Humanidade em mim

Por Juliana Mariz

O Co.madre mora no virtual, mas é a coisa mais pulsante, quente e viva que já experimentei na vida. É sobre encontro de pessoas, objetivos, ideias. É troca. Na maioria das vezes, regada a café.

Semana passada me encontrei com Raquel Muller, executiva de marketing de Molico, marca da Nestlé, em um desses cafés da cidade. Fomos conversar sobre a nova campanha do leite Molico, batizada de Humanidade em Mim.

Historicamente voltada para o público feminino, a comunicação da marca estava suspensa desde 2014. Nada de comerciais, anúncios, vídeos. A retomada exigiu uma ampla reflexão sobre o que fazia sentido falar num momento de tantas mudanças como o que vivemos.

“A mulher acumula papéis e isso não é sustentável. Ela vive fazendo acordos ‘invisíveis’. Quando chega ao trabalho, tem que agir como se não tivesse família. Quando chega em casa, tem de dar conta de tudo para que ninguém perceba que ela trabalha. Com isso ela está exausta e refletindo sobre seu papel social. Não queríamos reforçar nenhum estereótipo,” afirma Raquel. A equipe, então, resolveu parar estudar, pesquisar e refletir. E contratou a consultora Camila Holpert, do Studio Ideias, para liderar esse processo.

Foram dois anos e algumas pistas.  A equipe entendeu que existem valores  confinados à intimidade que são associados às mulheres por causa do seu papel histórico.

Ou seja, valores como cuidado, acolhimento, confiança, lealdade e empatia, entre outros, são relacionados ao feminino não por uma questão de gênero, mas por estarem confinados à intimidade. E historicamente a mulher quem ocupou (ou ocupa) o espaço íntimo e privado na sociedade. Esses valores são humanos e precisam ganhar as ruas, os ambientes de trabalho, as relações interpessoais. É dessa forma que, acreditam, conseguiremos mudar a sociedade.

O resultado dessa reflexão está expresso no site o valor do feminino e na série de 12 mini-docs batizados de “Humanidade em Mim”, produzido pelo coletivo Asas. São doze histórias reais escolhidas depois de uma seleção de 500 pessoas.

Puxando sardinha para o Co.madre e para os assuntos que abordamos, vale a pena assistir ao depoimento do jornalista Ivan Martins. Seu discurso calmo e pausado sobre a paternidade é tocante. "A paternidade é um exercício dos valores femininos", reflete Raquel. 

Mas todas as narrativas emocionam porque abordam histórias de homens (na maioria) e mulheres com profundidade. Fala-se sobre as significativas lições que a vida traz.  É sobre olhar pra si e mergulhar internamente. São reflexões sobre valores e virtudes. Os depoimentos propõem o resgate de emoções que estavam no recanto e que agora emergem. Para nunca mais voltarem pra dentro de casa.