# Newsletter: o banho com a Elisa

 

Quem nunca se trancou no banheiro e deu uma enrolada para prolongar o momento sozinha? Banheiro é lugar sagrado pra mãe, concordam? Espaço onde você se tranca para passar uns minutinhos no celular, ouvir música, tomar um banho tranquilo. Claro que para isso acontecer algumas regras tiveram de ser estabelecidas, né? Porque criança não entende banheiro como um local privado. Aliás, filhos sabem o significado da palavra privacidade? Desconfio que não.

 Quando é hora de ficar sozinha, quando é hora de se doar

Quando é hora de ficar sozinha, quando é hora de se doar

Pois Elisa, minha caçula que faz seis anos no próximo mês, resolveu que quer tomar banho comigo. Pediu uma vez. Eu deixei porque estávamos atrasadas para um compromisso. Pediu a segunda vez. O alarme do meu limite interno soou, mas acabei concordando. Durante o banho olhei pra ela, pra nossa interação, para aquele momento. E entrei no limbo materno: onde termina o meu espaço e começa o dela ? Estabelecer esse limite é fundamental pro nosso equilíbrio.

A dualidade é: quero ter o meu espaço de auto-cuidado, o meu momento sozinha, o meu silêncio. Mas quero também estar com ela porque daqui alguns anos ela não vai querer se ensaboar comigo no chuveiro. Qual é o tamanho da entrega? Qual é o tamanho da doação? Isso, só podemos decidir sozinhas, com uma escuta interna. Não tem manual nem mãe you tuber pra resolver por nós. Mais importante do que ceder ou recurar, é ouvir internamente o que você está querendo. 

Eu me ouvi. E decidi: banhos juntas apenas nos finais de semana. Ela aceitou e prometeu ensaboar todo o boxe. Nâo vejo a hora. 

Ju Mariz
 

#Newsletter: Criar filhos é passar de fase no videogame

Oi, Cos, Ju Mariz falando.

Outro dia uma amiga comentou: "criar filhos é como passar de fase no vídeo game." Ela quis dizer que quando a gente pensa que dominou o "esquema" com os filhos, as demandas mudam. Pulamos de fase, viramos a chavinha, ganhamos novos poderes. Concordo, Dani.

Photo by Pat Kwon on Unsplash

Minhas filhas têm 8 e 5 anos. A rotina mudou porque as duas estão na mesma escola. Ganhei tempo e melhorou a logística. A dinâmica entre elas também é outra. Interesses e assuntos convergem, o que gera união e também discussão. Minha abordagem está tendo que mudar também. E, obviamente, esse game não vem com manual.

E nós, manejando esse console, também sentimos novas ( ou velhas ) necessidades. A maternagem nesse estágio traz outros dilemas. Nossos anseios mudam ou ficam ainda mais latentes. Rolaram novas inquietações aqui dentro. Espero que alguém, desse outro lado aí, me entenda. :)

Uma dessas inquietações resultou em abandonar o home office. Trabalhava em casa há 8 anos. Sempre disciplinadinha e guardando alguns incômodos para debaixo do tapete da sala. Esse ano resolvi colocar a cara pra fora. Havia uma necessidade pessoal por mais inspiração e produtividade, necessidade de cuidar da coluna e, sim, uma sensação de que precisava cortar o cordão umbilical com as meninas (mais uma vez!). Tô feliz nessa nova fase do meu Atari particular. Espero que eu morra poucas vezes, consiga pular todos os obstáculos e encontre o pote de ouro no final da jornada. 

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Uma misturadinha de links para contar o que rolou por aí: :)

# Carga mental. Nesse post aqui uma mãe faz uma carta para o marido mostrando o quanto ela está cansada e precisando de apoio. O texto viralizou, obviamente. 

# Mães empreendedoras. Deu ruim para o Sebrae. Esse texto da Ana Bavon, da Feminaria, denuncia que mães empreendedoras não são bem vindas na Feira do Empreendedor, organizado pelo orgão. 

# Carreira. Nadine Gasman, da ONU Mulheres Brasil, fala sobre a importância de políticas públicas e privadas para promover uma vida melhor às mulheres. Aqui.

