Para quem tem medo de rotina

Por Juliana Mariz

Vem cá, tenho uma confissão a fazer. Estava doida para as férias acabarem. Mas também me arrepia pensar na rotina, no equilíbrio de tudo, no leva e traz, nos prazos de trabalho, na listinha de afazeres, na organização diária. Me dá um certo calafrio. E sei que não sou a única.

Os ponteiros estão passando, mas você pode ler esse texto com calma, tá?!

Os ponteiros estão passando, mas você pode ler esse texto com calma, tá?!

Armar o esquema diário é um perrengue tanto para quem trabalha, é autônoma ou empreendedora. Fiz uma investigação breve no nosso grupo para ver se colhia alguma sugestão ou ideia bacana. O fato é que as escolhas são bastante particulares e feitas para encaixar no estilo de vida de cada família. Mas deu para pinçar algumas dicas que podem servir para todos.

  • organização é fundamental

  • definição do que é prioritário é… prioritário :)

  • optar por uma escola flexível com horários

  • contar com uma rede de apoio (família ou amigas)

  • fazer vista grossa em algumas situações

 

Mas não vou ficar aqui fazendo textão. O mais bacana é ler o depoimento de algumas comadres. Espero que, de alguma forma, ajude você a se organizar e que a correria seja, ao menos, mais divertida.

 

Carina Stadié, arquiteta especializada em terceira idade, mãe do Benjamin de 2 anos

“O que me ajudou mesmo foi a organização. Livros sobre gerenciamento de tempo foram muito úteis. Daqueles de executivos dando dicas de como se esquematizam. É preciso ter muito foco, disciplina de horários, e fazer o que é importante nas primeiras horas do dia. Recomendo deixar redes sociais para a última parte do dia. Não tem milagre, né? Precisamos primeiro entender o que é importante, diferenciar do que é urgente. Categorizar. A leitura foi um divisor de águas para mim ”

Patrícia Zanotti, jornalista, mãe do João, 4 anos

“Eu trabalho em casa e esse ano meu filho João fica meio período na escola até as sete da noite. Eu sempre tive o perfil de render mais a tarde, então de manhã fico com ele: vamos na natação, passear, conversar e aproveitar o tempo. Fico com meu celular e adiantando algumas coisinhas mais simples. Daí almoçamos juntos. Tem dia que é lindo e tem dia que é um terror! Deixo ele na escola e começo a trabalhar o que exige mais atenção, mais foco. Muitas vezes volto a trabalhar depois das 22:00 e horinhas em alguns finais de semana. Ahhh, também estudo para o MBA. Mas consigo conciliar, por enquanto. Na verdade, cada dia é um dia ! Mas estou muito mais feliz assim. Sou de pessoas e não de coisas: João sempre em primeiro lugar.”

Lisa Alves Lima, advogada, mãe da Sofia, 7 anos, e Helena, 3 anos

"Minha rotina é bem puxada, mas sei lá como, sempre dá certo, sempre tem um jeito. Mas duas coisas são fundamentais: ser organizada e ter foco. No trabalho principalmente. Sem distração, sem muita conversa, dou prioridade aos prazos mais importantes, almoço correndo. Chegar cedo é um diferencial. Sempre que meu marido consegue, ele leva Sofia já com Helena no carro e deixa as duas em suas escolas. Nessa eu chego antes das 7hs no trabalho e adianto muita coisa. A parceria com o marido é muito importante. Quando ele está mais folgado, sai cedo e busca as meninas. E com isso eu fico até mais tarde tranquila no trabalho – ele se vira, dá banho, jantar e fica tudo bem. Internet ajuda demais. Presentes de aniversário: compro uns 15 livros no Amazon e faço estoque em casa. Roupa para as meninas, panela nova, comida congelada, quase tudo on line. Não vivo sem o outlook e evernote – absolutamente tudo na agenda, compartilhada com o marido. Arquivos na nuvem  salvam muito – contas digitalizadas, documentos, fotos... Não consigo fazer o Pilates que tanto queria, mas subo e desço as escadas dos 10 andares do meu prédio. É o que tem para hoje. Consigo ler antes de dormir – não muito, mas sempre pelo menos um capítulo. Mas também deixei muitas coisas de lado. Minhas unhas faço em casa depois que todas dormem. Minha irmã pinta o meu cabelo. Não consegui assistir a segunda temporada de Narcos ainda e dificilmente vou ao cinema assistir um filme de adulto. E quando assistimos em casa, dificilmente consigo chegar até o final acordada. Não tenho plantas, nem bichos de estimação. E ainda não consegui voltar para o curso de inglês, é uma meta desde 2012. Também quase não saio para jantar sozinha com o Léo e nossa última viagem sem crianças foi antes da Helena nascer. Mas achamos (Léo e eu) que isso é temporário. As meninas estão cada vez mais independentes, tenho cada vez mais amigos aqui – quando cheguei em SP isso fazia muita falta, já que os parentes estão todos longe. A coisa realmente funciona e está tudo bem."

