A arte de equilibrar pratinhos

Procura-se equilíbrio. Começamos o ano discutindo esse tema em um bate-papo agradável com as coaches Thais Catalano e Tatiana Pacheco, especialistas em maternidade.

Balança, mas não cai.

Balança, mas não cai.

 

A primeira pergunta era: o que é equilíbrio para cada uma das participantes. Ouvimos conceitos como: paciência, foco, presença, angústia, leveza… Alguém também falou que equilíbrio é uma conquista impossível. Desmistificou assim, na lata.

O exercício nos mostrou que equilíbrio é algo pessoal, intransferível. Segundo as coaches, essa busca pelo equilíbrio depende muito de olharmos para nossa bússola interna e nos questionarmos sobre nossos valores e sobre o que é importante para nós. Mas elas frisaram que não há fórmula mágica.

Roda de bate-papo sobre o equilíbrio possível.

Roda de bate-papo sobre o equilíbrio possível.

Equilíbrio não se dá, não se compra, não se empresta. Os depoimentos das comadres no grupo corroboram ainda mais essa ideia. Dá uma olhada como cada uma enxerga de um jeito. E você? Qual é o seu jeito? 


Alice Salvo Sosnovski, jornalista e fundadora da O Pulo do Gato

“Tenho buscado constantemente esse tal equilíbrio e por conta dele fiz algumas reviravoltas no ano passado. Confesso que me senti mais tranquila ao ficar mais tempo com a minha filha, poder tirar férias com ela e conversar sobre coisas da vida sem pressa, mas começo a me sentir vulnerável principalmente nas questões financeiras. SP exige muito que a nossa energia seja voltada para o trabalho, aqui temos mais demandas mesmo se escolhemos uma vida sem luxo. Enfim, ele me sugeriu temperança (substantivo feminino), que é mais que equilíbrio. Significa uma serenidade diante das nossas escolhas. Achei lindo.”

Karina Arruda, sócia da Inspiral

“Na minha opinião essa equação só vem com o empreendedorismo feminino ou com uma mudança completa da estrutura ofertada pelas empresas, que precisaria ser mais livre, flexível, e sem julgamentos. Moro em SP e acho opressora para crianças. Embora ofereça mil possibilidades interessantes, sempre acreditei que é na simplicidade e na natureza que a infância encontra paz e conforto.”

Ana Viana, sócia da Buji

Já cheguei a pensar que se tivesse uma base financeira sólida (tipo "vinda do meu parceiro" por exemplo), esse equílibro seria mais fácil, mas conheço várias mães cujos filhos não dependem do sucesso financeiro delas para viver e nem por isso se sentem equilibradas, então percebi que não é só uma questão de grana. Mas eu particularmente me sinto vulnerável no que se refere a grana e tempo, sempre me perguntando se não tô tirando o tempo que deveria dar a meus filhos e dando pra carreira ou se deveria estar ganhando mais e trabalhando numa empresa que me desse mais benefícios para que eles tivessem uma situação de vida melhor. Mas pelo menos estou na luta, e sempre que posso deixo os meus filhos a par dessa batalha, das minhas escolhas e da minha fé num futuro mais próspero!”


Vivian Bravo, empreendedora da marca Carinho na Caixa

"Acredito que, como em tudo, estamos sempre voltando ao começo, às origens. As mulheres estão buscando no empreendedorismo uma forma de equilíbrio entre estas duas partes tão importantes e essenciais para nossas vidas. Em nossa cidade tão competitiva, o coração do país, essa cultura de ser sempre o melhor, competitividade super forte, as melhores oportunidades são pra quem não desiste, não pára, não tem como conciliar com uma maternidade saudável e justa. Realmente a necessidade cria caminhos, oportunidades para o novo! Como pensava Buda, o caminho do meio é a melhor forma de se conseguir o equilíbrio!"

Dani Junco, sócia da B2Mammy

Eu me equilibrei depois de entender que meu filho é incrivelmente importante, mas tenho (e quero) manter outros pratinhos girando. Eu faço um monte de coisas, mas entendi que só consigo fazer bem um de cada vez. O pratinho da culpa tomava meu dia e me levava a inovação. Ter encontrado um projeto que tem impacto social me ajudou a entender que é uma coisa maior. Estar em um rede, colaborar, ter e dar apoio para outras mães também me ajudam a manter o equilíbrio. Ah! E vôlei é sagrado, meu esporte é a melhor válvula de escape.