# Feminicídio. Somos o 5 país que mais mata mulheres no mundo. E como ficam as crianças,  vítimas invisíveis dessas agressões? Essa matéria explica

 

Estamos cansadas e precisamos falar sobre isso

Sábado passado, dia 10, tivemos um encontro para falar sobre CARGA MENTAL

Carga Mental são aquelas atividades e decisões que exercemos quase sem perceber. São praticamente invisíveis. Nos tomam tempo, consomem energia e geram um super cansaço. Nos reunimos para trocar ideia sobre isso, compartilhar sugestões, desatar alguns nós. Foi um encontro delícia e inspirador, como sempre. O bacana foi colher algumas dicas, que agora divido com vocês. 

 Quem se sente cansada põe o dedo aqui, que já vai fechar... 

Quem se sente cansada põe o dedo aqui, que já vai fechar... 

 

# A fotógrafa Dani Picoral, sócia da Saudades, galeria virtual de fotos, utiliza Trello para se organizar. Ela até nos mostrou o app, contou como facilita a rotina. Teve gente que já se inscreveu!

# Não importa se você é adepta da tecnologia ou prefere usar papel. O que vale é ser do jeito que funciona para você. Isso foi unanimidade no grupo.

# Lista de afazeres devem ser pequenas. Se você pega uma lista com cinco itens e consegue resolver três, tem uma sensação muito melhor do que conseguir liquidar três atividades em um rol de dez. Isso melhora a sensação de produtividade e alivia aquele sentimento de frustração. 

# Anote tudo o que faz. Muitas vezes temos aquela sensação de que não estamos avançando na "to do list", embora estejamos trabalhando, fazendo coisas. Isso acontece porque surgem uma porção de coisinhas que não estavam previstas: atender um telefonema, pagar uma conta atrasada, responder uns emails. Isso tudo toma tempo. E, ao escrever, você consegue ver como usou as horas, avaliar como pode se organizar de uma próxima vez, eliminar a sensação de frustração.

# "Pick your Fight" é o lema da fotógrafa Thais Shimidu. Ela acha que devemos escolher quais brigas travar. Selecionar qual batalha queremos entrar. E isso parece funcionar especialmente com os filhos. Thais escolheu desistir de se incomodar e brigar com os filhos por causa da bagunça e da "molhação" no banheiro após o banho. A escolha eliminou um cansaço mental enorme.

# O que tiver de fazer, faça de imediato. Tem de mandar o cheque pra escola do passeio, faça na hora que leu o comunicado. Tem de colocar a cartela de vacinação na bolsa, pegue e guarde na mesma hora que lembrar. Deixar a procrastinação de lado é um alívio. 

# Uma outra dica veio da coach Patrícia Ansarah. Outro dia, quando viu um prato usado pelo filho largado na casa, ela resolveu fazer diferente. Fez um bilhete para o filho como se fosse o prato. "Oi, eu sou o prato e gostaria que você me levasse até a cozinha etc" Ela resolveu uma questão persistente e chatinha com bom humor e criatividade. Quebrou um padrão. Provavelmente vai ter mais facilidade em atingir o objetivo. 

# Cultive sua rede. Cuide dela. Conte com ela. São essas pessoas que vão te ajudar, dividir o fardo com você, acolher. Seja sua família, vizinhos, pais de amigos da escola, grupo da malhação... Não importa. Forme um grupo com quem possa contar. Isso é libertador e alivia. 

# Escolha algo que te coloque em um estado contrário ao da carga mental: relaxado, leve e despreocupado. Pode ser correr, ler, meditar, pintar. Isso também foi unânime no grupo.: quem não tem uma válvula de escape, tem de escolher uma pra chamar de sua. 

Essas foram algumas das sugestões. E a sua? Mande pra gente no oi@comadre.me

#Newsletter: Baita dor nas costas

Oi, Cos, Ju Mariz aqui.

