Carta à mãe grávida

Você chegou tímida na roda de conversa onde eu iria expor o que os anos de Co.madre me ensinaram. Logo foi acolhida pelas demais mães com abraços e bolo de cenoura com calda de chocolate. Começamos o bate-papo depois que todas as crianças do local se acomodaram para brincar. Elas tinham de um a 5 anos. Seu bebê, você nos contou, vai nascer em junho e sua mãe, que não mora na cidade, já está de malas prontas para acompanhar a chegada do neto. 

Comecei a apresentação falando da minha trajetória e porque criei o Co.madre. Aconteceu o que, invariavelmente, acontece quando algumas mulheres sentam-se em círculo para conversar. Uma troca de experiências intensa. Você pediu a palavra, falou que chegou a pensar em estocar mantimentos na casa como se não tivesse ninguém para fazer isso no seu lugar quando o bebê nascesse. Falamos de divisão de tarefas, carga mental, relacionamentos, conversas indesejadas e adoecimento por conta da sobrecarga. Meu papel foi de ouvinte, fazendo perguntas aqui e ali para que as conversas seguissem. 




De repente, olhei para você. Não sei se você estava assustada ou preocupada. Senti compaixão. Você teve o maior banho de desromantização da maternidade que alguém poderia ter. Ouviu verdades, sem filtros ou edições.Voltou para casa sabendo que o que te aguarda vai além da eventual dificuldade das mamadas ou da privação de sono. Aprendeu que maternidade tem contornos angustiantes que impactam nossa identidade, nossa carreira, nossos relacionamentos, e, muitas vezes, nossa saúde emocional. 

Você seguiu nos meus pensamentos no dia seguinte. Resolvi escrever. Quero te contar que você está mais forte do que antes para enfrentar o que está por vir. O futuro é cheio de dualidade, sim. Vai ter muito, muito amor, mas algumas doses de preocupação e perrengue também. Você vai sair da maternidade cheia de dúvidas de como dar banho, colocar para arrotar ou fazê- lo dormir. Mas quando isso acontecer já vai saber que tem uma rede de amigas a esperar por você.

Com carinho e um feliz dia das mães, 

Juliana

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Maternidade, essa complexa experiência:

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Um texto delicioso publicado no El País conta a relação de escritoras e maternidade. Leia aqui

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A escritora Jessica Friedman escreve um artigo que eu julgo primoroso sobre porquê a maternidade é uma questão política. Leia aqui 

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Thaiz Leão, do canal A Mâe Solo, fez quadrinhos sobre as questões que mães solo ouvem em relação à pensão, responsabilidade paterna e bem-estar da criança. Lição de empatia. Leia aqui.



Obrigada. Seguimos!
Ju Mariz 

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Ninguém solta a mão de ninguém

Olá, comadres!

Outro dia peguei na mão da Elisa, minha filha de seis anos, para atravessar a rua. Na calçada eu larguei. Ela tornou a pegar minha mão, apertou forte e disse: "mãe não larga da mão da filha." Eu concordei. Porque ela entendeu direitinho: ninguém solta a mão de ninguém.

A arte ao lado, que acompanha essa frase, é da artista mineira Thereza Nardelli. Viralizou após as eleições presidenciais. Mas você sabia que essa frase quem disse para Thereza foi sua mãe durante um momento difícil pelo qual as duas passavam? :) 

É uma frase que tem um caráter político forte. E uma humanidade necessária. Exprime conforto, zelo, solidariedade, acolhimento. E é o meu desejo pra você. 

Que a gente leve essa frase ao pé da letra.

Recite como mantra.
Sussurre como oração.
Declame como poesia.

O propósito do Comadre sempre foi esse: botar mãe de mãos dadas com mãe. E não largar mais. 
E em 2019 renovamos os votos de seguirmos juntas, mãos coladas, como a vida deve ser.

Até já. 
Ju Mariz 

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#Newsletter: Maternidade é o novo fitness

Olá, comadres!

Estou com uma pulga aqui atrás da minha orelha e quero dividir com vocês.

Influenciadoras digitais estão tendo filhos. Vamos ver mais e mais postagem sobre maternidade. Mas, talvez, de um jeito nocivo. O ambiente virtual é propício para comparações, toxicidades, depreciação. Pode até não ser intencional, mas é o efeito negativo da internet. Temos de proteger as mães.

