Eba, temos vÍdeo

Por Juliana Mariz

O Co.madre foi criado por mim em 2013, como um grupo no Facebook. O gatilho para discutir as questões da maternidade e da vida produtiva surgiram quando eu tive minha primeira filha, em 2009. Houve uma inquietação interna e uma compaixão por outras mães que tentavam se equilibrar entre tantas responsabilidades. A maternidade me realiza, mas meu trabalho também. Como conciliar tudo? A partir daí, nasceu o Co.madre e a vontade de cultivar uma rede de ajuda mútua e reflexão.

Há dois anos, minha irmã, Fernanda Mariz, tornou-se minha sócia. Ela me ajuda a organizar os encontros, a pensar conteúdo, a desenvolver os projetos. Passamos a nos encontrar semanalmente, nos falamos diariamente via zap zap e trabalhamos até quando passamos férias juntas. :) 

Juliana (de preto) e Fernanda no home office. Crédito: Camila Mendonça

Juliana (de preto) e Fernanda no home office. Crédito: Camila Mendonça

 

Para contar um pouco mais da nossa história, resolvemos fazer um vídeo. A Camila Mendonça é fotógrafa que também faz videos para apresentar uma empresa. Um jeito bacana de colocar no portfólio, de mandar para um cliente, de usar como cartão de visita. Para gente foi mágico. Espero que gostem.

Dias das mães 2017

Por Juliana Mariz 

Foto: Veri Ivanova (unsplash)

Foto: Veri Ivanova (unsplash)

 

Trocamos buquê de flor, almoçar em restaurante lotado ou ganhar o creme anti-rugas por um dia de folga, dormir até mais tarde e passar um tempo com as amigas. Queremos alguém pra pensar na lancheira, no tema da festa do filho e na logística de leva e trás na escola. Se quiser fazer uma surpresa e convidar os rebentos pra passear, assim, sem nem programar, ficaremos felizes. Uma massagem cai bem e abraço de filho é melhor do que lingerie sexy ou perfume doce.

Trocamos o vestido de crepe ou o tênis de corrida por viajar em família pra ficar sem horário e não pensar em agasalho. Mas combinamos que alguém leva a criança pra fazer xixi quando o garçom trouxer o prato sobre a mesa. Queremos ver um filme de gente grande sem interrupção e poder falar palavrão sem discriminação. Mas se nada disso fizer sentido, aceitamos as flores, a caixa com laço de fita ou a bolsa com selo de troca. 

Um desenho bem colorido já provoca suspiro. Mas falar a palavra mãe mais de uma vez no mesmo segundo fica proibido. Queremos abraço, beijos e tempo. Tempo pra ser mãe sem calendário ou mandamento. Vamos abrir o livro ou pegar a revista. A louça vai ficar na pia. Amanhã pensamos na lição de casa ou na lista do supermercado. Vai ser assim o dia. A noite vai chegar e vamos nos aninhar. Você vai adormecer. Te damos um beijo, apagamos as luzes e, enfim, esperamos o próximo amanhecer. Sempre tem mãe em um novo dia.

Serviços que resolvem um perrengue da rotina materna

Por Juliana Mariz

Muitas mães e pais optam por abrir um serviço ou empresa tentando suprir alguma carência específica do universo materno. E aí que entram percepção aguçada e faro mais do que fino para sacar o que nos falta. Esse olhar tão particular acabou por gerar uma porção de ideias incríveis e que atendem um perrengue nosso de cada dia. Aquele probleminha diário mesmo, saca? Selecionamos alguns e queremos crescer essa lista. Portanto, se você conhecer um serviço ou empresa que atenda uma lacuna dessas, nos conte, ok?

1) MÃE DO DIA

Paula D'Avila sacou que adora trocar ideia com crianças ou adolescentes. Seus filhos cresceram e ela resolveu empreender nessa área. Ela tem um esquema super bacana. Pode marcar com você uma rotina de ficar com seus filhos ou atender a algum chamado específico. Por exemplo, aquele dia que você quer ir jantar com o marido ou precisa passar o dia em uma conferência da empresa. Baita mão na roda, não? Nós entrevistamos a Paula pro blog. Link aqui.

2) A LANCHEIRINHA

Empresa montada por Paola Braune, A lancheirinha vende kits prontos  e saudáveis de lanchinhos para o recreio da criançada. Ela entrega semanalmente em SP. Ufa, uma preocupação a menos. 