Janeiro me brindou com uma dor nas costas paralisante. Teve pronto socorro, injeção na veia, criança de férias em casa, braço formigando, trabalhos adiados, dor, remédio, apoio, vontade de gritar, tentativa de meditar, mau humor, (im) paciência, exames doloridos. Descobri uma hérnia. E entrei para o mundo das C7, espinha, vértebra, cervical, medula, nervo. A dor está 90% zerada. E agora estou mais atenta ao assunto, fazendo fisioterapia, mudando hábitos.

Durante a crise me encontrei com uma fisioterapeuta que me alertou da importância de sentar e se posicionar direito para trabalhar. Passou um filme na minha cabeça. Há oito anos eu sou free lancer. Nesse período tive duas filhas. Adotei, feliz da vida, a rotina nômade de trabalhadora autônoma com o computador no lombo. Trabalhei em diversos cafés da cidade, onde eu reparava apenas na qualidade do café e na belezura do espaço. Não pensava se mesa, cadeira, luz estavam adequados.

Uma outra fisioterapeuta deu muita ênfase à minha rotina materna. Ela também é mãe de dois e acho que sentiu empatia imediata. E comecei a reparar. Nós, mães, devemos ter propensão a sentir dor nas costas. Falo isso no sentido "figurativo da coisa": levamos tudo nos ombros. E também no físico, claro. Pode reparar ao redor. É mãe carregando mochila do filho, outra segurando um outro no colo, mãe com diversas sacolas de supermercado em um braço, o computador no outro.... 

Não quero dizer com isso que todas teremos dor nas costas. Não, você não terá. Mas fica uma lição: vamos nos cuidar mais. Por favor, cuidem-se com amor. 

Isso tudo dito, quero fazer um convite a vocês.

Vamos dar início, no próximo sábado, dia 10, à uma série de bate-papos. Queremos abrir espaço para a conversa, o compartilhamento de ideias, a troca de opiniões. Cada mês um tema diferente. Dia 10 vamos falar de CARGA MENTAL.

Estão todas convidadas para conversar sobre essa demanda exaustiva e muito pouco contabilizada. Como lidar com esses afazeres quase "invisíveis"? Decisões que tomamos entre um compromisso e outro? Qual artifício usar para que isso não mine nossa energia? Queremos ouvir vocês. E nada mais "inibidor de dor nas costas" do que uma roda de mulheres conversando, rindo, trocando ideias, se inspirando, não é?

Se tiver interesse, clique na imagem para mais informações.

 

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Manifesto 2018 - um pouquinho sobre quem somos e pra onde vamos

Oi, Comadres, Ju Mariz falando.

Um esboço do que seria o Co.madre surgiu quando me tornei mãe, em 2010. A maternidade me trouxe inseguranças, angústias, medos, desafios, quilos a mais, sono e uma incrível compaixão pelas mulheres que estavam na mesma situação que eu. Havia os aspectos emocionais, mas também os práticos: como conciliar tudo, como organizar a infra, como cuidar da carreira, como tocar os projetos…  

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Criação do nome, grupo no facebook, projetinho num pedaço de papel e primeiros textos aconteceram em 2013. Imaginava que seria apenas um lugar onde pudéssemos postar conteúdo e trocar ideias. De repente, estava encarando o Co.madre como empresa. Ousava até dizer que eu era empreendedora. O fato é que com isso fui atrás de cursos, pessoas, autoconhecimento. Se o Co.madre acabasse hoje -- buáááá -- garanto que o processo que vivi e tenho vivido já teria valido super a pena.

Quando olho para trás vejo como o Co.madre evoluiu e como eu evolui. Desde 2015 minha irmã, Fernanda, é minha parceira na empreitada. Não só isso que mudou, óbvio. A trajetória do Co.madre segue uma evolução conceitual. Lá no começo eu achava que a grande questão a ser resolvida era a de ajudar a mulher-mãe a equilibrar maternidade e carreira para ela ser mais feliz. Engano. Esse equilíbrio não estava apenas nas mãos dela. A maternidade não é uma questão restrita à mulher. Sociedade, poder público, empresas, o companheiro (a) fazem parte desse cenário. Não dá para excluir nada. Vamos mirar nossa artilharia em tudo isso com as ferramentas que temos em mãos: encontros, postagens, textos, palestras, rodas de bate papo, e-books.

