O que a divisão de tarefas domésticas tem a ver com empatia?

Eu defendo que um casal deva dividir tarefas domésticas, cuidados com os familiares e com os filhos. O ideal seria 50/50, mas cada família tem sua dinâmica e está valendo a contribuição mínima. Acredito nisso porque acho justo e equilibrado e porque crianças ganham com o olhar paterno na criação e no gerenciamento doméstico. Mas passei a desconfiar de uma outra razão.

Ao se envolver com o que se passa nos meandros de uma casa, homens podem ser impulsionados a desenvolver empatia. Não quero aqui rotular, tampouco polarizar diferenças. Mas há uma construção social que tirou o homem do campo doméstico e o levou para a “rua”.

A obrigação masculina em prover sustento implicou gerações absolutamente auto-centradas. Sucesso, dinheiro, promoção, carreira. Busco palavras que não soem inquisidoras. O objetivo aqui não é julgar, mas delinear um cenário social.

A rotina doméstica e com os filhos exige observar o tempo todo a necessidade alheia. É um exercício diário. Desde o prosaico “ o que teremos no jantar” até a preocupação com um olhar entristecido de um filho. Exige parar e conversar. Sentar e ouvir. Olhar para o relógio e buscar tempo para escutar aquela história fantasiosa da filha.

PHOTO CREDIT: TED BAUER, THE CONTEXT OF THINGS

PHOTO CREDIT: TED BAUER, THE CONTEXT OF THINGS

 

Não sou utópica em pensar que a balança estará equilibrada totalmente. Mulheres trabalham e cuidam da casa. Homens trabalham e cuidam da casa. É muito melhor mesmo que sejamos maleáveis. Uma manhã na semana para acompanhar o filho no tênis, que tal? Ir ao supermercado com eles uma vez por mês, pode ser? Mudar o escritório mais para perto da escola para poder, eventualmente, buscá-lo, rola?

Muitos homens já estão fazendo isso e, em conversas que tive, estão satisfeitos e sentindo a mudança pessoal. Outros já ouvem sobre empatia em cursos sobre liderança, em palestras na empresa, em leituras. Pois esse mesmo empenho em ter uma performance tão apurada e acurada para o trabalho e para a equipe, é desejável que tenham com o filho, com a mãe, com a esposa. Tudo isso com uma grande diferença: estarão ajudando a construir o relacionamento mais significativo de suas vidas. Vale a pena.