Há um tempo, o drible no que parecia superficial recebeu nome e hashtag: maternidade real. Teve sua força e relevância até o momento que a vida real do outro virou objeto de desejo. Mas cada um tem a sua cota de realidade, concorda?

Maternidade é o novo fitness do insta. A menina que se olha no espelho buscando a barriga chapada está sendo substituída pela mãe com bebê no colo. Internet é espelho? Que Sabrinas, Isis, Marias, tenham a real dimensão de seus papéis. 


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Photo by Sandrachile . on Unsplas


A você, mãe da internet, eu desejo:

  • faça sua curadoria de seguidoras baseada no que faz seu coração leve

  • não se afogue em informações

  • faça detox virtual periódico

  • pegue o caderninho e escreva, escreva, escreva

 
A gente engole muita informação. Mas tem tanta coisa aqui dentro que precisa sair…. Uma forma de escoar é utilizando a palavra. Uma frase por dia. Tente. Escrever é cura.

Se você conhece uma mãe que pariu recentemente, fique de olho. Comparações virtuais são um veneno para mães no puerpério. Vamos nos cuidar.

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Palavrinhas marotas em forma de link que encontrei por aí:

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Chateada com essa história aqui. O bom é que a funcionária, Raiane dos Santos, já está empregada. A discussão é sempre válida. A sociedade é, sim, responsável pela mãe. Há uma parcela da população que não entende dessa forma. Mas há um grande número de pessoas dispostas a ajudar. 

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Esse texto aqui do psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, publicado no portal Lunetas, é de leitura incômoda. A pergunta é: criamos nossos filhos para nos satisfazer? 


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Da série, a que ponto chegamos. Um restaurante britânico dá refeição grátis se pais toparem ficar sem celular e conversarem com os filhos à mesa. Aqui

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A escritora canadense Kasey Edwards manda uma carta para Meghan Markle sobre maternidade. Contém verdades necessárias e sensíveis aqui.


Até já já!
Ju Mariz 

Qual livro está no seu criado-mudo agora

Oi, Cos, 

“Você está lendo De Lamare?”, perguntou a senhora pra jovem mãe ao meu lado. A moça, com cabelo curtinho e rosto de interrogação, disse que nessa fase não estava conseguindo ler nada. Eu sorri e pensei: quantas maternidades cabem no espaço entre aquela senhora e a mãe com seu bebê no carrinho? Quantas maternidades cabem entre De Lamare, o médico que vendeu mais de 5 milhões de exemplares do clássico “A vida do bebê”, e Laura Guttman, Carlos Gonzales ou os trocentos feeds sobre o assunto? Milhares? Não, apenas uma. Maternidade só tem no singular. Incomparável e única. Tão particular quanto aquela pilha de livros crescendo no seu criado-mudo.

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Aliás, qual livro está no seu criado-mudo agora? Quais foram os últimos três que você leu? Adoraria saber. E nem precisa ser relacionado com maternidade, viu !?

Vou contar aqui os livros mais significativos que li esse ano, por enquanto:

1. O sol é para todos, Harper Lee
Um dos meus preferidos por defender valores nobres para uma sociedade, como empatia, igualdade, verdade e justiça 

2. Autocompaixão, Kristin Neff
Que conceito profundo! Se diferencia de autoestima e autopiedade e é carregado de benefícios. Um treino!

3. Mulheres e Poder, Mary Beard 
Panorama histórico do silenciamento feminino. Para saber para onde vamos, precisamos entender de onde viemos

4. Deixe a peteca cair, Tiffany Dufu
Os questionamentos da americana Tiffany Dufu começaram quando ela percebeu que teria de brecar sua carreira com o nascimento do primeiro filho. Ela reflete, então, sobre equalizar carreira e maternidade, dividir tarefas com o parceiro, alinhar expectativas... Me trouxe insights e dicas que parecem interessantes -- mas que ainda não coloquei em prática | ( 

E para finalizar essa cartinha, uma lista de listas indicando livros e outras cositas mais. Divirta-se.

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Da revista PEGN vem uma seleção de livros para mães empreendedoras. Aqui.