3) MARMITE-SE

Lá vai a marmitinha do dia... 

Lá vai a marmitinha do dia... 

 

A proposta da Marmite-se é auxiliar quem quer ter uma alimentação fresca, consciente e não tem tempo de prepará-la. É opção certa na geladeira para aqueles dias corridos e que temos exaustão só de pensar em pegar uma panela pra cozinhar. Como o Marmite-se tem vários outros. Lembramos do Da Má Da Lê, Vem Cá Papa... só para citar alguns... 
@marmiteseoficial

4) DESAFIO MEU CORPO

Esse é o projeto da personal trainer Clara Junqueira. Ela tem uma metodologia que, através de planilhas, ajuda mães a se exercitarem. Sabendo da correria diária (ela mesma sente na pele), ela propõe um início de programa fazendo meia hora de atividade, em casa. É um processo que incentiva o exercício físico mas entende os problemas de horário que toda mãe tem. Dá para conhecer mais o trabalho dela no insta @clarinhamjunqueira ou por #desafiomeucorpo

5) PROJETO UMBIGO

Um local na Vila Madalena promove treinamento funcional e de Pilates para mães e seus bebês. Chamado de Umbigo, o projeto foi idealizado por Pedro Sobral, que se atentou para todas as questões da mulher e seu corpo antes, durante e depois da gravidez quando sua companheira engravidou. 

6) DE CÁ PRA LÁ

Adriana Goes e Erika Eguti são feras na arte de organizar qualquer bagunça: do quarto do filho ao armário da cozinha. O bacana é que elas também prestam um serviço destinado àquelas pessoas que têm a vida muito corrida, que dispensou a empregada doméstica... Ou seja, é para parar de se preocupar com a desorganização dos brinquedos e delegar a função. Ufa, uma coisa a menos.

7) HOME REFILL

Sou adepta e, confesso, tirou um peso das minhas costas. É um supermercado delivery. Você faz a lista e mensalmente ela é entregue na sua casa. E o cliente pode modificar esse refil quando quiser. Ideal para aqueles itens recorrentes, como produtos de limpeza que, vamos combinar, é bem chato de comprar in loco. 

 

Conhece mais algum? Conta pra gente?

Mãe empreendedora, cuidado com a bolha

Por Juliana Mariz

O empreendedorismo é um caminho comum para mães em busca de flexibilidade de tempo. Basicamente são duas as “macro” razões que levam uma mãe a montar seu próprio negócio: quando a equação trabalho + maternidade não fecha. Ou seja, a mãe coloca na ponta do lápis terceirização dos cuidados + escola + salário e vê que não vai ser suficiente.  

A outra razão é emocional. A mãe sente vontade de ficar com a criança, de não entregar os cuidados para outras pessoas, de acompanhar de perto seu crescimento e resolve mudar de vida em busca dessa possibilidade.

Estou apontando apenas a ponta do iceberg. As questões são extremamente mais profundas e variadas, sabemos. Mas o ponto que quero chegar é: não importa a razão. Quer empreender? Profissionalize-se. Faça dar certo. Busque informação. Não descanse até seu negócio voar. 

Desde que o Co.madre nasceu, em 2013, aumentou o número de mulheres empreendendo. Além da busca por um modelo de vida mais emocionalmente saudável, temos a crise econômica que empurrou mulheres para o sonho da vida empreendedora. 

 

A sorte é que aumentou também o número de pessoas, cursos e programas para nos ajudar. Semana passada o Co.madre participou do B2Mamy Start, uma aceleradora para empreendedoras maternas. A Dani Junco, que montou o projeto com mais quatro sócias, quer dar palco à elas. “Através do networking e do conhecimento ela pode crescer. Mas é preciso ter DNA comportamental para empreender”, diz.

A Dani veio do mercado corporativo e empreende com a InJoy, empresa de marketing e branding. Após o nascimento do Lucas, de dois anos, o comichão que acomete nove entre dez mães a atacou também. Vontade de fazer diferente, sabe? A sorte que ela resolveu esse "fazer diferente" ajudando outras mães. Seu mérito, e de sua equipe, é unir conhecimento empreendedor com propósito. 

Além do B2Mamy existem outros cursos ou programas para ajudar a empreender.

Não vamos deixar a bolha estourar, ok?

Vejam:

+ B2Mamy é uma aceleradora focada no empreendedorismo materno. O primeiro encontro reúne empresas e mentoras, aula de canva, pitch, muito papo e conexão. Uma dose alta de energia em apenas um dia. A trilha pode seguir para o B2Mamy Hands On e B2Mamy Pulse, que complementa o conhecimento. Dia 25 de maio vai ter em Santos.

