# Newsletter: filmes sobre maternidade

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Olá, Comadres! 

Falar sobre maternidade na sua forma mais nua e crua é um movimento recente impulsionado pelas redes sociais. O Comadre tem cinco anos e posso atestar que nesse período a desmistificação da maternidade ganhou as redes de forma ampla e sem chance de retorno.

É bacana ver como esses movimentos nascem, se espalham, afetam as pessoas e conseguem promover mudanças. E o que de tão amplo foi feito? Falou-se do assunto. Simples assim. Falamos que maternidade é, sim, um momento lindo na vida de qualquer pessoa. Mas esse contentamento vem junto de uma carga super pesada, enfrentada por cada um de uma forma diferente. Tem solidão, depressão, cansaço, medo, angústia. Tem bico de seio rachado, noites mal dormidas, parceiro distante, carreira deixada de lado... 

A narrativa sobre a maternidade mudou. E o que se produz sobre isso também. Assistimos a filmes sobre mães e filhos há um tempão. Quem se lembra de "Minha mãe é uma sereia", com Cher, Winona Ryder e Christina Ricci, um clássico que chamou a atenção por desconstruir o papel da mãe? Mais recentemente lançaram "Perfeita é a mãe", com Mila Kunis; e "O maior amor do mundo", com Jeniffer Aniston e Julia Roberts.... Enfim, impossível citar tudo já que a temática é recorrente. 

A lista é grande, mas duas produções recentes são, ao meu ver, um marco nessa busca por desromantizar a maternidade. Falo de Turma do Peito, série da Netflix; e de Tully, em cartaz no cinema. 



Turma do Peito mostra as angústias e dúvidas de Audrey, personagem vivida por Alison Bell, atriz que também escreveu o roteiro. Seu bebê tem poucos meses quando ela decide frequentar um grupo de apoio a pais em seu bairro. Os sete episódios atravessam a montanha russa do puerpério: cansaço, amamentação, relação com as amigas, dúvidas sobre o trabalho, julgamento, auto julgamento. 

A história de Audrey mostra bem como somos duros com nós mesmas e como a maternidade traz um "não pertencimento" imediato. Amigas parecem estranhas, marido fica distante, mãe vira alvo de nossas maiores angústias. Uma grande sacada da série é dar importância à formação de uma rede. Depois de relutar, Audrey encontra no grupo de pais empatia, suporte, compaixão. Um pacote pronto de riso, choro, emoção.

Tully, que está no cinema, é um filme denso, intenso, sensível. Charlize Théron se entregou para o papel de uma mãe sobrecarregada, a espera do terceiro filho. Saí do cinema passada. Aos poucos, insights foram caindo. Eu adoro quando um filme me provoca reflexões em parcelas. Mas é o tipo de filme que não dá para falar muito se não corro o risco de contar o que não devo.

O que posso escrever é que Tully é um retrato muito honesto sobre a família contemporânea e o papel da mulher. Revela a maternidade como uma oportunidade ( difícil e inexorável )  de nos encontrarmos com nossa própria sombra. Coloca luz à MULHER por trás da mãe que amamenta, acarinha e ama aquele bebê. Tira o manto sagrado e descortina uma mulher cansada e suscetível à doenças mentais e emocionais. E disso, precisamos falar, ler, ouvir, debater, refletir.

Melhor parar por aqui, mas ia adorar ler o que você achou sobre o filme ou a série. Me conta? 

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Agora pega o balde de pipoca, senta no sofá e dá uma olhada nesses textos sobre o assunto:

1 #
Essa matéria da Refinery29 mostra como o filme Tully pode ajudar homens a ter mais empatia.

2 #
Reportagem da Lunetas sobre a série Turma do Peito, do Netflix. Sem spoiler, prometo.

3 #
Essa lista do Huff Post é do mês passado, mas traz algumas sugestões de documentários e filmes. 

Até a próxima,
Juliana


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