apontando apenas a ponta do iceberg. As questões são extremamente mais profundas e variadas, sabemos. Mas o ponto que quero chegar é: não importa a razão. Quer empreender? Profissionalize-se. Faça dar certo. Busque informação. Não descanse até seu negócio voar. 

Desde que o Co.madre nasceu, em 2013, aumentou o número de mulheres empreendendo. Além da busca por um modelo de vida mais emocionalmente saudável, temos a crise econômica que empurrou mulheres para o sonho da vida empreendedora. 

 

A sorte é que aumentou também o número de pessoas, cursos e programas para nos ajudar. Semana passada o Co.madre participou do B2Mamy Start, uma aceleradora para empreendedoras maternas. A Dani Junco, que montou o projeto com mais quatro sócias, quer dar palco à elas. “Através do networking e do conhecimento ela pode crescer. Mas é preciso ter DNA comportamental para empreender”, diz.

A Dani veio do mercado corporativo e empreende com a InJoy, empresa de marketing e branding. Após o nascimento do Lucas, de dois anos, o comichão que acomete nove entre dez mães a atacou também. Vontade de fazer diferente, sabe? A sorte que ela resolveu esse "fazer diferente" ajudando outras mães. Seu mérito, e de sua equipe, é unir conhecimento empreendedor com propósito. 

Além do B2Mamy existem outros cursos ou programas para ajudar a empreender.

Não vamos deixar a bolha estourar, ok?

Vejam:

+ B2Mamy é uma aceleradora focada no empreendedorismo materno. O primeiro encontro reúne empresas e mentoras, aula de canva, pitch, muito papo e conexão. Uma dose alta de energia em apenas um dia. A trilha pode seguir para o B2Mamy Hands On e B2Mamy Pulse, que complementa o conhecimento. Dia 25 de maio vai ter em Santos.

+ Transformação Empreendedora para mulheres - promovido pela Kind, consultoria para mulheres, em parceria com Denise Damiani, especialista em finanças, o programa engloba workshops e mentorias com muita mão na massa.

+ Rafa Cappai e seu Decola Lab! Ainda não fiz, mas está na mira. Acompanho toda sua pegada virtual e acho que ela é uma fera em economia criativa.

+ Tem um lance no empreendedorismo que é ter o DNA ou não. Jornalista e empreendedora, Alice Salvo Sosnowski montou o Pulo do Gato que, entre outros serviços, organiza um workshop sobre habilidade empreendedora. Ela também desenvolveu para a PUC um curso de extensão chamado "Empreendedorismo: da Ideia à Startup".

Conhece mais algum? Conta pra gente?

 

No caminho havia um propósito

Por Juliana Mariz

Se houvesse um ranking das palavras mais pronunciadas em 2016 acho que PROPÓSITO estaria entre os top 5. Vivemos a era do “fazer com propósito”. De tempos em tempos circulam convites para bate-papos sobre o assunto. Ou então, pula na minha timeline alguém oferecendo macetes para encontrar o dito-cujo. Há livros, textões, textinhos, resenhas… Até mesmo em uma recente Consultoria Coletiva que participamos o tema foi discutido intensamente.

Daí que fiquei pensando no assunto. Afinal, o que é propósito? Por que precisamos dele? De onde vem, para onde vai? Essas e outras reflexões desencadearam algumas conversas com pessoas que trabalham com isso e outras que estudam e pesquisam. E esse bololô todo rendeu essa sopa de letrinhas aqui. Espero que gostem.

 

De acordo com Mário Sérgio Cortella, a palavra propósito, em latim, carrega o significado “daquilo que eu coloco adiante”. “Uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço”, escreve Cortella no livro “Por que fazemos o que fazemos.”  

Segundo Alexandre Teixeira, jornalista, autor do livro Felicidade S.A., “propósito é algo intuitivo. É encontrar um significado para o trabalho que vá além do salário no final do mês. No melhor cenário, pode ser uma causa. Mas muitas vezes é simplesmente sentir que o esforço e o tempo que você dedica a uma atividade fazem sentido, têm algum impacto”.

Alexandre estuda a evolução da nossa relação com o trabalho e alimenta um site super bacana sobre o assunto. Para ele, propósito é uma das duas demandas mais importantes do trabalhador contemporâneo - sobretudo dos mais jovens. “A outra é pertencimento, fazer parte de alguma coisa que seja maior do que nós mesmos, ter prazer de fazer parte de uma equipe quando a gente sente que todo mundo no time está remando numa mesma direção. Propósito é o anseio que nós também temos de que essa direção seja virtuosa e tenha um impacto positivo sobre as pessoas que a gente atende, as comunidades onde a gente atua, a sociedade em geral.”