+ Transformação Empreendedora para mulheres - promovido pela Kind, consultoria para mulheres, em parceria com Denise Damiani, especialista em finanças, o programa engloba workshops e mentorias com muita mão na massa.

+ Rafa Cappai e seu Decola Lab! Ainda não fiz, mas está na mira. Acompanho toda sua pegada virtual e acho que ela é uma fera em economia criativa.

+ Tem um lance no empreendedorismo que é ter o DNA ou não. Jornalista e empreendedora, Alice Salvo Sosnowski montou o Pulo do Gato que, entre outros serviços, organiza um workshop sobre habilidade empreendedora. Ela também desenvolveu para a PUC um curso de extensão chamado "Empreendedorismo: da Ideia à Startup".

Conhece mais algum? Conta pra gente?

 

Nove mentiras e uma verdade sobre a maternidade

Por Juliana Mariz

 


1. Ser mãe é padecer no paraíso.
Nem paraíso, nem inferno. Ser mãe é bom e ruim, como tudo na vida. Desmistifica, vai é um texto que fiz ( Ju Mariz ) propondo uma reflexão sobre a romantização da maternidade.

2. As mulheres não são mais demitidas quando voltam da licença maternidade.
Mentira deslavada. Outro dia uma amiga minha me contou que quando retornou ao trabalho, foi mandada embora. Demonstrei minha indignação nesse texto aqui

3. As mães empreendem para ter mais tempo.
Nope, nope, nope. Essa ilusão não pega mais ninguém. Então, é bom saber se vale a pena seguir esse caminho. Texto bom no blog do B2Mamy, aceleradora para mães empreendedoras, aqui.

4. Sentar e brincar com os filhos é super fácil.
Infelizmente, a gente vai crescendo e perdendo nossa capacidade de ser criança. Sabemos que é mega importante esse momento com os filhos, mas cansaço e falta de criatividade atrapalham. Tem um site que pode te ajudar, é o Tempo Junto

5. Mães nunca se trancam no banheiro para ficar sozinhas. 
kkkkkkkkkkkkk

6. Mães não podem chorar. 
Podem sim e isso é bom para os filhos verem que mães não são perfeitas e que demonstrar emoções é uma ótima maneira de criar vínculos verdadeiros.

7. Mães não sentem culpa.
Precisa comentar? 

8. Mães não sentem falta de sair, estar com as amigas, tomar um choppinho, jogar conversa fora.
Quando vai ser mesmo o happy hour do Co.madre?

9. Mães são seres calmos, pacientes e serenos.
Vem aqui em casa um dia de manhã antes de ir pra escola, vem... 

10. Junto é mais legal do que sozinha. Fazemos a nossa micro revolução de mãos dadas, acolhendo e nos apoiando.


 

Minha amiga foi demitida na volta da licença maternidade

Por Juliana Mariz

Quando minha primeira filha nasceu, eu trabalhava no jornal Valor Econômico. Tive quatro meses de licença. O dia de voltar ao trabalho estava nublado. Na verdade, não sei se estava. Podia estar um baita sol, mas minha tristeza deixou tudo acinzentado.

Entrei na Marginal Pinheiros com uma dor na boca do estômago. O lance foi físico mesmo. Mil preocupações na cabeça. Uma delas: minha filha não pegava mamadeira de jeito nenhum. Fiquei muito angustiada com isso. Com o tempo me acostumei com a rotina. As coisas entraram nos eixos, como acontece com a maioria das mães. Mas não é fácil. Não mesmo.

São mil preparações, decisões. Rotinas que devem ser revistas. Rede de apoio que tem de ser estabelecida. Pior é quando você organiza isso tudo e, na retomada do posto, é demitida. Pra mim isso está entre os top cinco das grandes sacanagens da vida. E aconteceu com uma amiga.

Quando soube, escrevi sobre a situação dela em um post no facebook. Estava perplexa e comovida. E por causa dos comentários que li no post, percebi que isso é muito comum de acontecer.

 

Daí que eu só posso supor que a (o) infeliz -- minha amiga foi demitida por uma mulher  --  não têm ideia do que antecede a volta de uma mãe ao mercado de trabalho. Ok, vamos desenhar.