Mas o verniz do Co.madre é a empatia, o acolhimento, a compaixão. É dessa forma que conseguimos fluir. Nossa intenção é fazer projetos que acolham mães. Criar uma roda de conversa sobre carga mental ou um workshop sobre finanças pessoais vai ajudar, de alguma maneira, essa mãe? Ótimo. É isso que faremos.

Então, segue aqui um apelo. Se você acha que faz sentido pra você, que, de alguma forma, o que escrevi "cola" nos seus anseios, vem com a gente. Estamos no virtual -- com site, grupo no face, instagram, newsletter -- mas adoramos um olho no olho. De preferência com bolinho e café. ;)

Nossa espinha dorsal é essa aí. Mas a vida é fluida. A gente constrói juntas, muda a rota, pega atalho e está entusiasmada com o que 2018 nos reserva.

# Seguiremos com a Consultoria Coletiva, nosso projeto que ajuda mulheres a empreender dando "inputs" e insights. A próxima será no dia 1 de fevereiro e já já contaremos mais por aqui.

# Teremos uma segunda turma do grupo de Mindfulness com a Fabiana Saes logo em fevereiro. Infos daqui a pouquinho.

# E faremos rodas de conversas, informais e inspiradoras, sobre diversos temas. Queremos falar, escutar, compartilhar.

E estamos planejando muitas, muitas outras novidades.

Obrigada por estar conosco. De coração.  

Seguimos!
Ju Mariz e Fe Mariz

#Newsletter: e quando alguém diz que nada vai mudar?

Oi, Cos, Ju Mariz falando. 

E quando alguém fala para você que as coisas não vão mudar? Você pára ou segue em frente?

  Photo by  Ross Findon  on  Unsplash

 Photo by Ross Findon on Unsplash



Estava jantando com meu marido. Sem filhos, sem horário, sem pressa. Tinha vinho, couvert e vela na mesa. O papo estava bom. Não lembro exatamente o que nos levou a conversar sobre paternidade ativa, geração anterior a nossa, patriarcado quando ele soltou a pérola: você sabe que isso não vai mudar, não é? Ele se referia à postura dos homens diante dos filhos. Foi objetivo como sempre é, qualidade que, naquele momento, me fez tomar o restante do vinho numa golada só. Respirei. E comecei a colocar os pensamentos nos devidos escaninhos.

Importante fazer aqui uma ressalva: eu e ele somos opostos. Eu sou emocional,cardíaca, otimista incorrigível. Ele é prático, pragmático, objetivo. Aprendo muito com seu olhar diante do mundo. E sei que o oposto também é verdadeiro. Tem horas que esfregar a realidade na minha cara é um remédio amargo, mas necessário. Em outros momentos preferia que ele me deixasse sonhar feito Poliana.

Mas esse não é um texto sobre minha vida sentimental, certo? É sobre saber como agir quando tomamos um banho de água fria. “As coisas não vão mudar”, disse ele. E aí ?

Seguimos? Desistimos? Paramos? Esperamos?

Decidi continuar. Porque ali na minha frente estava minha micro revolução. Meu marido é o melhor pai que ele pode ser. Ele ouve minhas demandas de mãe e mulher. Ele reflete, acata, concorda, discorda, aprende, ensina. Se não posso mudar o mundo, fico feliz em impactar o homem que divide o couvert comigo.

Então, se alguém falar pra você que nada vai mudar, não desanime. Vem com a gente porque grandes mudanças são feitas também de micro revoluções.

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 LINKS CHEIOS DE MICRO REVOLUÇÕES

Fathers é uma revista polonesa com projeto gráfico bonito e conteúdo que discute a paternidade consciente. Quer conhecer? Clica aqui.

= Dá uma olhada no blog Amaezonia. É feito por duas portuguesas que contam sobre a maternidade real além-mar. Divertido e honesto e já resultou em um livro.