Luciana Kimi, facilitadora de processos de inovação na empresa Thempero e terapeuta especialista em ayurveda, entende que o caminho do propósito é o único capaz de nos deixar em harmonia e saudáveis. “Todos nós nascemos com um propósito e viemos vivê-lo nessa vida. Como não somos ensinados a nos olharmos internamente acabamos perdendo o contato com nossa essência. Somos treinados desde pequenos a nos movimentar através do desejo do outro e não por nós mesmos. Abandonar ensinamentos e crenças que ouvimos de pessoas próximas, como pai e mãe, reflete diretamente no negócio, na empresa e nas relações que cultivamos.”

O fato de estarmos discutindo o tema, mesmo que seja na mesa de bar, deve dizer algo sobre o momento pelo qual passa a nossa sociedade. Apesar de rejeitar rótulos, Alexandre se rendeu e chamou esse momento de “ideologia do propósito.”  “Talvez a gente esteja falando muito disso no trabalho e nos negócios porque está tudo muito focado no dinheiro, e as pessoas estão cansadas disso. Mas desconfio de mudanças que a nossa sociedade vive. Penso que são mais as mudanças que a nossa sociedade gostaria de viver. Porque, convenhamos, até agora mudou muito pouco. A geração Y colocou essa ideologia no espírito do tempo. Quem não fala esta língua hoje, soa velho”.

A consultora Alessandra Figueroa acha que o mérito é, exatamente, das novas gerações. “A sociedade está em transição. Valores como empatia e ética estão em alta. Trabalhar por trabalhar está sendo questionado pelos mais novos. Além disso, conceitos como colaboração e nova economia também estão em alta e acionam essa ideia da vida fazer sentido com algum propósito”, afirma. Alessandra e a sócia, Elisa Motta, fundaram a Engenho, empresa que ajuda pessoas a se reconectarem com seu propósito. 

Eu, pessoalmente, acredito que trabalhar em prol de um propósito faz as coisas fluírem mais. Do contrário, não teria criado o Co.madre tampouco feito jornalismo. Quando, aos dezessete, dezoito anos, me inscrevi no vestibular de Comunicação tinha algo em mente: mudar o mundo. Eu achava que com o jornalismo poderia conseguir fazer a diferença na vida das pessoas. Esse era o meu propósito e, por um certo tempo, acho que consegui realizar um tiquinho desse sonho porque trabalhei em veículos que me deram essa oportunidade. Mas aqui acho que estou confundindo propósito com vocação, não?

Vamos esclarecer. “O propósito te guia em direção a sua vocação. A vocação permite que tudo o que você tem de melhor, seus talentos e aptidões, sejam utilizados para realizar seu propósito”, opina Alessandra“A vocação é da sua natureza, não se altera. O propósito é a intenção deste talento, como se fosse um objetivo, um fim para esta vocação”, completa Elisa.

No duelo entre vocação e propósito, Alexandre Teixeira lembra da expressão “empreendedorismo por vocação.” Enquanto fazia entrevistas para seu segundo livro, “De dentro pra fora”, ele ouviu a seguinte frase de um dos personagens: “cada um, afinal de contas, enxerga no mundo aquilo que tem vocação para enxergar.” Alexandre concluiu, então, que vocação é um impulso mais natural, uma visão de mundo. Enquanto propósito é algo mais circunstancial, algo que atribui significado. “Para me usar como exemplo, eu diria que tenho vocação para o jornalismo. E que hoje o meu propósito é ajudar pessoas físicas e jurídicas a atuar com mais propósito, por meio da produção e da disseminação de conteúdo com base em ferramentas jornalísticas. Nesse sentido, o ideal é que a vocação esteja a serviço de um propósito”, diz Alexandre.

Muitas pessoas não conseguem aderir ao movimento da vida com propósito justificando as “contas a pagar”. Obviamente que esse obstáculo existe para aqueles que precisam correr atrás do básico para viver. Por outro lado, há muitas pessoas questionando o estilo de vida que produz para consumir e acumular. E para essas cada vez mais faz sentido ter uma razão para sair da cama na segunda-feira. Segundo Elisa, estamos ainda vivendo uma transição.  “Viver no propósito precisa e deve ser sustentável. É um processo, quanto mais pessoas buscarem seus lugares no mundo, mais a roda vai girar, mais gente vai buscar, mais sentido faz e mais gente ganha.”

Vejo que uma grande dificuldade das pessoas é materializar o dito propósito. Ou seja, colocar em prática a sua essência, a sua autenticidade. De nada vale ser apenas algo etéreo ou a frase colada no post it em cima da mesa de trabalho. Em sua coluna mensal na revista Cláudia, a jornalista e estudiosa do comportamento feminino Cynthia de Almeida bem resumiu o dilema: “Nenhuma geração resolveu a equação. Millenials: não basta ouvir o coração, é preciso concretizar a aspiração. Geração X e Boomers: não basta cumprir o que os outros esperam, é preciso fazer o que se aproxima do próprio desejo, ter clareza de sua essência.” E, então, em qual fase dessa encruzilhada você está?