Antes de retornar da licença os pais da criança têm que tomar algumas decisões:

  • com quem fica a criança: babá, escola, algum familiar
  • fazer a adaptação da criança na escola, se for essa a opção
  • qual impacto financeiro ao estabelecer uma rede de suporte para cuidar da criança
  • introduzir ou não a alimentação
  • interromper ou diminuir a amamentação
  • guardar leite materno ou não
  • comprar ou alugar bomba de retirada de leite

Essa é uma lista pequena e que não abarca as questões emocionais. Ao se preparar para reassumir seu posto, essa mulher sabe que vai sofrer com a separação, saudade, insegurança. É uma transição difícil. Ela sabe que aumentará a jornada de trabalho. Virão exaustão e stress.

É, portanto, uma irresponsabilidade do empregador demitir uma pessoa na volta da maternidade. É bom lembrar que uma mulher tem estabilidade de um mês (quando a licença é de quatro meses). 

Minha amiga segue tocando a vida. Agora, vai curtir a maternidade e pensar no futuro profissional no próximo ano.

Alguém já viu esse filme?

 

A arte de equilibrar pratinhos

Procura-se equilíbrio. Começamos o ano discutindo esse tema em um bate-papo agradável com as coaches Thais Catalano e Tatiana Pacheco, especialistas em maternidade.

Balança, mas não cai.

Balança, mas não cai.

 

A primeira pergunta era: o que é equilíbrio para cada uma das participantes. Ouvimos conceitos como: paciência, foco, presença, angústia, leveza… Alguém também falou que equilíbrio é uma conquista impossível. Desmistificou assim, na lata.

O exercício nos mostrou que equilíbrio é algo pessoal, intransferível. Segundo as coaches, essa busca pelo equilíbrio depende muito de olharmos para nossa bússola interna e nos questionarmos sobre nossos valores e sobre o que é importante para nós. Mas elas frisaram que não há fórmula mágica.

Roda de bate-papo sobre o equilíbrio possível.

Roda de bate-papo sobre o equilíbrio possível.

Equilíbrio não se dá, não se compra, não se empresta. Os depoimentos das comadres no grupo corroboram ainda mais essa ideia. Dá uma olhada como cada uma enxerga de um jeito. E você? Qual é o seu jeito? 


Alice Salvo Sosnovski, jornalista e fundadora da O Pulo do Gato

“Tenho buscado constantemente esse tal equilíbrio e por conta dele fiz algumas reviravoltas no ano passado. Confesso que me senti mais tranquila ao ficar mais tempo com a minha filha, poder tirar férias com ela e conversar sobre coisas da vida sem pressa, mas começo a me sentir vulnerável principalmente nas questões financeiras. SP exige muito que a nossa energia seja voltada para o trabalho, aqui temos mais demandas mesmo se escolhemos uma vida sem luxo. Enfim, ele me sugeriu temperança (substantivo feminino), que é mais que equilíbrio. Significa uma serenidade diante das nossas escolhas. Achei lindo.”

Karina Arruda, sócia da Inspiral

“Na minha opinião essa equação só vem com o empreendedorismo feminino ou com uma mudança completa da estrutura ofertada pelas empresas, que precisaria ser mais livre, flexível, e sem julgamentos. Moro em SP e acho opressora para crianças. Embora ofereça mil possibilidades interessantes, sempre acreditei que é na simplicidade e na natureza que a infância encontra paz e conforto.”

Ana Viana, sócia da Buji

Já cheguei a pensar que se tivesse uma base financeira sólida (tipo "vinda do meu parceiro" por exemplo), esse equílibro seria mais fácil, mas conheço várias mães cujos filhos não dependem do sucesso financeiro delas para viver e nem por isso se sentem equilibradas, então percebi que não é só uma questão de grana. Mas eu particularmente me sinto vulnerável no que se refere a grana e tempo, sempre me perguntando se não tô tirando o tempo que deveria dar a meus filhos e dando pra carreira ou se deveria estar ganhando mais e trabalhando numa empresa que me desse mais benefícios para que eles tivessem uma situação de vida melhor. Mas pelo menos estou na luta, e sempre que posso deixo os meus filhos a par dessa batalha, das minhas escolhas e da minha fé num futuro mais próspero!”