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Livros impiedosos sobre a maternidade. Vai encarar? Clica aqui.

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Eu assino a newsletter do Leia Brasileiros. O autor, Giovanni Arceno, manda, diariamente, um trecho de uma obra literária escrita por um brasileiro (a). É meu oráculo literário todas as manhãs. Se quiser assinar, vem aqui.

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E para finalizar, colo aqui o link do curta metragem ganhador do Oscar de 2012 "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore". São quinze minutos de pura poesia e um manifesto para deixarmos a literatura colorir nossa vida.

Obrigada. Seguimos!
Ju Mariz 

Conheça o 4daddy, site de informações para pais

Leandro Ziotto é um típico representante de uma família mosaico. Ele é pai de Vinícius, de 10 anos, filho de sua ex-companheira. Eles se conheceram quando o garoto tinha 3 anos e estabeleceram um vínculo que nem a separação afrouxou. “O pai biológico de Vini é presente. De forma burocrática, mas é um pai presente. Mas é em mim que Vini se apoia, ele me vê como figura paterna e me chama de pai. A minha paternidade foi muito empírica e intuitiva. Fomos nos aproximando e quando a gente percebeu, já éramos uma família. Com a nossa particularidade, mas éramos uma família”, conta Leandro, que hoje está casado com Luísa.

Pois foi no começo dessa paternidade construída que Leandro se deparou com um questionamento. Ao procurar informações no google sobre como fazer uma criança dormir, ele percebeu que a grande maioria dos textos era voltado para as mães. “ Até a quarta página do google só tinha matérias para as mães. Eu fiquei muito incomodado. Não acreditava que eu não teria competência para colocar uma criança pra dormir. Percebi que a cultura machista não violenta apenas as mulheres, ela também castra homens em sua sensibilidade e afetividade”, afirma. Por isso Leandro lançou, em 2016, o 4daddy, uma plataforma com informações sobre crianças voltadas para pais. Ele ainda organiza cursos e workshops em escolas, comunidades, empresas. “Quero mostrar o quanto essa figura e essa função são importantes para o desenvolvimento das nossas crianças.”

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Co.madre: Qual o objetivo do 4daddy?

Leandro: O objetivo é sensibilizar a sociedade civil e o Estado sobre a importância da figura paterna para o desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes, baseada numa criação afetiva, social e cidadã. Também participamos de grupos de trabalho na Rede Nossa SP e Rede Nacional Primeira Infância, com a missão de influenciar políticas públicas sobre esse assunto.

Co.madre: Você sente abertura entre os homens para esse tipo de informação e conhecimento?

A aceitação é ótima, tanto por pais quanto por mães. Mas aceitação não basta. A admiração não gera ação. Mas vejo uma nova geração de homens e pais que estão dispostos a acertar e equilibrar essa conta de séculos com as mulheres. Estamos muito longe do ideal. O machismo ainda existe e está enraizado em todos nós, homens e mulheres. Mas vejo com entusiasmo a quebra, ou pelo menos, a tentativa de quebra, desses paradigmas.

Co.madre: Me fale um pouquinho sobre como você enxerga essa nova paternidade que estamos tentando construir.

Eu enxergo com muito carinho, entusiasmo e motivação. Mas com um certo ceticismo pra não me deixar cair em armadilhas, pois ainda estamos muito longe do ideal. Temos uma conta negativa com as mulheres e com o mundo de séculos. E novas ondas, culturas e gerações podem ser facilmente cooptadas pelo mercado. Vemos marcas aproveitando essa oportunidade, e isso só distorce a nossa real missão. A revolução da mulher/mãe é para fora, é de luta, ocupação do espaço que lhe foi tirado. A revolução do homem é interna, para dentro, consigo mesmo para se reposicionar nesse mundo e nas novas dinâmicas familiares e sociais.

Co.madre: Qual seria seu conselho para um homem que será pai em breve?

O meu conselho é que ele "AJA". E se policie todo dia. Pai não ajuda, pai cria! Medo faz parte. Erros acontecerão! E que não tente copiar modelos e pessoas. Ninguém será melhor pai pro seu filho do que você mesmo.

