Por que você deve assistir ao filme "O Começo da Vida"

O documentário "O começo da vida", de Estela Renner, é uma investigação profunda sobre a importância dos primeiros seis anos no desenvolvimento das crianças. O filme faz um apelo para que a sociedade dê a devida atenção a essa fase, mostrando o quanto isso é importante para a construção do nosso futuro. 

A diretora e sua equipe viajaram por nove países, falaram com especialistas de diversas áreas e acompanharam famílias com distintas configurações e classe social. Gestos, falas, feições das crianças acompanham a narrativa e ajudam a reforçar o apelo: vamos cuidar do começo da vida para termos um final feliz.

Conversamos com algumas comadres para saber o que elas acharam do filme. São depoimentos comoventes e que vão convencer você a correr para o Netflix ou organizar uma exibição pela plataforma Videocamp.

 

Ciça Domingues, consultora financeira, mãe de Yasmin e Vitória

"O que me tocou e me fez cair a ficha é me deparar com a realidade em que vivemos. Até avaliei que estou feliz em relação a minha família. O ponto que me marcou muito foi saber da realidade do resto do mundo. Não é só no Brasil, não é exclusividade nossa, está espalhado pelo mundo. E saí questionando se eu não poderia ajudar mais.  São tantas crianças carentes de afeto e estímulo... E vemos muitos pais achando que o estímulo material é mais importante. Saí muito comovida e pensando o que eu poderia fazer."

Marina Kater-Calabró, dona da Astronautas de Histórias, mãe de Elis, Francisco e Caetano

"Para mim o filme toca em dois aspectos super relevantes: na importância de cuidar das crianças pensando na humanidade do futuro, e na necessidade de criar crianças em comunidade. Acho que hoje em dia nós temos um visão muito independente sobre criação (saca tipo "o filho é meu, eu que sei"?), e esse filme foi importante pra mostrar que não, o filho é da comunidade, de toda a humanidade.

Outro ponto importante é que não se deve responsabilizar só a mãe, ou mesmo só a mãe e o pai, pela criação das crianças. Todos têm que se envolver e tomar a responsabilidade para si.

Me tocou também as falas em que pais e mães comentam sobre o tamanho do amor que sentem e que percebem que seus filhos sentem. Amei aquela fala do jornalista "eu sou um péssimo pai (…) mas percebi que meus filhos me amam tanto, eles dependem tanto desse amor, que estão preparados para negar e esquecer as partes ruins do que eu faço".

Eva Peixinho, publicitária, mãe da Alice e da Raquel

"Achei que seria mais um filme de maternidade, mas me surpreendeu a abordagem do meio para o fim. Abordou a problemática atual de que mundo queremos. A discussão é longa, mas acho que todo mundo deve assistir, pois toca no seguinte: cuidar da primeira infância como solução para um mundo melhor".

Ciça Sacchi, designer, mãe do João e da Alice

"Ver como as pessoas, nos diferentes lugares e diferentes classes sociais, vivem faz a gente sair da zona de conforto> E independente de qualquer coisa os pais têm a mesma preocupação: a felicidade dos filhos. Me tocou, principalmente, a parte que fala dos pais. Tem muitas mulheres que não dão nem a chance deles participarem porque acham que o jeito delas é melhor. Acho que é importante refletirmos sobre isso. Todos os homens deveriam ver!

Me fez também refletir que eu preciso me doar mais quando estou com as crianças porque como fico em casa com eles todos os dias, a rotina fica meio maçante e acabo não dando muito valor, não brinco tanto como deveria. A abordagem sobre o consumo é um alerta. O que os filhos querem mesmo é nossa presença, nossa dedicação, brincar de coisas simples. Criança não vai ser mais feliz se ela ganhar mil presentes, mas se o pai não estiver em casa, por exemplo. É o oposto: ele prefere menos presentes e o pai presente."

Lisa Alves, advogada, mãe da Sofia (6) e da Helena (3)

" O filme acendeu uma luz para mim. Desde o momento que decidi ser mãe eu tinha muito claro que era, acima de tudo, uma responsabilidade muito grande. Potencializou para mim de uma forma muito definitiva essa questão da responsabilidade com a criança e de como ela vai ser quando adulta. Eu saí de lá pensando o que eu poderia fazer. Uma das entrevistadas fala que a responsabilidade é da mãe, sim. Mas se a mãe não faz o que precisa, ela tem uma tia, uma avó, um vizinho, faz parte de uma comunidade. Eu posso criar as minhas crianças com responsabilidade, mas ela vai conviver com outras que podem não ter tido essa oportunidade. Ou seja, não se encerra na minha família. Essa mensagem precisa ser espalhada. Vou organizar uma exibição no meu trabalho.

No dia seguinte que vi o filme, encontrei uma amiga que estava angustiada por um problema com o filho. Voltei e pensei em como poderia ajudá-la. E foi o que fiz. Foi muito legal. Agora estou caçando uma criança pra ajudar. Ou o adulto que vai ajudar essa criança."