Vivian Bravo, empreendedora da marca Carinho na Caixa

"Acredito que, como em tudo, estamos sempre voltando ao começo, às origens. As mulheres estão buscando no empreendedorismo uma forma de equilíbrio entre estas duas partes tão importantes e essenciais para nossas vidas. Em nossa cidade tão competitiva, o coração do país, essa cultura de ser sempre o melhor, competitividade super forte, as melhores oportunidades são pra quem não desiste, não pára, não tem como conciliar com uma maternidade saudável e justa. Realmente a necessidade cria caminhos, oportunidades para o novo! Como pensava Buda, o caminho do meio é a melhor forma de se conseguir o equilíbrio!"

Dani Junco, sócia da B2Mammy

Eu me equilibrei depois de entender que meu filho é incrivelmente importante, mas tenho (e quero) manter outros pratinhos girando. Eu faço um monte de coisas, mas entendi que só consigo fazer bem um de cada vez. O pratinho da culpa tomava meu dia e me levava a inovação. Ter encontrado um projeto que tem impacto social me ajudou a entender que é uma coisa maior. Estar em um rede, colaborar, ter e dar apoio para outras mães também me ajudam a manter o equilíbrio. Ah! E vôlei é sagrado, meu esporte é a melhor válvula de escape.

Em busca do equilíbrio perdido

 

Sabemos que encontrar o equilíbrio é algo pessoal e que depende de inúmeros fatores. No entanto, quero compartilhar com vocês o que eu estou fazendo, pesquisando, lendo para encontrar meu nirvana particular.

Equilíbrio, para mim, é estabelecer uma rotina pessoal que me mantenha energizada e centrada para enfrentar o que não está a meu alcance. Eu quero seguir serena mesmo se estiver com a conta no vermelho, brigado com as crianças ou sem internet.

Para facilitar que isso aconteça descobri que preciso dormir bem, me alimentar bem, fazer exercícios. Mas não basta. Ando pesquisando outras coisinhas por aqui e por ali e vou compartilhar algumas com vocês: 

Aqui tem equilíbrio.

Aqui tem equilíbrio.

 


// Respiração

Teve um  dia, semana passada, que parecia que o universo estava conspirando contra. Briga das crianças, o quibe do almoço estava estragado, o moço na rua me ameaçou etc etc etc. Cheguei para sentar e trabalhar parecendo um zumbi. Parei. Fechei os olhos Respirei profundamente várias vezes. Me fez bem e vou seguir treinando.

Aqui tem um link que fala sobre respiração para mães.

http://www.personare.com.br/tecnicas-de-respiracao-para-maes-m1455

 

// Exercício físico

Demorei a idade da minha mais velha, sete anos, para conseguir incluir, realmente, uma rotina de atividades físicas na minha vida. Me cobrava muito, mas não conseguia por causa das demandas das crianças, da noite mal dormida porque uma acordava… Hoje aprendi: fazemos o que é possível. E o possível chegou.

 

// Alimentação

Se estou desequilibrada emocionalmente, começo a comer mal. E se como mal, me desequilibro. Bola de neve, sabe? Mês de fevereiro me atrapalhei bastante ao tentar organizar a rotina das crianças. Às vezes parece que nem os astros ajudam, sabe? Resultado: cansaço e emoções desagradáveis acordam a formiguinha que mora dentro de mim. Não sei a sua, mas minha formiguinha gosta tanto de doce quanto de carboidrato. Quando percebi o desequilíbrio se aproximando do prato de comida, parei, refleti, acolhi e mudei o rumo desse cardápio. Voltei aos trilhos. O que, lembre-se, não significa ser xiita. Ao contrário. É que tem algumas coisas que eu sei que me fazem mal, me deixam lesada. Entre elas, carboidrato demais. Tenho uma crença -- que vem da cultura italiana ou resquício da infância -- que o que mata fome é carboidrato, especificamente pão, mais especificamente ainda, de queijo. Estou trabalhando a todo vapor para que essa crença seja quebrada. Farei outras escolhas. E isso é papo pra outro post.

 

// Mindfulness

Já fui a algumas palestras, estou lendo livros e baixei aplicativo sobre Atenção Plena. Acho que é uma prática viável para minha rotina. Tenho muito que aprender, mas a ideia da atenção plena, seus efeitos no cérebro e nas nossas relações soam para mim bastante coerentes.

Atualmente estou lendo Atenção Plena - Mindfulness, de Padraig O'Morain

// Ciclo menstrual

Tenho uma leitura bastante orgânica do meu ciclo. TPM é TPM, não precisa de explicações. No período da ovulação estou feliz, energizada, animada. Observar essas mudanças hormonais e humorais me ajuda bastante a me cobrar menos, me preservar. Claro que não é simples, nem automático. Eu erro. Mas sigo treinando e criando estratégias.

