"O Xelepeti me empoderou"

O Xelepeti era um espaço no Campo Belo onde pais podiam levar seus filhos para brincar enquanto tomavam um café ou comiam alguma coisinha. O lugar, da comadre Alejandra Ledezma, era pequeno e aconchegante. Crianças ficavam sob os cuidados de monitores, mas estavam nas vistas dos pais. Todos sentiam-se seguros e acolhidos. Ali rolaram encontros, reuniões, comadres foram apresentadas.

Por isso quando, em setembro, veio o anúncio de que o Xelepeti iria fechar, rolou uma comoção. Ficamos tristes pelo espaço. Comovidas por termos acompanhado o esforço de Alejandra. Encucadas pelas razões do fechamento depois de um ano e quatro meses de atividade. Nessa entrevista, Alejandra, mãe de um casal de 5 e 2 anos, nos conta sobre os desafios, erros e acertos dessa experiência empreendedora .

Co.madre: A maternidade te levou ao empreendedorismo?

De uma certa forma sim. Antes do Xelepeti eu tive uma marca de acessórios infantis, fazia babadores. Mas achei que não era um negócio sustentável, por isso não investi muito. Sempre quis um projeto pensado do coração e não simplesmente abrir uma franquia, por exemplo. Quando meu filho mais velho era pequeno, eu sempre procurava um espaço que pudesse ser um café para mim e onde eu pudesse deixar meu filho. Mas não encontrava. Resolvi, então, pesquisar o segmento e fazer um projeto para abrir um.

Co.madre: Você fez uma avaliação dos erros cometidos?

Sim. Foi a expectativa da demanda. Fizemos plano de negócio, tudo certinho. Mas eu não sabia como  calcular a demanda de um serviço que era novo. O Xelepeti se propunha a ser um local onde os pais pudessem tomar um café, comer algo e deixar os filhos brincando. Isso não existia ainda. Mas o fluxo não foi como imaginávamos. A mãe não ia toda semana, por exemplo. E o aluguel era caro.

Co.madre: É difícil tocar um negócio sozinha? Sentiu falta de um sócio para trocar ideias no dia a dia ?

Eu sentia uma pressão muito grande em ter que ter novidade, oferecer novidades para as mães o tempo todo. E comunicar isso sempre. Isso era muito difícil. E eu era sozinha, o que complicava também. Cheguei a pensar em buscar uma sócia, mas desisti.

Co.madre: Quando você viu que a expectativa e público estava menor, quais decisões tomou para fazer o negócio vingar?

Eu aluguei o espaço para festas, fiz parcerias com comércios do bairro e cheguei a procurar marcas que quisessem patrocinar o espaço.

Co.madre: Demorou para tomar a decisão de fechar?

Demorei quatro meses. Eu teria de pegar um novo empréstimo e não quis fazer isso. Foi muito difícil, chorei muito.  E fui para a terapia para aceitar essa ruptura.

Co.madre: A crise econômica influenciou na decisão?

De uma certa forma sim. Acredito que não ia diminuir o número de frequentadores, ia ficar igual, mas não era suficiente. Não cobrava muito caro, portanto, não era um super luxo que as pessoas iam cortar. Mas eu precisava receber novos frequentadores, e isso não ia acontecer, não ia melhorar. Portanto, não adiantava manter.

Co.madre: O que você aprendeu com o Xelepeti?

Aprendi muito sobre divulgação e sobre entender o tempo das coisas acontecerem. As coisas demoram, é necessário ter paciência para esperar. E capital, claro. (risos)

 Co.madre: Você se arrepende de algo?

De forma alguma. As pessoas reconheciam o trabalho, gostavam, muitas voltavam. Conheci muita gente bacana por lá. Foi tudo muito gratificante, um grande aprendizado.  E foi também um trabalho de escuta das crianças. Algo delicado, mas muito bonito de se fazer.

Co.madre: O que você faria diferente se estivesse começando agora?

Arranjaria um sócio investidor, esperaria mais tempo, investiria mais na divulgação, faria mais parcerias e, talvez, alugaria as salas para outros profissionais. Mas sempre lembrando que tudo demora. Que cada coisa tem seu tempo.

Co.madre: E qual foi o grande acerto?

Integrar café com o espaço de brincar. As crianças tinham monitores, mas os pais estavam ali perto. Todos ficavam seguros e bem.

Co.madre: Qual a avaliação agora, depois de oito meses do fechamento? Como você está?

O Xelepeti serviu para elevar minha auto-estima, me deu força como mulher. Acho que o que eu quiser fazer agora eu encaro. O Xelepeti me empoderou.