5 dicas básicas de escrita

Empreendedores têm uma gama enorme de cursos, workshops, aulas, palestras, consultorias para ajudá-los em seus projetos, negócios, empresa. Investem tempo e dinheiro cercando-se das principais ferramentas para minimizar erros e riscos. Perfeito. Assim que deve ser. No entanto, pecam em algo simples que pode colocar tudo a perder: a escrita.

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Não estou nem falando da estratégia de comunicação. Estou voltando ao básico: o bom uso das palavras. De nada adianta carregar o Canvas debaixo do braço ou ter o pitch na ponta da língua se na hora de escrever uma apresentação, um post ou um email, que seja, a mensagem está truncada. O seu texto também faz parte do seu branding.

Vivemos, atualmente, no modo acelerado. Tudo é pra ontem. Muitas vezes, nem é, mas nos sentimos sempre na urgência, em débito, correndo . E então as palavras saem como cuspidela. Não pode. Senta e respira antes de escrever para convidar aquele potencial cliente para um café. Pensa nas palavras certas quando for se apresentar em um grupo no facebook. A escrita conecta. A escrita emociona. E diz muito mais sobre você (e seu negócio) do que você pode imaginar.  Seguem cinco dicas básicas:

 

1.

CLAREZA

Primeiro pense qual a mensagem quer passar. Isso é o primordial. Não importa se é uma super apresentação ou se é apenas um email convidando alguém para uma reunião. As informações básicas são as mais importantes. 

 

2.

CURTO

Se a ideia não é escrever um artigo, não se alongue. Manja o “encher línguiça?” Fuja.

 

3.

AUTÊNTICO

Você tem um jeitinho só seu, sua marca também. Como traduzir essa  expressão única em palavras? Enconte sua voz. Ela é só sua.

 

4.

SEM PEDANTISMO

Cuidado com o auto elogio exagerado. Não confunda confiança e auto estima com arrogância.

 

5.

SEM SE APROPRIAR DE EXPRESSÕES NADA A VER COM VOCÊ

A internet é fértil em produzir gírias e expressões da moda. Se essas expressões não têm nada a ver com você, não use.

Mãe Mãe Mãe

Olá, Comadres! 

Banalizaram a mãe. A palavra, quero dizer. Minhas filhas pronunciam essas três letrinhas 30 vezes por dia. Ou melhor, por manhã. Tomaram como mantra. Saem pelo corredor falando mãe mãe mãe. Uma verborragia a la Galvão Bueno. Poxa, não faz isso com a mãe, não. A palavra vem do galaico-português madre. Que vem do latim, mater. É coisa fina. Agora tá lá, na boca das minhas filhas como brigadeiro em festa infantil. Tento explicar que não precisam repetir cinco vezes mãe se aquilo que clamam - no caso eu -- está a cinco passos. Vou fazer uma campanha pelo uso comedido da mãe. E sei que isso é só da boca pra fora porque mãe, na real, não tem comedimento. 

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O chamado incessante delas me incomoda real. Não é só o grito, o barulho ou a repetição que me irritam. É também a sensação de que elas acham que devo estar à disposição o tempo todo. Mãe não é delivery 24 horas. Não é serviço full time. Vejo essa situação como uma oportunidade de explicar que elas devem respeitar meu momento, meus afazeres, minha distância (por menor que seja). E respirar. Eitcha meninas ansiosas. Querem tudo para agora.

Alguém se identifica?

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Fala-se de... solidão das mães especiais, maternidade e trabalho, primeira ministra da Nova Zelândia. Tudo logo aqui: 

1.
Um texto muito comovente escrito por Láu Patron -- que mantém a páginaAvante Leãozinho para contar sobre a doença que acomete seu filho -- fala sobre a importância de termos uma rede e como isso é mais complicado para mães com filhos especiais. Imperdível

2.
The New York Times publicou uma matéria extensa sobre discriminação de grávidas pelas empresas. Traz casos reais e cita empresas que até divulgam programas de apoio às executivas, mas que na hora do vamos ver, o apoio não existe.

3.
Fique de olho nesse nome: Jacinda Ardern: ela é a primeira ministra da Nova Zelândia e acabou de ter bebê. Ela está revolucionando a fórmula maternidade - trabalho. Com o bebê no colo, fez um pronunciamento aumentando a licença maternidade e oferecendo ajuda de custo a famílias com filhos pequenos. Um textinho sobre ela aqui.  