=  Ignacio Socias, diretor de relações institucionais da International Federation for Family Development, defende longas licenças de maternidade e paternidade, contratos de trabalho flexíveis para mães e remuneração para donas de casa. Ele deu uma entrevista ao Estadão que vale a pena ler. Aqui.

Seguimos!
Ju Mariz e Fe Mariz


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Questionário amigável para planejar 2018

 Planeja que o ponteiro está correndo. Foto: petradr_unsplash

Planeja que o ponteiro está correndo. Foto: petradr_unsplash

Existem diversos modelos, métodos, ferramentas para fazer o planejamento de uma empresa. Nós criamos o nosso. Foi um start para pensarmos no que queremos para o Co.madre em 2018. Uma série de perguntas para dar o pontapé inicial de um planejamento mais detalhado. Queremos compartilhar estas perguntas com você. Vai que inspira?!


1. Qual sua avaliação da sua empresa em 2017. Pontos positivos e negativos

2. Qual sua avaliação da sua atuação em 2017. O que gostaria de mudar para 2018 (em relação à sua atuação).

3. Qual sua expectativa de dedicação à sua empresa em 2018? Quais outras áreas está investindo também?

4. Qual seu desejo para sua empresa em 2018. Cite tudo que vier a sua cabeça, tudo que gostaria de fazer, sem julgamentos ou "pedras no caminho".

5. Selecione cinco coisas que você gostaria de colocar em prática ano que vem no seu negócio.

6. O que você NÃO gosta de fazer na sua empresa?

7. O que você MAIS gosta de fazer na sua empresa?

8. Qual sua expectativa de ganho financeiro com a sua empresa em 2018? Exemplifique. Por exemplo: quero ter todas as minhas contas pagar pela minha empresa. Quero ter a escola dos meus filhos paga por dois anos. Quero ter dinheiro para minhas contar e poder ajudar meus familiares etc etc etc.

9. Vc gostaria de desenvolver algum projeto pessoal dentro da sua empresa? Qual seria?

10. O que você gostaria de estudar/aprender em 2018? Pode ter relação com seu negócio ou não.

#Newsletter: Quem acolhe, colhe

Ju Mariz falando.

Semanalmente levo minha filha caçula à fonoaudióloga. Começamos há três meses. É um problema simples que com dedicação conseguiremos resolver até o final do ano. Enquanto ela faz a sessão, eu fico na sala de espera. Levo livro e caderno de anotações para passar o tempo. Na primeira semana, li o livro, emails e posts nas redes sociais. Na segunda semana me interessei mais pelo entorno. Pacientes que chegavam, profissionais dando orientações, crianças de mãos dadas com suas mães. Na terceira semana o constrangimento me invadiu. Já estava quase pedindo desculpas por estar ali levando minha filha para tratar um problema de fácil resolução. 

A maior parte das crianças tem problemas de audição. Ver uma criança com seus três aninhos se esforçando para se comunicar é tocante. Ouvir conversas sobre a dificuldade de fazê-las colocar o aparelho também me comoveu. Senti uma compaixão enorme por essas mães e sua batalhas diárias. Não importa qual a natureza do problema: mães estão ali, incansáveis e confiantes.

Uma especificamente me chamou a atenção. Ela parecia exausta. Sua filha, de 3 anos, é uma gracinha e faz sessões duas vezes por semana. Eu queria abraçá-la. Abraçar a mãe porque a filha, a essa altura, já estava no meu colo mostrando seu caderno de atividades.

Semana passada resolvi puxar papo. Comecei falando de sapatos infantis. No final ela estava desabafando sobre o desafio de cumprir -- e pagar -- todos os tratamentos da filha. Contou que era um problema hereditário. Tinha dúvidas em relação à escola também. Falou da psicóloga. Sua voz era terna, porém triste.  

Não sei se nossa conversa surtiu algum efeito. Talvez seja pretensão minha achar que esse papo trouxe algum alívio. Só sei que por alguns momentos ela teve uma escuta.