Daniela Salles, coach e especialista em RH, mãe do Felipe,6 anos, e da Malu, 4 anos

“Eu trabalho quatro manhãs em uma empresa. Na quarta-feira fico mais horas e conto com uma amiga “maetorista” para pegar meus filhotes na escola. Na outras manhãs saio correndo para buscá-los às 13h na escola e deixá-los com minha super ajudante. Aí vou para alguma sessão de coaching, ou mercado, e outras obrigações. Tento sempre estar em casa às 16h para lição de casa e brincarmos com amigos do prédio. É uma ginástica. Quinta é um dia mais light, não vou no escritório e acompanho eles nos esportes. À noite atenção ao marido e hiberno lá pelas 10:30 para as 6h estar pronta para um novo dia.”

Carolina Pasquali, jornalista, mãe da Clara, de 7 anos e da Joana, de 3

“Trabalho fora em tempo integral e ano passado resolvi buscar alternativas para organizar a rotina das minhas filhas de 3 e 7 anos. Escola integral (uma facada!), atividades de contra-turno (e como faz com o leva-e-busca?) … Me convenci de que não dava pra ficar sem ninguém em casa. Então, aqui em casa é assim: tenho uma pessoa, a Cintia, que trabalha das 8h às 16h. De manhã, saio de casa umas 9h, então tomo café com as meninas. Nos dias de natação, levo também. A Cintia dá o almoço e leva pra escola de ônibus. Esse era outro dilema. Táxi todo dia? Do ponto ou do 99? Motorista? Nada funcionava, e acabamos optando pelo ônibus. Elas amam, conhecem todos os motoristas e cobradores, são amigas da D. Cleide, cuja casa fica no caminho do ponto, conhecem os frentistas do posto... Enfim, quando eu estou em casa, várias vezes levo de ônibus também e vou curtindo o vínculo que elas construíram no bairro. Aí, eu ou meu marido nos organizamos para buscar na escola. Sempre. Elas saem às 18h, mas podemos buscar até às 19h. Acho que escolas flexíveis ajudam muito. Enfim, vários dias chegamos tarde, mas elas amam a escola e quando a gente chega, muitas vezes pedem pra ficar mais. Tem dado certo, sem uma super estrutura que não caberia no nosso bolso nem no nosso estilo de vida. Acho um malabarismo sem fim, cansativo pacas, mas vamos levando.”


Cassandra Rudinger, administradora de empresa, mãe do Tiago, 7 anos e da Helena, 3 anos

"Me perguntei ontem como faço para dar conta da casa, marido, filhos, trabalho e de mim. Trabalho fora o dia todo, dois filhos estudando em locais distantes do meu trabalho e de minha casa. Nunca tive babá, somente folguistas e hoje as tenho de 15 em 15 dias. Não temos família em São Paulo. No entanto, tenho um marido super parceiro, com horário mais flexível e que participa muito de todas as atividades com as crianças desde quando eram bebês. Nos dividimos no levar e buscar na escola. Fico com eles pela manhã, fazemos lição, brincamos um pouco, levo na escola. Quando possível eu almoço em casa com o mais velho. A noite fico mais tempo com eles. E é nessa hora, após todo o cansaço mental e físico, que precisamos manter a serenidade e aproveitar ao máximo o tempo juntos. Nada fácil. Aos finais de semana tento passar mais tempo com eles. Além disso tenho a Vanessa que cuida da minha casa e de todos nós. Ela entra mais tarde e fica até eles voltarem da escola. Faço vistas grossas em relação a organização da casa, pois ela não da conta de tudo. E acabei contratando uma pessoa q vem aos sábados para passar roupas. A flexibilidade de horas nas escolas também ajuda muito.”


Erika Eguti Kojo, personal organizer, mãe do Paulo, 7 anos

“Muitas mudanças ocorreram na minha vida desde que Paulinho nasceu. Atualmente, trabalhando como Personal Organizer, minha rotina profissional pode variar muito. Dependendo do trabalho que surge posso precisar me dedicar muito ou pouco, o dia todo ou meio período, aos finais de semana. Meu filho estuda meio período e tem atividades extracurriculares duas vezes por semana na escola. Tento focar meu trabalho nesses dois dias. Nos outros, conto com a flexibilidade da escola que oferece almoço, lanche da tarde e hora "flex " sempre que preciso (isso conta muito). Tenho uma empregada braço direito (4 dias da semana - 7 às 15) e sempre que ela pode, me acode nas horas extras para ficar com o Paulinho. Ela está grávida e logo já não poderei ter a ajuda dela. Sempre saio de casa com plano A estabelecido, mas planos B e C na manga. Não tenho mãe e nem sogros mais. Meu pai e minha irmã moram fora de SP. Se acontecer imprevistos, aprendi que tenho que dar conta. Graças a Deus tenho amigas que sei que posso contar também! As "comadres" que me ajudam nas horas imprevistas. Já passei fases dificílimas tentando equilibrar tudo. Não dei conta de tudo, óbvio, mas fiz o que era mais importante naquele momento. Deleguei muito também. O problema é a cobrança que nos persegue 24 horas por dia de que temos que dar conta de tudo e perfeitamente. Aprendi que isso não é possível. E nem quero para mim.”