 

// Escrever

Bom, não preciso dizer que escrever me deixa feliz. Tenho meu diário, que não escrevo todos os dias, mas quando tenho vontade. Me faz bem. Me faz parar e ficar comigo. Um hobby.

 

Quero reforçar que isso tudo não é lindo e romântico como as palavras podem fazer você supor. Longe disso. Trata-se de um exercício contínuo. Mas tentar me manter bem sei que vai ajudar a todos ao meu redor. Equilíbrio gera equilíbrio.

Conte pra gente o que vocês fazem?

 

Para quem tem medo de rotina

Por Juliana Mariz

Vem cá, tenho uma confissão a fazer. Estava doida para as férias acabarem. Mas também me arrepia pensar na rotina, no equilíbrio de tudo, no leva e traz, nos prazos de trabalho, na listinha de afazeres, na organização diária. Me dá um certo calafrio. E sei que não sou a única.

Os ponteiros estão passando, mas você pode ler esse texto com calma, tá?!

Os ponteiros estão passando, mas você pode ler esse texto com calma, tá?!

Armar o esquema diário é um perrengue tanto para quem trabalha, é autônoma ou empreendedora. Fiz uma investigação breve no nosso grupo para ver se colhia alguma sugestão ou ideia bacana. O fato é que as escolhas são bastante particulares e feitas para encaixar no estilo de vida de cada família. Mas deu para pinçar algumas dicas que podem servir para todos.

  • organização é fundamental

  • definição do que é prioritário é… prioritário :)

  • optar por uma escola flexível com horários

  • contar com uma rede de apoio (família ou amigas)

  • fazer vista grossa em algumas situações

 

Mas não vou ficar aqui fazendo textão. O mais bacana é ler o depoimento de algumas comadres. Espero que, de alguma forma, ajude você a se organizar e que a correria seja, ao menos, mais divertida.

 

Carina Stadié, arquiteta especializada em terceira idade, mãe do Benjamin de 2 anos

“O que me ajudou mesmo foi a organização. Livros sobre gerenciamento de tempo foram muito úteis. Daqueles de executivos dando dicas de como se esquematizam. É preciso ter muito foco, disciplina de horários, e fazer o que é importante nas primeiras horas do dia. Recomendo deixar redes sociais para a última parte do dia. Não tem milagre, né? Precisamos primeiro entender o que é importante, diferenciar do que é urgente. Categorizar. A leitura foi um divisor de águas para mim ”

Patrícia Zanotti, jornalista, mãe do João, 4 anos

“Eu trabalho em casa e esse ano meu filho João fica meio período na escola até as sete da noite. Eu sempre tive o perfil de render mais a tarde, então de manhã fico com ele: vamos na natação, passear, conversar e aproveitar o tempo. Fico com meu celular e adiantando algumas coisinhas mais simples. Daí almoçamos juntos. Tem dia que é lindo e tem dia que é um terror! Deixo ele na escola e começo a trabalhar o que exige mais atenção, mais foco. Muitas vezes volto a trabalhar depois das 22:00 e horinhas em alguns finais de semana. Ahhh, também estudo para o MBA. Mas consigo conciliar, por enquanto. Na verdade, cada dia é um dia ! Mas estou muito mais feliz assim. Sou de pessoas e não de coisas: João sempre em primeiro lugar.”

