Ela ajuda a construir negócios com autonomia e simplicidade

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Giovana Camargo é pessoa que abraça. Não importa se te conhece há um dia ou vários anos ela vai te receber com um abraço gostoso. No encontro com as pessoas ou no texto que escreve, ela vai se comunicar sempre com afeto. Se fala de educação ou de igualdade de gênero, leva um olhar-gentileza que faz a diferença em tempos de discursos polarizados e raivosos. (Melhor exemplo disso: esse textoaqui escrito por ela.)

Depois de estudar gestão ambiental, ela desvendou caminhos na educação até fundar o Cinese, em 2012. Hoje se dedica ao empoderamento feminino com a plataforma Comum e auxiliando outras mulheres a empreender. Ela e Camila Haddad estão ajudando o Co.madre a virar gente grande. A seguir, a terceira entrevista da série “pessoas importantes para o Comadre em 2015”.
 

Comadre: De que forma você acha que pode ajudar as mulheres em seus projetos e propósitos?

Acredito que desenvolver autonomia é fundamental no processo de empoderamento. Saber desempenhar e cuidar do seu próprio negócio, sem precisar criar grandes estruturas e complexidade. É nisso que ajudo as mulheres: a cuidar dos seus projetos com mais autonomia e simplicidade.

Co.madre: Você acha que as mulheres, por causa de sua natureza, estão mais acostumadas ou preparadas para viver em rede e a se envolver com projetos colaborativos?

Acho que todos somos e fomos educados para determinadas tarefas, qualidades e dinâmicas  sociais.  Como nós, mulheres, fomos educadas para sermos mais compassivas, acolhedoras, focadas no outro (qualidades ditas maternas) talvez tenhamos, sim, mais facilidade em conviver em espaços e ambientes colaborativos.

Co.madre: Na sua opinião, qual é a principal boicote ou empecilho que a mulher encontra e que a impede de, de fato, empoderar-se?

Acho que existem vários. Socialmente, as mulheres precisam ser três vezes melhor que o homem para ganhar o mesmo reconhecimento. Existem estruturas sociais que dificultam  a ascensão da mulher na carreira e nos negócios. No geral, as mulheres empreendem pra suprir uma necessidade pessoal ou social e só depois vão pensar em como seus negócios podem ser monetizados. Não acho bom ou ruim, mas acho que isso pode atrapalhar um pouco o desenvolvimento dos projetos em longo prazo. Não ter em mente várias possibilidades de como isso pode dar retorno financeiro. Além disso, falta uma rede de apoio às mulheres, espaços que possibilitem que elas investiguem suas vontades e desejos reais e coloquem isso no mundo, espaços que proporcionem ferramentas práticas e subjetivas para que elas arrisquem, testem e se descubram. Empreender, acima de tudo, é uma jornada de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal.

Co.madre: Você empreende com o Cinese e com a Comum. Qual o maior desafio nesse caminhar?

Construir laços fortes nessas comunidades e unir esse trabalho, com propósito, ao retorno financeiro para quem está diretamente envolvido.

Co.madre: O que achou de 2015 e o que espera de 2016?

O ano de 2015 foi muito desafiador, trouxe muitos aprendizados, mostrou vários caminhos para não seguir. Isso trouxe mais clareza para escolhas que farei em 2016. Espero que esse ano seja de muito trabalho, colheita, prosperidade, cuidado com o que realmente importa. Que traga um pouco de respiro né?

Co.madre: O que você diria para uma plateia lotada de comadres, ou seja, mães que tentam se equilibrar entre a maternidade e a vida produtiva?

Para cuidarem umas das outras, se apoiarem. Não precisamos lidar com tudo sozinhas, podemos compartilhar nossas questões, aprendizados, e necessidades. Precisamos estar mais juntas, nos encontrar, cuidar de nós. Cuidar uma das outras, esse é o mantra.