Nossa sociedade está completamente voltada para as crianças e suas necessidades. As mães seguem comosoldadinhos invisíveis cumpridores de seus papéis. Li um texto da escritora Beth Berry, mãe de quatro, e um trecho diz assim: “Conexão rica, segura e autêntica é essencial para nos desenvolvermos. Cultivar essa qualidade de conexão requer coragem e um desejo de sair de sua zona de conforto. O que você mais quer existe lá, do outro lado daquela conversa inicial desajeitada ou daquela apresentação vergonhosa”. Não há mais aldeia. Então, vamos criá-las. E vamos começar acolhendo a mãe. Aquela ali que está bem do nosso lado.

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"Mães não sentem culpa. Sentem frustração e dor."

Por Juliana Mariz

Já tentou escovar os dentes com a mão esquerda (se vc for destro) ? O exercício foi proposto na primeiro encontro do Programa de Mindfulness ministrado pela Fabiana Saes que o Co.madre organizou. Eu fiz o teste. Me senti descoordenada, mas achei divertido. Fazer algo de uma forma diferente que estamos acostumados parece banal. Mas não é. Pode ser prosaico, mas esconde um ensinamento que dá para levar para todos os cantos da vida.

Escovar os dentes com a mão esquerda é ter a oportunidade de fazer algo de uma forma diferente e observar as sensações que surgem daí. Escovar os dentes com a mão esquerda é o mesmo que enxergar uma situação de um diferente ponto de vista. Escovar os dentes com a mão esquerda é ouvir uma opinião contrária à sua.

Sábado passado estive na Casa do Brincar, em Pinheiros, para participar do Momento dos Pais, um encontro organizado pela Luciana Siqueira, da ImagemCom, que reuniu pais e mães em torno da palestra da psicóloga Cristiana Renner.

O assunto girou em torno de fazer crianças dormir, autonomia, limite… até que a culpa entrou no papo. Cristiana falou que o que mães sentem não podemos chamar de culpa . Meu olho arregalou. Acendeu uma luzinha aqui e me ajeitei na cadeira para ouvir melhor. Ela discorda da frase de que quando nasce um filho nasce a culpa da mãe.

Fiquei interessada na fala dela não só para me descadastrar do clube das mães culpadas, mas para que eu, como jornalista, não siga repetindo conceitos absolutos. Quando a gente leva a vida escrevendo, comunicando, enviando mensagens, a gente tem de ter um cuidado redobrado. Refletir, contextualizar, dar mais de uma visão de um mesmo assunto. Será que estou ajudando a minha rede se ficar repetindo que toda mãe é culpada por natureza? Vamos olhar de um novo ângulo? Vou contar o que a Dr Cristiana Renner pensa a seguir. Leia. Reflita. E, antes de dormir, escove os dentes com a mão esquerda. Garanto que é, no mínimo, divertido.

A seguir, as falas da Dra Cristiana Renner em itálico. Os títulos são meus.

 Dra. Cristiana Renner na palestra na Casa do Brincar. Foto: João R Rudge

Dra. Cristiana Renner na palestra na Casa do Brincar. Foto: João R Rudge

 

USAMOS A PALAVRA CULPA DE UM JEITO ERRADO

Uma amiga me disse a frase: quando nasce um filho, ganhamos dois: a criança e a culpa. Trabalhando com isso clinicamente vejo como a gente usa esse termo “culpa” do jeito errado.

Se tenho uma garrafa cheia de água em cima de uma mesa e começo a balançar essa mesa e a garrafa cai, a culpa é minha porque fiz isso conscientemente. Sabia o que poderia acontecer.

Quando lidamos com os filhos nossa intenção é sempre muito boa. Ninguém quer sacanear o filho, todos temos boas intenções. Tudo o que a gente faz é na intenção de fazer da melhor maneira.

Então o sentimento de culpa não serve. É um nome usado de forma inadequada. A gente não faz na intenção de cometer o erro, mas somos seres humanos e erramos. Fato.  