Lisa Alves Lima, advogada, mãe da Sofia, 7 anos, e Helena, 3 anos

"Minha rotina é bem puxada, mas sei lá como, sempre dá certo, sempre tem um jeito. Mas duas coisas são fundamentais: ser organizada e ter foco. No trabalho principalmente. Sem distração, sem muita conversa, dou prioridade aos prazos mais importantes, almoço correndo. Chegar cedo é um diferencial. Sempre que meu marido consegue, ele leva Sofia já com Helena no carro e deixa as duas em suas escolas. Nessa eu chego antes das 7hs no trabalho e adianto muita coisa. A parceria com o marido é muito importante. Quando ele está mais folgado, sai cedo e busca as meninas. E com isso eu fico até mais tarde tranquila no trabalho – ele se vira, dá banho, jantar e fica tudo bem. Internet ajuda demais. Presentes de aniversário: compro uns 15 livros no Amazon e faço estoque em casa. Roupa para as meninas, panela nova, comida congelada, quase tudo on line. Não vivo sem o outlook e evernote – absolutamente tudo na agenda, compartilhada com o marido. Arquivos na nuvem  salvam muito – contas digitalizadas, documentos, fotos... Não consigo fazer o Pilates que tanto queria, mas subo e desço as escadas dos 10 andares do meu prédio. É o que tem para hoje. Consigo ler antes de dormir – não muito, mas sempre pelo menos um capítulo. Mas também deixei muitas coisas de lado. Minhas unhas faço em casa depois que todas dormem. Minha irmã pinta o meu cabelo. Não consegui assistir a segunda temporada de Narcos ainda e dificilmente vou ao cinema assistir um filme de adulto. E quando assistimos em casa, dificilmente consigo chegar até o final acordada. Não tenho plantas, nem bichos de estimação. E ainda não consegui voltar para o curso de inglês, é uma meta desde 2012. Também quase não saio para jantar sozinha com o Léo e nossa última viagem sem crianças foi antes da Helena nascer. Mas achamos (Léo e eu) que isso é temporário. As meninas estão cada vez mais independentes, tenho cada vez mais amigos aqui – quando cheguei em SP isso fazia muita falta, já que os parentes estão todos longe. A coisa realmente funciona e está tudo bem."

Daniela Salles, coach e especialista em RH, mãe do Felipe,6 anos, e da Malu, 4 anos

“Eu trabalho quatro manhãs em uma empresa. Na quarta-feira fico mais horas e conto com uma amiga “maetorista” para pegar meus filhotes na escola. Na outras manhãs saio correndo para buscá-los às 13h na escola e deixá-los com minha super ajudante. Aí vou para alguma sessão de coaching, ou mercado, e outras obrigações. Tento sempre estar em casa às 16h para lição de casa e brincarmos com amigos do prédio. É uma ginástica. Quinta é um dia mais light, não vou no escritório e acompanho eles nos esportes. À noite atenção ao marido e hiberno lá pelas 10:30 para as 6h estar pronta para um novo dia.”

Carolina Pasquali, jornalista, mãe da Clara, de 7 anos e da Joana, de 3

“Trabalho fora em tempo integral e ano passado resolvi buscar alternativas para organizar a rotina das minhas filhas de 3 e 7 anos. Escola integral (uma facada!), atividades de contra-turno (e como faz com o leva-e-busca?) … Me convenci de que não dava pra ficar sem ninguém em casa. Então, aqui em casa é assim: tenho uma pessoa, a Cintia, que trabalha das 8h às 16h. De manhã, saio de casa umas 9h, então tomo café com as meninas. Nos dias de natação, levo também. A Cintia dá o almoço e leva pra escola de ônibus. Esse era outro dilema. Táxi todo dia? Do ponto ou do 99? Motorista? Nada funcionava, e acabamos optando pelo ônibus. Elas amam, conhecem todos os motoristas e cobradores, são amigas da D. Cleide, cuja casa fica no caminho do ponto, conhecem os frentistas do posto... Enfim, quando eu estou em casa, várias vezes levo de ônibus também e vou curtindo o vínculo que elas construíram no bairro. Aí, eu ou meu marido nos organizamos para buscar na escola. Sempre. Elas saem às 18h, mas podemos buscar até às 19h. Acho que escolas flexíveis ajudam muito. Enfim, vários dias chegamos tarde, mas elas amam a escola e quando a gente chega, muitas vezes pedem pra ficar mais. Tem dado certo, sem uma super estrutura que não caberia no nosso bolso nem no nosso estilo de vida. Acho um malabarismo sem fim, cansativo pacas, mas vamos levando.”


Cassandra Rudinger, administradora de empresa, mãe do Tiago, 7 anos e da Helena, 3 anos

"Me perguntei ontem como faço para dar conta da casa, marido, filhos, trabalho e de mim. Trabalho fora o dia todo, dois filhos estudando em locais distantes do meu trabalho e de minha casa. Nunca tive babá, somente folguistas e hoje as tenho de 15 em 15 dias. Não temos família em São Paulo. No entanto, tenho um marido super parceiro, com horário mais flexível e que participa muito de todas as atividades com as crianças desde quando eram bebês. Nos dividimos no levar e buscar na escola. Fico com eles pela manhã, fazemos lição, brincamos um pouco, levo na escola. Quando possível eu almoço em casa com o mais velho. A noite fico mais tempo com eles. E é nessa hora, após todo o cansaço mental e físico, que precisamos manter a serenidade e aproveitar ao máximo o tempo juntos. Nada fácil. Aos finais de semana tento passar mais tempo com eles. Além disso tenho a Vanessa que cuida da minha casa e de todos nós. Ela entra mais tarde e fica até eles voltarem da escola. Faço vistas grossas em relação a organização da casa, pois ela não da conta de tudo. E acabei contratando uma pessoa q vem aos sábados para passar roupas. A flexibilidade de horas nas escolas também ajuda muito.”