"O Xelepeti me empoderou"

O Xelepeti era um espaço no Campo Belo onde pais podiam levar seus filhos para brincar enquanto tomavam um café ou comiam alguma coisinha. O lugar, da comadre Alejandra Ledezma, era pequeno e aconchegante. Crianças ficavam sob os cuidados de monitores, mas estavam nas vistas dos pais. Todos sentiam-se seguros e acolhidos. Ali rolaram encontros, reuniões, comadres foram apresentadas.

Por isso quando, em setembro, veio o anúncio de que o Xelepeti iria fechar, rolou uma comoção. Ficamos tristes pelo espaço. Comovidas por termos acompanhado o esforço de Alejandra. Encucadas pelas razões do fechamento depois de um ano e quatro meses de atividade. Nessa entrevista, Alejandra, mãe de um casal de 5 e 2 anos, nos conta sobre os desafios, erros e acertos dessa experiência empreendedora .

Co.madre: A maternidade te levou ao empreendedorismo?

De uma certa forma sim. Antes do Xelepeti eu tive uma marca de acessórios infantis, fazia babadores. Mas achei que não era um negócio sustentável, por isso não investi muito. Sempre quis um projeto pensado do coração e não simplesmente abrir uma franquia, por exemplo. Quando meu filho mais velho era pequeno, eu sempre procurava um espaço que pudesse ser um café para mim e onde eu pudesse deixar meu filho. Mas não encontrava. Resolvi, então, pesquisar o segmento e fazer um projeto para abrir um.

Co.madre: Você fez uma avaliação dos erros cometidos?

Sim. Foi a expectativa da demanda. Fizemos plano de negócio, tudo certinho. Mas eu não sabia como  calcular a demanda de um serviço que era novo. O Xelepeti se propunha a ser um local onde os pais pudessem tomar um café, comer algo e deixar os filhos brincando. Isso não existia ainda. Mas o fluxo não foi como imaginávamos. A mãe não ia toda semana, por exemplo. E o aluguel era caro.

Co.madre: É difícil tocar um negócio sozinha? Sentiu falta de um sócio para trocar ideias no dia a dia ?

Eu sentia uma pressão muito grande em ter que ter novidade, oferecer novidades para as mães o tempo todo. E comunicar isso sempre. Isso era muito difícil. E eu era sozinha, o que complicava também. Cheguei a pensar em buscar uma sócia, mas desisti.

Co.madre: Quando você viu que a expectativa e público estava menor, quais decisões tomou para fazer o negócio vingar?

Eu aluguei o espaço para festas, fiz parcerias com comércios do bairro e cheguei a procurar marcas que quisessem patrocinar o espaço.

Co.madre: Demorou para tomar a decisão de fechar?

Demorei quatro meses. Eu teria de pegar um novo empréstimo e não quis fazer isso. Foi muito difícil, chorei muito.  E fui para a terapia para aceitar essa ruptura.

Co.madre: A crise econômica influenciou na decisão?

De uma certa forma sim. Acredito que não ia diminuir o número de frequentadores, ia ficar igual, mas não era suficiente. Não cobrava muito caro, portanto, não era um super luxo que as pessoas iam cortar. Mas eu precisava receber novos frequentadores, e isso não ia acontecer, não ia melhorar. Portanto, não adiantava manter.

Co.madre: O que você aprendeu com o Xelepeti?

Aprendi muito sobre divulgação e sobre entender o tempo das coisas acontecerem. As coisas demoram, é necessário ter paciência para esperar. E capital, claro. (risos)

 Co.madre: Você se arrepende de algo?

De forma alguma. As pessoas reconheciam o trabalho, gostavam, muitas voltavam. Conheci muita gente bacana por lá. Foi tudo muito gratificante, um grande aprendizado.  E foi também um trabalho de escuta das crianças. Algo delicado, mas muito bonito de se fazer.

Co.madre: O que você faria diferente se estivesse começando agora?

Arranjaria um sócio investidor, esperaria mais tempo, investiria mais na divulgação, faria mais parcerias e, talvez, alugaria as salas para outros profissionais. Mas sempre lembrando que tudo demora. Que cada coisa tem seu tempo.

Co.madre: E qual foi o grande acerto?

Integrar café com o espaço de brincar. As crianças tinham monitores, mas os pais estavam ali perto. Todos ficavam seguros e bem.

Co.madre: Qual a avaliação agora, depois de oito meses do fechamento? Como você está?

O Xelepeti serviu para elevar minha auto-estima, me deu força como mulher. Acho que o que eu quiser fazer agora eu encaro. O Xelepeti me empoderou.