Boa leitura e até mais!
Ju Mariz

 

# Newsletter: filmes sobre maternidade

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Olá, Comadres! 

Falar sobre maternidade na sua forma mais nua e crua é um movimento recente impulsionado pelas redes sociais. O Comadre tem cinco anos e posso atestar que nesse período a desmistificação da maternidade ganhou as redes de forma ampla e sem chance de retorno.

É bacana ver como esses movimentos nascem, se espalham, afetam as pessoas e conseguem promover mudanças. E o que de tão amplo foi feito? Falou-se do assunto. Simples assim. Falamos que maternidade é, sim, um momento lindo na vida de qualquer pessoa. Mas esse contentamento vem junto de uma carga super pesada, enfrentada por cada um de uma forma diferente. Tem solidão, depressão, cansaço, medo, angústia. Tem bico de seio rachado, noites mal dormidas, parceiro distante, carreira deixada de lado... 

A narrativa sobre a maternidade mudou. E o que se produz sobre isso também. Assistimos a filmes sobre mães e filhos há um tempão. Quem se lembra de "Minha mãe é uma sereia", com Cher, Winona Ryder e Christina Ricci, um clássico que chamou a atenção por desconstruir o papel da mãe? Mais recentemente lançaram "Perfeita é a mãe", com Mila Kunis; e "O maior amor do mundo", com Jeniffer Aniston e Julia Roberts.... Enfim, impossível citar tudo já que a temática é recorrente. 

A lista é grande, mas duas produções recentes são, ao meu ver, um marco nessa busca por desromantizar a maternidade. Falo de Turma do Peito, série da Netflix; e de Tully, em cartaz no cinema. 



Turma do Peito mostra as angústias e dúvidas de Audrey, personagem vivida por Alison Bell, atriz que também escreveu o roteiro. Seu bebê tem poucos meses quando ela decide frequentar um grupo de apoio a pais em seu bairro. Os sete episódios atravessam a montanha russa do puerpério: cansaço, amamentação, relação com as amigas, dúvidas sobre o trabalho, julgamento, auto julgamento. 

A história de Audrey mostra bem como somos duros com nós mesmas e como a maternidade traz um "não pertencimento" imediato. Amigas parecem estranhas, marido fica distante, mãe vira alvo de nossas maiores angústias. Uma grande sacada da série é dar importância à formação de uma rede. Depois de relutar, Audrey encontra no grupo de pais empatia, suporte, compaixão. Um pacote pronto de riso, choro, emoção.

Tully, que está no cinema, é um filme denso, intenso, sensível. Charlize Théron se entregou para o papel de uma mãe sobrecarregada, a espera do terceiro filho. Saí do cinema passada. Aos poucos, insights foram caindo. Eu adoro quando um filme me provoca reflexões em parcelas. Mas é o tipo de filme que não dá para falar muito se não corro o risco de contar o que não devo.

O que posso escrever é que Tully é um retrato muito honesto sobre a família contemporânea e o papel da mulher. Revela a maternidade como uma oportunidade ( difícil e inexorável )  de nos encontrarmos com nossa própria sombra. Coloca luz à MULHER por trás da mãe que amamenta, acarinha e ama aquele bebê. Tira o manto sagrado e descortina uma mulher cansada e suscetível à doenças mentais e emocionais. E disso, precisamos falar, ler, ouvir, debater, refletir.

Melhor parar por aqui, mas ia adorar ler o que você achou sobre o filme ou a série. Me conta? 

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Agora pega o balde de pipoca, senta no sofá e dá uma olhada nesses textos sobre o assunto:

1 #
Essa matéria da Refinery29 mostra como o filme Tully pode ajudar homens a ter mais empatia.

2 #
Reportagem da Lunetas sobre a série Turma do Peito, do Netflix. Sem spoiler, prometo.

3 #
Essa lista do Huff Post é do mês passado, mas traz algumas sugestões de documentários e filmes. 