Erika Eguti Kojo, personal organizer, mãe do Paulo, 7 anos

“Muitas mudanças ocorreram na minha vida desde que Paulinho nasceu. Atualmente, trabalhando como Personal Organizer, minha rotina profissional pode variar muito. Dependendo do trabalho que surge posso precisar me dedicar muito ou pouco, o dia todo ou meio período, aos finais de semana. Meu filho estuda meio período e tem atividades extracurriculares duas vezes por semana na escola. Tento focar meu trabalho nesses dois dias. Nos outros, conto com a flexibilidade da escola que oferece almoço, lanche da tarde e hora "flex " sempre que preciso (isso conta muito). Tenho uma empregada braço direito (4 dias da semana - 7 às 15) e sempre que ela pode, me acode nas horas extras para ficar com o Paulinho. Ela está grávida e logo já não poderei ter a ajuda dela. Sempre saio de casa com plano A estabelecido, mas planos B e C na manga. Não tenho mãe e nem sogros mais. Meu pai e minha irmã moram fora de SP. Se acontecer imprevistos, aprendi que tenho que dar conta. Graças a Deus tenho amigas que sei que posso contar também! As "comadres" que me ajudam nas horas imprevistas. Já passei fases dificílimas tentando equilibrar tudo. Não dei conta de tudo, óbvio, mas fiz o que era mais importante naquele momento. Deleguei muito também. O problema é a cobrança que nos persegue 24 horas por dia de que temos que dar conta de tudo e perfeitamente. Aprendi que isso não é possível. E nem quero para mim.”

Felicidade se encontra em horas de descuido, já dizia Guimarães

Guimarães Rosa escreveu que "felicidade se acha em horinhas de descuido". Amo essa frase. E foi durante a pausa de Ano Novo que descobri que tive muitas horinhas de descuido em 2016. Listei o que me deixou feliz no ano. Uma notícia que li que me arrancou sorrisos, um livro que me arrebatou pra sempre... Quem sabe serve também pra você como um "shot" de inspiração e o pontapé para um 2017 afável? 

 

1 :) 
O Co.madre organizou 19 encontros por onde passaram cerca de 130 pessoas. Caraca, meu.

2 :)
O discurso da Madonna encheu a gente de esperança. Clica aqui  pra ver.

3 :)
Celina Turchi, brasileira que identificou a relação do vírus zika e a microcefalia acaba de ser considerada uma das dez cientistas mais influentes de 2016 pela revista Nature.

4 :)
Fomos assoladas pela febre Ferrante. Os livros da escritora italiana Elena Ferrante foram lançados por aqui e ... cataploft, me arrebataram. O ponto alto é a construção de personagens femininos  Li os três primeiros volumes da tetralogia napolitana (ansiosa para a chegada do quarto) e também o livro "A Filha perdida", onde ela faz um retrato da maternidade com uma profundidade tão cortante quanto verdadeira.

5 :)
Teve ainda o livro de Martha Batalha, "A vida invisível de Eurídice Gusmão". Um retrato claro da construção do papel da mulher na sociedade e o entendimento do porquê precisamos, hoje, lutar por igualdade.

6 :)
Como eu não tinha visto ainda o filme "Mil vezes Boa noite"? Ele é de 2013 e tem Juliette Binoche no papel de uma fotógrafa de guerra e sua tentativa de conciliar profissão e vida familiar. É o conflito carreira e maternidade levada a uma potência enorme. Me fez chorar. Muito. Trailer aqui. (obrigada pela sugestão Angela Klinke)

7 :) 
Essa dica veio da comadre Maira Videira. Ela me apresentou aos lindos vídeos Voe, voa, projeto da atriz Janaína Afhonso. Com uma estética graciosa, a intenção é falar sobre afeto. Toda sexta-feira tem vídeo novo onde ela fala sobre sentimentos, propõe reflexões. Lindeza aqui.

Vamos aumentar essa lista? Manda pra gente coisas boas que aconteceram?