CIRURGIA DA CARTOLINA VERDE

Vamos dar um exemplo. Vamos supor que você esqueceu de levar a cartolina verde que a escola pedia para uma atividade da sua filha. A primeira coisa a fazer é se perguntar: por que esqueceu? A resposta pode ser: porque estou cheia de afazeres, não me organizei, meu chefe está me pressionando. A partir dessa avaliação você vai decidir: pedir ajuda para o marido, pregar um aviso na geladeira, sentar para conversar com o chefe.  

Se você não parar pra olhar a situação você não vai descobrir que tem de pedir ajuda ou colocar aviso na geladeira. O problema é que ficamos no mental: esqueci a cartolina, minha filha vai sofrer bullying, não vai fazer a atividade, não vai conseguir entrar na faculdade etc… E o problema torna-se maior do que realmente é.

Quando temos uma questão como essa temos de olhar e fazer uma cirurgia dela. Até o fim. Não pode parar no meio do caminho. É a cirurgia da cartolina verde.

NÃO É CULPA, É FRUSTRAÇÃO E DOR

E tem outro ponto. A gente vai esquecer, eventualmente, a cartolina verde. Temos que saber lidar com isso e ensinar para nossos filhos a mesma coisa.

Ao sentimento de culpa podemos dar o nome de frustração e dor. Algo que a gente faz e dá errado. O importante é olhar para o problema e descobrir a solução.

HÁ MOMENTOS DE CAOS. ACEITA.

Tem momentos que não dá pra fazer a cirurgia da cartolina verde. Por exemplo, mudei meus filhos de escola e de atividades. Nossa rotina mudou toda. Foi um caos para nos adaptarmos. Eu esqueci a chave… Quando muda uma rotina, é normal que isso aconteça. Pensei que viveríamos três meses de caos, mas foram quatro. Faz parte. A imperfeição existe e lidar com ela é importante.




 

O que a divisão de tarefas domésticas tem a ver com empatia?

Eu defendo que um casal deva dividir tarefas domésticas, cuidados com os familiares e com os filhos. O ideal seria 50/50, mas cada família tem sua dinâmica e está valendo a contribuição mínima. Acredito nisso porque acho justo e equilibrado e porque crianças ganham com o olhar paterno na criação e no gerenciamento doméstico. Mas passei a desconfiar de uma outra razão.

Ao se envolver com o que se passa nos meandros de uma casa, homens podem ser impulsionados a desenvolver empatia. Não quero aqui rotular, tampouco polarizar diferenças. Mas há uma construção social que tirou o homem do campo doméstico e o levou para a “rua”.

A obrigação masculina em prover sustento implicou gerações absolutamente auto-centradas. Sucesso, dinheiro, promoção, carreira. Busco palavras que não soem inquisidoras. O objetivo aqui não é julgar, mas delinear um cenário social.

A rotina doméstica e com os filhos exige observar o tempo todo a necessidade alheia. É um exercício diário. Desde o prosaico “ o que teremos no jantar” até a preocupação com um olhar entristecido de um filho. Exige parar e conversar. Sentar e ouvir. Olhar para o relógio e buscar tempo para escutar aquela história fantasiosa da filha.

   PHOTO CREDIT:  TED BAUER, THE CONTEXT OF THINGS

PHOTO CREDIT: TED BAUER, THE CONTEXT OF THINGS

 

Não sou utópica em pensar que a balança estará equilibrada totalmente. Mulheres trabalham e cuidam da casa. Homens trabalham e cuidam da casa. É muito melhor mesmo que sejamos maleáveis. Uma manhã na semana para acompanhar o filho no tênis, que tal? Ir ao supermercado com eles uma vez por mês, pode ser? Mudar o escritório mais para perto da escola para poder, eventualmente, buscá-lo, rola?

Muitos homens já estão fazendo isso e, em conversas que tive, estão satisfeitos e sentindo a mudança pessoal. Outros já ouvem sobre empatia em cursos sobre liderança, em palestras na empresa, em leituras. Pois esse mesmo empenho em ter uma performance tão apurada e acurada para o trabalho e para a equipe, é desejável que tenham com o filho, com a mãe, com a esposa. Tudo isso com uma grande diferença: estarão ajudando a construir o relacionamento mais significativo de suas vidas. Vale a pena.