Até a próxima,
Juliana


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# Newsletter: o banho com a Elisa

 

Quem nunca se trancou no banheiro e deu uma enrolada para prolongar o momento sozinha? Banheiro é lugar sagrado pra mãe, concordam? Espaço onde você se tranca para passar uns minutinhos no celular, ouvir música, tomar um banho tranquilo. Claro que para isso acontecer algumas regras tiveram de ser estabelecidas, né? Porque criança não entende banheiro como um local privado. Aliás, filhos sabem o significado da palavra privacidade? Desconfio que não.

Quando é hora de ficar sozinha, quando é hora de se doar

Quando é hora de ficar sozinha, quando é hora de se doar

Pois Elisa, minha caçula que faz seis anos no próximo mês, resolveu que quer tomar banho comigo. Pediu uma vez. Eu deixei porque estávamos atrasadas para um compromisso. Pediu a segunda vez. O alarme do meu limite interno soou, mas acabei concordando. Durante o banho olhei pra ela, pra nossa interação, para aquele momento. E entrei no limbo materno: onde termina o meu espaço e começa o dela ? Estabelecer esse limite é fundamental pro nosso equilíbrio.

A dualidade é: quero ter o meu espaço de auto-cuidado, o meu momento sozinha, o meu silêncio. Mas quero também estar com ela porque daqui alguns anos ela não vai querer se ensaboar comigo no chuveiro. Qual é o tamanho da entrega? Qual é o tamanho da doação? Isso, só podemos decidir sozinhas, com uma escuta interna. Não tem manual nem mãe you tuber pra resolver por nós. Mais importante do que ceder ou recurar, é ouvir internamente o que você está querendo. 

Eu me ouvi. E decidi: banhos juntas apenas nos finais de semana. Ela aceitou e prometeu ensaboar todo o boxe. Nâo vejo a hora. 

Ju Mariz
 

#Newsletter: Criar filhos é passar de fase no videogame

Oi, Cos, Ju Mariz falando.

Outro dia uma amiga comentou: "criar filhos é como passar de fase no vídeo game." Ela quis dizer que quando a gente pensa que dominou o "esquema" com os filhos, as demandas mudam. Pulamos de fase, viramos a chavinha, ganhamos novos poderes. Concordo, Dani.

Photo by Pat Kwon on Unsplash

Minhas filhas têm 8 e 5 anos. A rotina mudou porque as duas estão na mesma escola. Ganhei tempo e melhorou a logística. A dinâmica entre elas também é outra. Interesses e assuntos convergem, o que gera união e também discussão. Minha abordagem está tendo que mudar também. E, obviamente, esse game não vem com manual.

E nós, manejando esse console, também sentimos novas ( ou velhas ) necessidades. A maternagem nesse estágio traz outros dilemas. Nossos anseios mudam ou ficam ainda mais latentes. Rolaram novas inquietações aqui dentro. Espero que alguém, desse outro lado aí, me entenda. :)

Uma dessas inquietações resultou em abandonar o home office. Trabalhava em casa há 8 anos. Sempre disciplinadinha e guardando alguns incômodos para debaixo do tapete da sala. Esse ano resolvi colocar a cara pra fora. Havia uma necessidade pessoal por mais inspiração e produtividade, necessidade de cuidar da coluna e, sim, uma sensação de que precisava cortar o cordão umbilical com as meninas (mais uma vez!). Tô feliz nessa nova fase do meu Atari particular. Espero que eu morra poucas vezes, consiga pular todos os obstáculos e encontre o pote de ouro no final da jornada. 

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Uma misturadinha de links para contar o que rolou por aí: :)

# Carga mental. Nesse post aqui uma mãe faz uma carta para o marido mostrando o quanto ela está cansada e precisando de apoio. O texto viralizou, obviamente. 

# Mães empreendedoras. Deu ruim para o Sebrae. Esse texto da Ana Bavon, da Feminaria, denuncia que mães empreendedoras não são bem vindas na Feira do Empreendedor, organizado pelo orgão. 

# Carreira. Nadine Gasman, da ONU Mulheres Brasil, fala sobre a importância de políticas públicas e privadas para promover uma vida melhor às mulheres. Aqui.

# Feminicídio. Somos o 5 país que mais mata mulheres no mundo. E como ficam as crianças,  vítimas invisíveis dessas agressões? Essa matéria explica